Encontro com prefeitos reflete desafios políticos do presidente Lula nas Eleições 2026, diz analista

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou, nesta terça-feira (11), o Encontro com Novos Prefeitos e Prefeitas, em Brasília. O evento, de três dias, busca estreitar laços com gestores municipais, especialmente após a vitória do centrão e da direita nas eleições de 2024. A cientista política Clarisse Gurgel avalia que o governo federal está em desvantagem e terá de ceder a demandas políticas para fortalecer sua presença nos municípios, apontando a descentralização orçamentária como um fator determinante.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou o Encontro com Novos Prefeitos e Prefeitas, em Brasília.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou, nesta terça-feira (11/02/2025), o Encontro com Novos Prefeitos e Prefeitas, realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. O evento, com duração de três dias, tem como principal objetivo aproximar as prefeituras dos programas do governo federal, consolidando o pacto federativo e promovendo um maior alinhamento entre o poder central e os municípios. Essa ação se revela de extrema importância, principalmente após o resultado das eleições municipais de 2024, que resultaram em vitórias majoritárias de partidos alinhados ao centrão, como o PSD e o MDB, além de representantes da direita. Segundo o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, o governo busca identificar as prioridades dos municípios para direcionar investimentos em áreas específicas.

Entretanto, para a cientista política Clarisse Gurgel, professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), esse encontro reflete uma tentativa de Lula de estreitar relações em um cenário no qual seu governo enfrenta uma clara falta de apoio e coesão política. Em entrevista à Sputnik Brasil, Gurgel destacou que, ao longo dos últimos anos, o Partido dos Trabalhadores (PT) perdeu força e penetração nas bases municipais, o que tem enfraquecido sua capacidade de influenciar decisões políticas no nível local. A especialista afirmou que, ao contrário dos sucessos obtidos durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, que conseguiu fortalecer a presença da esquerda nos municípios até 2012, o cenário atual é de fragilidade, agravado pela ascensão da extrema-direita e pelos desafios internos enfrentados pelo PT.

Gurgel também apontou que o evento em questão está profundamente relacionado à descentralização orçamentária, uma estratégia que, na visão da cientista política, acaba resultando na perda de poder do governo federal.

“Esse evento consolida a política de descentralização orçamentária, o que significa uma perda de capacidade de poder do governo central, uma vez que os recursos são direcionados para as administrações locais, enfraquecendo o controle do Executivo federal”, afirmou.

Essa descentralização, segundo ela, ocorre em um momento crítico, quando o governo de Lula já se encontra em uma posição política desfavorável, sem uma equipe homogênea que consiga articular de maneira eficaz as demandas e as ações necessárias para fortalecer sua base de apoio.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, tem se mostrado um dos principais articuladores nesse processo, e recentemente fez duras críticas ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, considerado por muitos como um dos possíveis sucessores de Lula. Para Gurgel, essas declarações são uma demonstração clara de quem detém o poder nas negociações que envolvem os municípios e, consequentemente, as eleições de 2026. A cientista política avaliou ainda que o encontro com os prefeitos, em grande parte oriundos da direita e da extrema-direita, será marcado por trocas de apoio em um cenário no qual o governo federal precisará ceder às demandas locais para garantir um apoio político necessário para as eleições futuras.

Ao longo dos três dias de evento, a tendência será que o governo Lula siga cedendo em suas negociações, reconhecendo que, sem uma base forte nos municípios, terá dificuldades em projetar uma candidatura bem-sucedida em 2026.

“O governo Lula está em uma posição de desvantagem, sem a capacidade de negociação que tinha em governos anteriores”, concluiu Gurgel, destacando que o evento serve como uma vitrine das dificuldades que o governo enfrenta no atual contexto político brasileiro.

*Com informações da Sputnik News.


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