O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), denunciou, no domingo (24/02/2025), o tenente-coronel da Polícia Militar José Hildon Brandão e o deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha, por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro. O parlamentar é apontado como líder de um grupo miliciano que atua na região de Feira de Santana. A denúncia é parte dos desdobramentos da Operação El Patrón, deflagrada em dezembro de 2023, de forma integrada entre o MPBA, Polícia Federal, Receita Federal e a Força Correicional Especial Integrada (Force) da Secretaria de Segurança Pública (SSP). A operação investiga crimes de lavagem de dinheiro, extorsão e exploração do jogo do bicho em Feira de Santana e cidades adjacentes.
Na denúncia, o MPBA solicitou a manutenção do afastamento cautelar do tenente-coronel de suas funções na Polícia Militar e a indisponibilidade dos bens dos acusados, visando garantir a futura reparação pelos danos causados. Segundo os promotores de Justiça do Gaeco, os denunciados teriam ocultado a origem ilícita de um lote localizado no bairro Papagaio, em Feira de Santana. O imóvel teria sido adquirido com recursos oriundos de atividades criminosas lideradas pelo deputado estadual.
A transação ocorreu em setembro de 2022, com pagamento realizado em espécie, sem documentação que comprovasse a propriedade do bem por parte do vendedor, caracterizando um possível esquema de lavagem de dinheiro. De acordo com os promotores, o tenente-coronel teria intermediado e efetuado o pagamento da aquisição, utilizando dinheiro vivo, um método que dificulta a comprovação da origem e rastreamento dos valores envolvidos.
Além dessa negociação, o Gaeco identificou outros indícios de irregularidades envolvendo o oficial da PM. Em janeiro de 2023, ele teria adquirido um veículo com parte do pagamento em dinheiro vivo, sem justificativa para a origem dos recursos utilizados. O deputado estadual, apontado como líder da organização criminosa há mais de dez anos, é investigado por envolvimento em crimes como agiotagem, receptação qualificada e jogo do bicho. O tenente-coronel teria facilitado a ocultação do patrimônio ilícito.
A Operação El Patrón resultou no cumprimento de dez mandados de prisão preventiva e 33 mandados de busca e apreensão. As autoridades também bloquearam propriedades urbanas e rurais, além de determinarem a suspensão das atividades econômicas de seis empresas. No total, quinze pessoas foram denunciadas pelo MPBA como parte da investigação.











Deixe um comentário