O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (26/03/2025), em entrevista à imprensa em Brasília, que não vê outra alternativa viável para disputar a Presidência da República em 2026 além de si mesmo. Mesmo inelegível até 2030, Bolsonaro declarou:
“Se não for o Jair, vai ser o Messias. Quer um terceiro nome? Bolsonaro.”
A declaração foi dada horas após a sessão de julgamento que manteve sua condição de réu por tentativa de golpe de Estado, em um processo que corre no Supremo Tribunal Federal (STF).
Bolsonaro contesta inelegibilidade e reafirma liderança no campo da direita
O ex-presidente está inelegível até 2030, conforme decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por ter sido condenado em duas ações que apontaram abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante o processo eleitoral de 2022, quando concorreu à reeleição.
Apesar da decisão judicial, Bolsonaro continua se apresentando como principal liderança da oposição ao atual governo federal. Em aparições públicas e entrevistas, insiste em sinalizar que será candidato em 2026, desconsiderando os efeitos jurídicos da inelegibilidade vigente.
Declarações mantêm narrativa de protagonismo absoluto
A fala dada na quarta-feira repete posicionamentos anteriores do ex-presidente, que já havia mencionado, em entrevista a um podcast gravado na segunda-feira (24/03/2025), que só deixaria a política “após a morte”. O episódio contou com a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), frequentemente citado como possível sucessor político de Bolsonaro, embora o ex-presidente ainda não tenha indicado abertamente um nome alternativo para disputar a Presidência.
A insistência em manter seu nome em evidência tem sido uma estratégia recorrente, com o objetivo de preservar sua influência sobre a base eleitoral conservadora e dificultar a ascensão de novas lideranças dentro do seu espectro político.
Análise crítica: discurso político ignora entraves legais e gera instabilidade institucional
A postura de Bolsonaro ao declarar publicamente que concorrerá à Presidência, mesmo diante de uma inelegibilidade formalizada, reforça tensões institucionais e desafia o sistema jurídico-eleitoral brasileiro. Ao insistir em sua candidatura, o ex-presidente lança dúvidas sobre o cumprimento das decisões da Justiça Eleitoral e alimenta incertezas no cenário político de médio prazo.
Além disso, a ausência de apoio a outros nomes da direita indica uma estratégia personalista, que pode dificultar a construção de alianças sólidas dentro do campo conservador.
Presidente Lula critica Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quarta-feira (26/03/2025) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deveria “cair na realidade” após ter se tornado réu no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de envolvimento em uma suposta tentativa de golpe de Estado. A declaração foi feita durante entrevista coletiva em Tóquio, no encerramento da visita de Estado ao Japão.
Lula evita comentar julgamento, mas aponta gravidade dos fatos
Lula afirmou que não comentaria o julgamento em curso no STF por não conhecer os autos do processo, ressaltando que seria “presunção” emitir qualquer juízo de valor sem analisar as provas.
“Não vou dar palpite sobre o julgamento porque não conheço os autos. Seria presunção minha fazer qualquer prognóstico”, disse o presidente.
Apesar da ressalva, Lula criticou duramente a conduta de Bolsonaro e reafirmou a gravidade dos atos que levaram à denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Presidente reforça acusações e nega perseguição
Durante a coletiva, Lula voltou a afirmar que Bolsonaro teve papel ativo nos eventos que antecederam os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas por manifestantes inconformados com o resultado das eleições.
“É visível por todas as provas que ele tentou contribuir para o meu assassinato, para o assassinato do vice-presidente, para o assassinato do ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Todo mundo sabe o que aconteceu nesse país.”
Segundo Lula, Bolsonaro tenta agora construir uma narrativa de perseguição política, o que o presidente classificou como uma tentativa de desviar o foco das acusações formais que pesam contra ele.
Críticas à proposta de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro
Lula também se posicionou contra a proposta de anistia a manifestantes e apoiadores de Bolsonaro envolvidos nos atos golpistas. O presidente argumentou que o pedido de anistia, feito antes do fim do processo judicial, seria um reconhecimento implícito de culpa.
“Quando ele pede anistia antes do julgamento, significa que está dizendo que foi culpado. Prova que é inocente e vai ficar livre. Acabou”, declarou Lula.
A declaração ocorre em meio a movimentos de parlamentares da oposição que pressionam o Congresso a aprovar medidas de perdão a condenados pelos atos antidemocráticos, argumento rechaçado pelo governo.
Repercussão internacional e desdobramentos jurídicos
A decisão do STF de tornar Bolsonaro réu teve ampla repercussão na imprensa internacional, sendo interpretada como um marco na responsabilização de líderes políticos por atos antidemocráticos. O julgamento prossegue com base em provas documentais, testemunhais e depoimentos de militares e ex-ministros, reunidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.
A acusação central é de que o ex-presidente teria articulado com aliados civis e militares a elaboração de uma minuta de decreto de Estado de Defesa, com o objetivo de invalidar o resultado das eleições de 2022, nas quais foi derrotado por Lula.









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