O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou nesta sexta-feira (28/02/2025) o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de estar “jogando com a Terceira Guerra Mundial” durante um encontro tenso no Salão Oval da Casa Branca. O encontro, que contou com a presença do vice-presidente JD Vance, resultou em confrontos verbais e no cancelamento de uma coletiva de imprensa previamente agendada.
O objetivo da visita de Zelensky aos Estados Unidos era assinar um acordo sobre a exploração de recursos minerais da Ucrânia em troca de apoio ou garantias de segurança dos EUA. No entanto, após a discussão, a assinatura do documento não ocorreu.
Tensão diplomática
Durante a conversa, Trump criticou Zelensky, alegando falta de gratidão pelo apoio financeiro e militar dos Estados Unidos na guerra contra a Rússia. “Seu país enfrenta grandes problemas”, afirmou Trump. O mandatário ucraniano tentou responder, mas foi interrompido por Trump: “Não, não, você já falou muito. Seu país está em apuros”.
O vice-presidente JD Vance também se pronunciou, chamando Zelensky de “desrespeitoso” em relação ao apoio americano. Diante do impasse, a delegação ucraniana deixou o Salão Oval e foi levada a uma sala separada, onde o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Mike Waltz, e o secretário de Estado, Marco Rubio, pediram que os ucranianos deixassem a Casa Branca.
Discussão sobre cessar-fogo e apoio militar
Trump afirmou que os EUA já enviaram “US$ 350 bilhões em ajuda militar” e questionou a continuidade desse apoio. “Se vocês não tivessem nosso equipamento militar, essa guerra teria acabado em duas semanas”, disse Trump. Zelensky rebateu: “Ou em três dias… ouvi isso de Putin”.
O presidente americano reforçou que deseja um cessar-fogo imediato e pediu para que Zelensky aceitasse um acordo para interromper os combates. O líder ucraniano respondeu que não poderia aceitar um cessar-fogo sem garantias de segurança.
“Você diz que quer um cessar-fogo, mas eu não vejo você agindo para isso”, afirmou Trump. “Se você estivesse pronto para a paz, eu o apoiaria.”
Reação de Zelensky e impacto diplomático
Em entrevista à Fox News após o encontro, Zelensky afirmou “respeitar” Trump e a relação entre os dois países. “Essas são relações históricas e fortes”, disse ele.
Trump, por sua vez, falou com jornalistas na Casa Branca e criticou a postura do presidente ucraniano. “Ele exagerou. Ele quer lutar, lutar, lutar”, afirmou. “Se ele quiser retomar as negociações, precisa demonstrar que deseja a paz.” O presidente americano ainda reforçou que os EUA não pretendem continuar enviando armas indefinidamente.
Impacto para a Ucrânia e relação com a OTAN
Especialistas apontam que a reunião marcou um pior cenário para a Ucrânia, com um visível distanciamento entre os dois líderes. Segundo o jornalista Bernd Debusmann Jr., raramente um embate diplomático é tão exposto publicamente.
A crise também levanta dúvidas sobre o futuro da relação dos EUA com a OTAN, uma vez que Trump já indicou que prefere priorizar o diálogo com a Rússia em detrimento do apoio irrestrito à Ucrânia. Para o analista Jeremy Bowen, o encontro reforça a percepção de que Trump pode estar disposto a fazer concessões para melhorar a relação com Moscou.
Acordo Sobre Minerais Raros
Os Estados Unidos e a Ucrânia não assinaram um acordo sobre minerais raros após um encontro tenso entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky na Casa Branca.
O acordo previa o acesso dos EUA aos minerais estratégicos da Ucrânia em troca de apoio militar. Inicialmente, Washington havia exigido US$ 500 bilhões em receita potencial, mas não ofereceu garantias de segurança à Ucrânia, um ponto essencial para Kiev. Apesar de um aparente consenso sobre a criação de um fundo de investimentos para a reconstrução do país, as negociações desmoronaram.
A Ucrânia possui vastas reservas de terras raras e minerais estratégicos, essenciais para tecnologia e indústria, incluindo lítio. Contudo, muitas dessas reservas estão em territórios ocupados pela Rússia. O interesse dos EUA nesses minerais se deve à competição com a China, que domina o mercado global. Sem o acordo, a incerteza sobre o acesso a esses recursos persiste.
Revista aponta posição desastrosa de Zelensky
A revista alemã Focus destacou que o embate verbal entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, pode forçar uma revisão da postura ucraniana no conflito com a Rússia. Segundo a publicação, Trump impôs um ultimato: Zelensky só poderá retornar às negociações quando estiver disposto a aceitar todas as exigências americanas.
Com o fracasso do encontro, Zelensky se vê sem alternativas, dependendo unicamente da capacidade da Europa de influenciar a Casa Branca. Fontes da Fox News indicam que Trump praticamente expulsou Zelensky após o bate-boca, além de o esperado acordo sobre metais de terras raras não ter sido assinado.
De acordo com a CBS News, o episódio gerou questionamentos sobre a continuidade da ajuda dos EUA à Ucrânia, o que poderia enfraquecer ainda mais a posição de Kiev no conflito.
Fracasso Diplomático: Zelensky
O encontro entre o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, e o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, terminou em um fracasso diplomático histórico, marcado por acusações e uma interrupção abrupta. Segundo o historiador Ricardo Cabral, ouvido pela Sputnik Brasil, qualquer cenário resultante do episódio é prejudicial para a Ucrânia e benéfico para a Rússia.
Cabral delineou três cenários possíveis:
- Rompimento total das relações EUA-Ucrânia, deixando Kiev sem apoio militar e financeiro americano, o que fortaleceria a posição da Rússia no conflito.
- Reaproximação futura baseada em interesses comerciais dos EUA, caso Zelensky ceda nas negociações sobre a exploração de terras raras, mas com sua posição política já enfraquecida.
- Mudança inesperada na postura dos EUA, hipótese improvável, na qual Washington faria concessões a Zelensky.
Independentemente do desfecho, a Rússia tende a sair fortalecida, pois a Ucrânia enfrenta crescente desgaste no campo de batalha e internamente, com Zelensky perdendo apoio e enfrentando uma possível substituição por parte das elites ucranianas.
Além disso, o cancelamento do acordo de terras raras entre EUA e Ucrânia pode abrir espaço para parcerias comerciais entre os EUA, Rússia e países como Brasil, Bolívia e Argentina. Trump, ao pressionar por um cessar-fogo, busca encerrar um conflito que poderia escalar globalmente, ao mesmo tempo em que preserva os interesses econômicos americanos.











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