Comissão de Agricultura da ALBA participa de audiência pública para debater seca na região de Irecê

Nesta sexta-feira (25/04/2025), a Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) participou de uma audiência pública realizada em Irecê, durante a 24ª edição da Expoagri, com o objetivo de debater ações para mitigar os graves efeitos da seca na região. A audiência foi promovida em parceria com a Comissão Especial sobre Prevenção e Auxílio a Desastres e Calamidades Naturais da Câmara dos Deputados.

O encontro contou com a presença de deputados federais e estaduais, representantes do governo estadual, prefeitos, vereadores, produtores rurais e integrantes da sociedade civil. Os participantes discutiram a ampliação de cisternas e adutoras, a adoção de novas técnicas de irrigação e a implementação de políticas públicas voltadas para a convivência sustentável com o semiárido.

Principais reivindicações

  • Agilidade e efetividade nas ações para garantir o acesso à água.

  • Subsídio para a compra de milho, destinado à alimentação animal.

  • Investimentos em infraestrutura hídrica para mitigar os impactos futuros.

O evento destacou a gravidade da atual estiagem, considerada a pior dos últimos anos, com impactos diretos sobre a safra agrícola e a pecuária local.

Declarações dos parlamentares

Manuel Rocha enfatiza a necessidade de ações concretas

O deputado estadual Manuel Rocha (União Brasil), presidente da Comissão de Agricultura da ALBA, frisou que o debate precisa resultar em soluções práticas.

“Debater é fundamental, e essa audiência pública é muito importante para que possamos buscar soluções. Contudo, precisamos de resolutividade, precisamos que as ações cheguem na ponta, na população, nos produtores, que são quem mais sofrem com a seca”, afirmou Manuel Rocha.

Ricardo Rodrigues defende subsídio para ração animal

O deputado estadual Ricardo Rodrigues (PSD), vice-presidente da comissão, reforçou a necessidade de intervenção do governo federal para subsidiar a saca de milho, que atualmente custa cerca de R$ 90.

“O produtor não pode pagar 90 reais por uma saca de milho. Isso tem que ser subsidiado”, declarou Ricardo Rodrigues.

Rodrigues também relatou o impacto da estiagem:

“Perdemos mais de 200 mil hectares de milho. Plantamos em novembro, perdemos. Plantamos em janeiro, perdemos. A irrigação da região vai reduzir mais de 70% por causa da água. O desemprego está chegando, é um momento em que estamos pedindo socorro do governo federal e do governo do estado.”

Leo Prates propõe novas fontes de financiamento

O deputado federal Leo Prates (PDT), presidente da Comissão Especial da Câmara, salientou que o Congresso Nacional está debatendo formas de financiar ações de mitigação a desastres climáticos.

“Uma das propostas é utilizar parte da arrecadação das apostas esportivas para destinar recursos ao apoio e prevenção a calamidades”, informou Leo Prates.

O parlamentar reforçou o compromisso com o setor agropecuário:

“Quero tranquilizar o produtor rural que nós estamos unidos para ajudar na mitigação da seca na região de Irecê. Aqui, o nosso partido será o produtor rural.”

Necessidade de transição

A audiência pública evidencia a urgente necessidade de transição de políticas paliativas para ações estruturantes na região semiárida. A insistência em soluções históricas, como a construção de cisternas e a implementação de adutoras, embora necessárias, revela a limitação das estratégias atuais diante das mudanças climáticas mais severas. Ademais, a dependência de subsídios, como no caso da alimentação animal, expõe a vulnerabilidade estrutural da produção agrícola local frente a intempéries. A adoção de um plano integrado de gestão hídrica, aliado à inovação tecnológica na agricultura e ao fortalecimento da governança local, torna-se imperativo para romper o ciclo recorrente de secas e perdas.


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