O escritor Joaci Góes publicou na quinta-feira (03/04/2025), na Tribuna da Bahia, o artigo intitulado “Contagem regressiva”, em que realiza uma análise crítica da conjuntura política nacional e da atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cenário interno e externo. Segundo o autor, o atual governo vive um processo de desgaste precoce e enfrenta crescente isolamento diplomático, além de sinais de erosão de sua base de apoio popular e institucional.
Perda de capital político e rejeição popular
Logo no início do texto, Góes sustenta que “não há memória, na vida política brasileira, de um governo que tenha chegado tão cedo ao fim de suas possibilidades de recuperar-se do desgaste”. A avaliação refere-se ao que o autor interpreta como queda acentuada da aprovação pública do governo federal, agravada pela recente viagem do presidente a países asiáticos, a qual, segundo ele, “não foi capaz de reduzir a tendência de queda da aprovação e de aumento da reprovação”.
O autor recorre a uma analogia literária ao mencionar que Lula estaria vivendo um “Suplício de Tântalo”, ao frustrar as expectativas populares com promessas não cumpridas. Para Góes, o presidente “roubou a esperança do povo” ao oferecer compensações simbólicas em vez de soluções concretas. O texto sustenta que a rejeição ao governo atinge inclusive setores historicamente próximos, como as massas populares que o elegeram por três vezes.
Isolamento internacional e críticas à diplomacia presidencial
Joaci Góes também dedica parte considerável do artigo à crítica da política externa brasileira. Segundo ele, a condução das relações internacionais pelo governo atual tem causado isolamento diplomático inédito e comprometido os interesses comerciais do país. Ao comentar os discursos do casal presidencial, afirma que estes vêm sendo marcados por “dissonância ideológica” e ataques às lideranças dos Estados Unidos, o que representaria um obstáculo à diplomacia comercial.
O autor argumenta que a tentativa do Brasil de se posicionar como liderança nos BRICS, em oposição ao eixo Estados Unidos-Europa, foi “intempestiva e insensata”, agravando o isolamento diplomático até mesmo no contexto latino-americano.
Apoio institucional e trajetória eleitoral em risco
Outro ponto abordado no artigo é a relação do presidente com as instituições. Segundo Góes, Lula “finge não perceber seu crescente isolamento político”, mesmo diante de uma base cada vez mais frágil. Ele lembra que a eleição do presidente foi marcada por apoio ostensivo do Judiciário, algo que, conforme a análise, colide com princípios democráticos tradicionais.
A perspectiva do autor é que haverá uma ruptura gradual entre o governo e os partidos e lideranças que o apoiaram como alternativa ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, “vamos assistir ao desembarque dos que lhe deram envergonhada maioria”, sinalizando uma possível debandada de aliados até o pleito de 2026.
Segurança pública e eleitorado carcerário
A crítica também se estende à política de segurança pública. Góes menciona a tentativa recente do presidente de se reposicionar politicamente com o apoio ao endurecimento das leis contra roubo de celulares, o que considera uma tentativa de reverter os danos causados por declarações anteriores vistas como lenientes com a criminalidade.
Em um ponto polêmico, o autor afirma que parte expressiva do apoio eleitoral do presidente viria da população carcerária, ao citar supostas pesquisas de opinião que indicariam “80% de apoio” ao presidente nesse segmento, número que, ao ser multiplicado por familiares e simpatizantes, explicaria parte de sua base eleitoral.
Crítica à corrupção e pessimismo institucional
Ao final do texto, Góes retoma uma análise do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, segundo a qual o Brasil estaria a um passo de “passar de um povo tolerante com a corrupção para um povo, em si mesmo, corrupto”. Ele conclui com um tom de advertência, chamando atenção para os riscos da atual conjuntura institucional e política do país.









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