O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste sábado (29/03/2025), que o Brasil deve intensificar sua presença no cenário internacional por meio de parcerias estratégicas, defesa do livre-comércio e fortalecimento do multilateralismo. A declaração foi feita durante entrevista coletiva em Hanói, encerrando sua visita oficial ao Vietnã, após passagem pelo Japão. O chefe do Executivo destacou os resultados obtidos na Ásia e defendeu o papel ativo do país na promoção de seus próprios interesses econômicos e diplomáticos.
“Quem tem que vender as coisas do Brasil é o Brasil”, declarou o presidente, ao ressaltar que cabe ao país mostrar suas qualidades ao mundo e buscar acordos bilaterais e multilaterais que ampliem sua inserção econômica.
Resultados concretos: exportações, aviação e transição energética
Entre os principais anúncios da viagem, destacam-se:
-
Venda de 15 jatos da Embraer para a All Nippon Airways (ANA), do Japão;
-
Abertura do mercado vietnamita à carne bovina brasileira;
-
Negociações para ampliar a presença da Embraer na região da ASEAN, com possível fornecimento de até 50 aeronaves;
-
Promoção da COP30 e da Cúpula do BRICS, que serão realizadas no Brasil em 2025.
O presidente também destacou a importância de impulsionar a indústria nacional e ampliar a presença de empresas brasileiras em obras de infraestrutura ao redor do mundo, como pontes, estradas, hidrelétricas e ferrovias.
Multilateralismo e cooperação internacional como diretrizes estratégicas
Lula reforçou que o Brasil continuará defendendo o multilateralismo como eixo das relações internacionais. Ressaltou ainda que o país não adota políticas protecionistas e que seu interesse está na ampliação do comércio justo e sustentável.
“Somos favoráveis ao livre-comércio, não queremos protecionismo. A gente quer vender as coisas boas que o país produz em qualquer lugar do mundo”, afirmou.
Nesse contexto, o presidente defendeu a renovação da governança internacional, com ênfase na reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), destacando que a estrutura atual não reflete mais os interesses geopolíticos contemporâneos.
COP30 na Amazônia e compromisso com o desmatamento zero até 2030
A realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) em Belém do Pará foi apontada por Lula como uma oportunidade para mostrar ao mundo o verdadeiro papel da Amazônia.
“Fazer uma COP no coração da Amazônia é chamar o mundo à razão sobre o seu significado”, declarou. Segundo o presidente, a realização do evento na região amazônica reforça a necessidade de financiamento internacional para a preservação ambiental, sobretudo pelos países historicamente responsáveis pela degradação ambiental.
Lula reafirmou ainda o compromisso brasileiro de atingir o desmatamento zero até 2030 e de investir na transição energética, mesmo com a atuação da Petrobras no setor de petróleo e gás.
Parcerias com o Vietnã e ampliação do diálogo com a ASEAN
Durante a visita ao Vietnã, Lula propôs a ampliação das relações comerciais entre o país asiático e o Mercosul, além de discutir o papel do Vietnã como porta de entrada para o Brasil na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). A aproximação foi considerada estratégica, tanto do ponto de vista político quanto comercial.
Relações com o Japão e crítica às tarifas norte-americanas
O presidente destacou a longa relação bilateral com o Japão, iniciada em 1908, e questionou a redução no fluxo comercial entre os dois países, que caiu de US$ 17 bilhões para US$ 11 bilhões. A retomada dos investimentos japoneses no Brasil foi apresentada como uma das prioridades da política externa brasileira.
Em relação aos Estados Unidos, Lula criticou as tarifas impostas ao aço brasileiro e afirmou que o Brasil buscará a via diplomática e institucional, recorrendo à Organização Mundial do Comércio (OMC), se necessário, para garantir tratamento justo.
“Se não for resolvido, temos o direito de impor reciprocidade aos Estados Unidos. É simples assim”, concluiu o presidente.










Deixe um comentário