O prolongamento do conflito entre Israel e o Hamas, especialmente após a renovação das operações militares em Gaza, tem exposto o desgaste das Forças de Defesa de Israel (FDI) e os limites de sua capacidade de sustentação, tanto em termos de pessoal quanto de recursos. Apesar da disparidade de forças entre as FDI e o Hamas, o conflito tem revelado a crescente pressão sobre os soldados e equipamentos israelenses.
De acordo com o Financial Times, a fundadora do Fórum de Esposas de Reservistas, Chen Arbel Marinberg, relatou que as famílias de reservistas estão se preparando para um longo período de combates intensos, estimados em pelo menos cinco anos, após a renovação da ofensiva israelense contra o Hamas. A medida resultou no retorno de milhares de reservistas, cuja presença é essencial para as operações militares em curso.
As declarações do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e do chefe das FDI, Eyal Zamir, indicam que Israel intensificará a campanha aérea em Gaza, podendo também iniciar uma nova ofensiva terrestre caso o Hamas não liberte mais reféns israelenses. No entanto, há crescentes dúvidas sobre a viabilidade dessa abordagem no longo prazo, já que, historicamente, Israel tem priorizado guerras curtas para evitar o esgotamento de suas forças de combate.
Especialistas militares e reservistas ouvidos pelo jornal destacam o crescente desgaste das forças de combate israelenses, com impacto direto na vida pessoal e profissional dos soldados, que estão com suas famílias e empregos em constante sobreaviso. Além disso, há desilusão crescente com os objetivos políticos do governo de Netanyahu, especialmente considerando a pressão pública para encontrar uma solução que permita a libertação dos reféns.
O analista de defesa Amos Harel alertou que alguns reservistas podem se recusar a se apresentar para o serviço, citando a falta de consenso sobre os objetivos da guerra. Por outro lado, o novo chefe das FDI argumenta que Israel precisará de “massa crítica” de forças para continuar suas campanhas militares de longo prazo, prevendo que 2025 será um ano de guerra prolongada.
Em Israel, homens e mulheres são obrigados a se alistar nas Forças Armadas aos 18 anos. No entanto, muitos reservistas continuam com compromissos anuais, servindo 30 dias por ano em média. Desde o início do atual conflito, mais de 800 soldados israelenses morreram, com cerca de 6.000 feridos, enquanto o impacto do confronto se estende também aos países vizinhos.
Autoridades militares afirmam que 10.000 soldados adicionais seriam necessários para fortalecer a defesa das fronteiras de Israel. Contudo, a expansão do Exército encontra resistência no recrutamento de jovens judeus ultraortodoxos (haredi), que tradicionalmente são isentos do serviço militar, um tema que tem gerado resistência crescente no contexto da guerra.
A situação é ainda mais complexa para Netanyahu, cuja coalizão política depende de aliados haredi, e não tem planos de obrigar o recrutamento dessa comunidade. A ausência desse grupo no serviço militar e as dificuldades pessoais enfrentadas pelos reservistas têm diminuído a motivação para combater em nome do governo israelense.
Houthis realizam ataque bem-sucedido ao sul de Tel Aviv com míssil hipersônico
O movimento Ansar Allah, também conhecido como houthis, anunciou que suas forças de mísseis atingiram com sucesso um alvo militar no sul de Tel Aviv, Israel, utilizando o míssil hipersônico Palestine 2. O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, confirmou o ataque, informando que a operação foi realizada com êxito contra um alvo militar israelense localizado na região ocupada de Jaffa, ao sul de Tel Aviv.
Saree destacou que esse ataque foi o segundo em território israelense nas últimas 24 horas, evidenciando a continuidade das ações militares do grupo contra Israel. O porta-voz reafirmou que o objetivo da operação foi alcançado e que as forças de mísseis iemenitas têm demonstrado capacidade de realizar ataques de longo alcance.
Este ataque ocorre em um contexto de intensificação das tensões, com o movimento houthi mantendo sua postura militar contra Israel, além de recentes confrontos com os Estados Unidos. Na véspera do ataque em Tel Aviv, caças dos EUA realizaram quatro ataques aéreos contra posições do movimento em Al Hudaydah, no oeste do Iémen, em resposta às operações militares dos houthis. A fonte iemenita que forneceu essa informação à Sputnik não detalhou os danos causados pelos bombardeios.
O ataque também está inserido em um contexto maior de protestos no Iémen. Partidários dos houthis se reuniram para manifestar oposição aos ataques dos EUA e demonstrar apoio à causa palestina na Faixa de Gaza, refletindo a vinculação do movimento com os conflitos regionais e a crescente mobilização contra Israel e seus aliados.
Além deste incidente, o movimento houthi tem intensificado suas ações militares no Mar Vermelho e no Golfo de Aden, incluindo uma campanha de ataques a navios mercantes com o objetivo de bloquear o trânsito de embarcações israelenses e de países aliados. Desde novembro de 2023, o grupo tem realizado ataques para pressionar a situação política em Gaza e reivindicar o envio de alimentos e medicamentos à população palestina.
A escalada de hostilidades gerou um impacto significativo no comércio global, especialmente no transporte marítimo de petróleo. Diversas companhias de navegação optaram por desviar suas rotas para evitar a região, resultando em custos mais altos e tempo de viagem prolongado. Este cenário provocou uma resposta de Washington, com os EUA retaliando os ataques e reforçando sua presença militar na região.
Em termos diplomáticos, o movimento houthi esteve no centro de discussões políticas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o grupo como uma organização terrorista durante seu mandato, medida que foi mantida até o final de 2020. Contudo, o sucessor de Trump, Joe Biden, retirou os houthis dessa lista ainda em 2021. Em março de 2025, os EUA voltaram a designar o grupo como terrorista, em um contexto de crescente confronto com o movimento.
*Com informações da Sputnik News.
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