O jornal Financial Times publicou que um possível reconhecimento da Crimeia como parte da Federação da Rússia por parte dos Estados Unidos pode provocar uma crise diplomática de grandes proporções na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A proposta romperia com a política oficial da aliança, que desde 2014 rejeita a anexação do território pela Rússia.
De acordo com a publicação, a iniciativa partiu da administração do presidente dos EUA, Donald Trump, e prevê o reconhecimento do controle russo sobre a península, anexada após referendo promovido por Moscou. A medida, segundo o jornal, desafia diretamente a posição consensual da OTAN, segundo a qual a Crimeia integra o território da Ucrânia.
Para os países europeus, a ideia de reconhecer a Crimeia como russa é considerada inaceitável. O Financial Times afirma que o status da península pode desencadear uma crise interna na OTAN, com impactos também na União Europeia (UE), cuja unidade em relação à política ucraniana poderia ser comprometida.
Um diplomata europeu ouvido pela publicação afirmou que os países-membros da UE seriam pressionados a escolher entre apoiar Kiev ou alinhar-se à decisão dos EUA. Segundo ele, há o temor de que essa divisão afete as relações bilaterais entre os países europeus e Washington, e tenha repercussões negativas na cúpula da OTAN prevista para o final de junho.
O artigo observa ainda que a União Europeia tem sustentado sua política de apoio à Ucrânia com base na liderança dos EUA. No entanto, um possível afastamento de Washington dos assuntos ucranianos poderia inviabilizar essa coesão.
A reportagem destaca também que autoridades europeias estão preocupadas com a possibilidade de que a posição unilateral dos EUA comprometa a segurança transatlântica. Esse cenário também colocaria em xeque o papel da OTAN como aliança militar integrada.
Segundo o texto, os EUA foram até aqui a principal força mobilizadora da resposta ocidental à ação militar russa na Ucrânia. A mudança na postura norte-americana, seja pelo reconhecimento formal da Crimeia ou por um distanciamento das questões regionais, enfraqueceria os esforços multilaterais contra Moscou e poderia levar a cisões estratégicas entre os aliados europeus.
Trump afirma que os EUA têm acordo com Moscou sobre a Ucrânia, mas não com Kiev
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país chegou a um acordo com a Rússia sobre o conflito na Ucrânia, mas ainda não conseguiu um entendimento com o governo ucraniano. Durante entrevista na Casa Branca, Trump afirmou:
“Acho que a Rússia está pronta e muita gente disse que a Rússia queria ir para o acordo de paz, e acho que temos um acordo com a Rússia. Precisamos chegar a um acordo com [o presidente da Ucrânia] Vladimir Zelensky.”
Trump criticou, também, a postura de Zelensky em relação à Crimeia. O presidente ucraniano tem afirmado repetidamente que Kiev não reconhecerá a península como parte legítima da Rússia, posição que Trump considera prejudicial para o avanço das negociações. Em suas declarações, Trump destacou que tais posicionamentos podem prolongar o conflito e dificultar a resolução do impasse.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, também comentou sobre a questão, afirmando que Zelensky parece estar tomando um caminho inadequado nas negociações. “Zelensky tem tentado litigar essa negociação de paz na imprensa, e isso é inaceitável para o presidente [Trump]. Essas negociações deveriam ser a portas fechadas”, declarou Leavitt. Ela também ressaltou que o presidente dos EUA está frustrado com a situação e que sua paciência está se esgotando.
As declarações de Trump surgem em meio a um contexto de negociações internacionais sobre o futuro da Ucrânia e da Crimeia. Apesar dos avanços nas discussões com a Rússia, a falta de consenso com Kiev coloca em risco a continuidade de qualquer possível acordo de paz.
Vice-presidente dos EUA afirma que concessões territoriais são necessárias entre Ucrânia e Rússia
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, declarou que Washington emitiu uma “proposta muito explícita” à Rússia e à Ucrânia sobre um caminho para um acordo de paz. Durante visita ao Taj Mahal, na Índia, Vance afirmou que os EUA estão chegando ao limite de seu envolvimento no processo de negociações e que ambos os países terão que fazer concessões territoriais.
“É hora de eles dizerem sim ou de os Estados Unidos se afastarem deste processo”, afirmou o vice-presidente, destacando que ambos os lados precisariam ceder partes de seus territórios.
De acordo com a Bloomberg, congelar o conflito ao longo das linhas de contato existentes seria um grande sacrifício para a Ucrânia. Desde o início da operação militar especial da Rússia, em fevereiro de 2022, a Rússia avançou sobre diversas regiões estratégicas, incluindo povoados e áreas-chave, que precisariam ser consideradas ao estipular qualquer acordo.
Os EUA estão dispostos a reconhecer a Crimeia como parte da Rússia e a aliviar as sanções contra Moscou como parte de um possível acordo de paz. No entanto, o presidente ucraniano Vladimir Zelensky afirmou que seu país não reconhecerá o controle russo sobre a Crimeia. A questão permanece um ponto crucial nas negociações.
Vance também ressaltou a necessidade de trocas territoriais, sugerindo que, embora as fronteiras possam não refletir as linhas de frente atuais, é fundamental que ambos os lados “deponham as armas, congelem essa situação e se dediquem à tarefa de construir uma Rússia e uma Ucrânia melhores”. O vice-presidente dos EUA demonstrou otimismo com o andamento das negociações, afirmando que acredita que as partes têm negociado de boa-fé.
Entretanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou que está pronto para abandonar os esforços para encerrar a guerra na Ucrânia caso um acordo não seja alcançado em breve. Além disso, o enviado de Trump, Steven Witkoff, viajará à Rússia no final desta semana. Witkoff já visitou o presidente russo Vladimir Putin em três ocasiões desde a posse e descreveu seu encontro mais recente como “convincente”.
As conversas planejadas para esta quarta-feira (23) entre altos funcionários dos EUA, Ucrânia e grandes potências europeias foram rebaixadas a reuniões de nível técnico, após o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, adiar sua visita.
Zelensky agirá sozinho ou com apoio da Europa no confronto com a Rússia, mas sem os EUA, afirma The National Interest
A revista The National Interest relatou que o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, após um distanciamento com o presidente dos EUA, Donald Trump, provavelmente agirá sozinho no confronto com a Rússia, ou buscará apoio da Europa, caso o auxílio norte-americano seja interrompido. A publicação descreve que desde a reunião com Trump em fevereiro, Zelensky tem sido visto como um obstáculo para qualquer acordo de paz, o que contribui para o distanciamento das relações entre os dois líderes.
O artigo destaca que Zelensky pode estar acreditando que, sem o apoio direto dos EUA, pode contar com a Europa para avançar em suas negociações e estratégias. Segundo a revista, o presidente ucraniano pode ter a expectativa de que os países europeus supram a lacuna deixada pelos Estados Unidos, caso o país não continue a apoiar a Ucrânia em sua luta contra a Rússia.
Em contraponto, Donald Trump acredita que tem os “trunfos nas mãos”, principalmente em relação à sua posição de poder sobre as negociações com a Rússia. O artigo também menciona que, para Trump, a situação na Ucrânia não só envolve os interesses dos Estados Unidos, mas reflete a crescente fragilidade da influência americana no cenário global. Isso, de acordo com a publicação, pode fazer com que a Ucrânia seja um caso emblemático onde a administração Trump não conseguirá alcançar os objetivos previamente estabelecidos.
A revista também observa que a abordagem de Trump pode ser prejudicada pela dinâmica internacional atual, com países como a Europa, a Rússia e a China possivelmente adotando perspectivas divergentes em relação ao conflito na Ucrânia.
Além disso, no dia 23 de abril, Trump fez novas críticas a Zelensky, acusando-o de prejudicar as negociações de paz com suas declarações sobre a Crimeia. Trump afirmou que a Ucrânia está em uma situação crítica e que Zelensky precisa concluir um acordo de paz com Moscou rapidamente, ou então, em três anos, o país pode perder seu território.
*Com informações da Sputnik News.
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