A mais recente pesquisa Ipsos/Ipec, realizada entre 7 e 11 de março de 2025, expõe um cenário de crescente insatisfação com o governo federal. Com 2 mil entrevistas em 131 municípios, o estudo aponta que 55% dos brasileiros desaprovam a gestão de Lula, ante 40% de aprovação. A confiança no presidente também recuou: 58% declaram não confiar em sua liderança, enquanto 40% mantêm alguma credibilidade. Os dados revelam fraturas profundas entre regiões, faixas etárias, níveis educacionais e grupos religiosos, além de reforçar a polarização herdada das eleições de 2022.
Queda histórica e tendência de deterioração
Gráficos comparativos mostram que a avaliação positiva do governo Lula encolheu consistentemente desde 2023:
- Aprovação: Caiu de 57% em março/2023 para 40% em março/2025 – menor patamar da série.
- Confiança: Recuou de 53% para 40% no mesmo período.
- Avaliação negativa (Ruim/Péssima): Saltou de 24% para 41%, com pico entre eleitores de Bolsonaro (96%) e moradores do Sudeste (35%).
Divisão geracional: jovens versus idosos
A idade é um fator crítico na percepção do governo:
- Jovens (25-34 anos): 63% desaprovam a gestão, e 33% consideram-na “Péssima”.
- Adolescentes (16-24 anos): 22% avaliam como “Péssima”, mas 39% classificam como “Regular” – indicativo de ambivalência.
- Idosos (60+): 49% aprovam o governo, o maior índice entre todas as faixas etárias.
Educação amplia fosso de percepção
Quanto maior a escolaridade, maior a rejeição:
- Ensino superior: 64% desaprovam o governo, e 36% consideram-no “Péssimo”.
- Ensino fundamental: 51% aprovam a gestão, com apenas 24% usando o termo “Péssimo”.
- Ensino médio: 60% rejeitam a administração federal.
Cidades grandes concentram insatisfação
O porte do município influencia a avaliação:
- Cidades com mais de 500 mil habitantes: 32% consideram o governo “Péssimo”, contra 27% em municípios de até 50 mil.
- Interior versus capitais: Enquanto 42% do interior aprovam o governo, nas capitais o índice é de 39%.
Religião e renda: Evangelicos e ricos lideram rejeição
- Evangélicos: 66% desaprovam o governo, e 39% usam o termo “Péssimo” – o dobro dos católicos (23%).
- Renda alta (mais de 5 salários mínimos): 72% rejeitam a gestão, com 44% classificando-a como “Péssima”.
- Renda baixa (até 1 salário): 50% aprovam, mas 22% ainda veem o governo como “Péssimo”.
Raça/Cor e região: Nordeste mantém base leal
- Nordeste: 53% aprovam o governo, com apenas 21% usando “Péssimo”.
- Sul: 60% desaprovam, e 32% consideram a gestão “Péssima”.
- Brancos versus pretos/pardos: A desaprovação é similar (56% vs. 55%), mas brancos são mais críticos ao usar “Péssimo” (31% vs. 29%).
Eleitores de 2022: um país dividido
A polarização do segundo turno reflete-se na avaliação atual:
- Eleitores de Lula: 74% aprovam o governo, e 75% confiam no presidente.
- Eleitores de Bolsonaro: 88% desaprovam, e 91% não confiam em Lula.
- Abstenções e votos nulos: 37% avaliam o governo como “Ruim/Péssimo”, e apenas 14% aprovam.
Metodologia e margens de erro
A pesquisa, com margem de erro de 2 pontos percentuais para o total da amostra (95% de confiança), utilizou amostragem estratificada em três estágios, controlando variáveis como sexo, idade e região. Subgrupos menores (ex.: Norte/Centro-Oeste, com 336 entrevistas) têm margens maiores, próximas a 5 pontos.
Conclusão: Desafios para reconquistar confiança
Os números revelam um Governo Lula que preserva bases tradicionais (Nordeste, idosos, baixa renda) mas enfrenta resistência crescente em regiões economicamente dinâmicas (Sul, Sudeste) e entre grupos influentes (evangélicos, classe média alta). A ligação direta entre voto em 2022 e avaliação atual sugere que a polarização política continua a definir o cenário. Para reverter a tendência, Lula precisará endereçar demandas específicas de grupos-chave, como jovens urbanos e eleitores de renda média, além de mitigar crises que alimentam a narrativa de oposição.
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