O atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um cenário de instabilidade política que coloca em xeque sua capacidade de governar e sua viabilidade para uma eventual reeleição. O controle da situação parece escapar de suas mãos, uma vez que a base aliada no Congresso demonstra sinais evidentes de distanciamento e insatisfação com a condução do governo. Essa conjuntura reflete um quadro mais amplo de descontentamento com a gestão petista e de realinhamento das forças políticas nacionais. A análise apresentada neste texto foi publicada originalmente por Joaci Góes, no jornal Tribuna da Bahia, em 13 de fevereiro de 2025.
O Descolamento da Base Aliada
A recente eleição dos novos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Hugo Mota e David Alcolumbre, respectivamente, ilustra a fragilidade da articulação política do governo. Ambos deixaram claro, ainda que em linguagem diplomática, que não pretendem apoiar uma eventual candidatura de Lula à reeleição. Esse afastamento também se reflete em líderes do Centrão, tradicionalmente pragmáticos em sua relação com o poder, que agora demonstram resistência à continuidade do governo petista.
Um dos exemplos mais emblemáticos é o deputado federal Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, que declarou publicamente que não repetiria o apoio a Lula. Além disso, Gilberto Kassab, presidente do PSD, criticou duramente o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, questionando sua capacidade de liderar a economia do país. As críticas de Kassab reforçam a percepção de que o governo encontra dificuldades em administrar as expectativas do mercado e dos setores produtivos.
O Enfraquecimento da Imagem Presidencial
A imagem de Lula, que historicamente se beneficiou de um discurso popular e reformista, encontra-se desgastada. Veículos da chamada “mídia independente” já apontavam para esse esgotamento, mas, agora, até setores tradicionalmente simpáticos ao petismo começam a reconhecer os desafios enfrentados pelo governo. O desgaste é agravado pela ausência de soluções concretas para problemas estruturais do Brasil, como a estagnação econômica e a desigualdade social.
A estratégia do governo tem sido manter um discurso que enfatiza a luta contra a pobreza e a desigualdade, mas sem apresentar resultados substanciais. Essa postura, que antes era um trunfo eleitoral, começa a ser questionada diante da realidade de um país que não vê avanços significativos na melhoria de sua qualidade de vida.
O Fator Bolsonaro e o Cenário Eleitoral
Diante da crise, o governo Lula pode ver no retorno de Jair Bolsonaro à disputa política uma oportunidade de mobilizar sua base histórica. O ex-presidente continua sendo uma figura polarizadora e, se conseguir reverter sua inelegibilidade, pode dividir o eleitorado conservador. Esse cenário poderia, paradoxalmente, beneficiar o petismo, reproduzindo a dinâmica das eleições passadas, nas quais a rejeição a Bolsonaro foi determinante para a vitória de Lula.
No entanto, essa estratégia é arriscada. A polarização pode se intensificar, afastando eleitores moderados que buscam uma alternativa a essa dicotomia política. A falta de uma terceira via consistente também contribui para um clima de incerteza no cenário político nacional.
Relação com os Estados Unidos e Alinhamento Internacional
No campo das relações internacionais, o Brasil sob Lula tem adotado uma postura que o distancia dos Estados Unidos, seu principal parceiro comercial e estratégico. A aproximação com regimes autoritários, como os da China e da Rússia, levanta questionamentos sobre os interesses de longo prazo do Brasil na geopolítica mundial. Essa escolha pode ter consequências negativas para a economia, uma vez que os investidores internacionais monitoram com atenção os rumos da política externa do governo.
Enfraquecimento progressivo
O governo Lula enfrenta um período de desafios que vão além das disputas políticas tradicionais. O desgaste interno, a falta de apoio no Congresso, as dificuldades econômicas e a tensão nas relações internacionais configuram um cenário complexo. Para reverter essa situação, seria necessário um reposicionamento estratégico que incluísse a reconstrução de pontes com setores descontentes e a apresentação de soluções concretas para os problemas nacionais.
Entretanto, não há indícios de que essa mudança de postura ocorrerá. A continuidade do atual modelo de governança pode levar a um enfraquecimento progressivo da gestão petista, abrindo espaço para novas lideranças e rearranjos políticos no cenário nacional. O futuro do Brasil segue incerto, enquanto as peças do tabuleiro político continuam a se movimentar, conclui Joaci Góes,
Share this:
- Click to print (Opens in new window) Print
- Click to email a link to a friend (Opens in new window) Email
- Click to share on X (Opens in new window) X
- Click to share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn
- Click to share on Facebook (Opens in new window) Facebook
- Click to share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp
- Click to share on Telegram (Opens in new window) Telegram
Relacionado
Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)
Subscribe to get the latest posts sent to your email.




