Entradas irregulares nas fronteiras da União Europeia caem 26% em 2025, aponta relatório da Frontex

As entradas irregulares de migrantes nas fronteiras externas da União Europeia recuaram 26% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (15/01/2026) pela Frontex, agência europeia de controle de fronteiras. Ao todo, foram registradas cerca de 178 mil detecções de cruzamentos irregulares, volume mais de 50% inferior ao de 2023 e o menor patamar desde 2021. A agência atribui a queda ao reforço da vigilância e à ampliação de parcerias com países de trânsito, enquanto organizações da sociedade civil alertam que as causas estruturais da migração — guerras, conflitos armados e regimes autoritários — permanecem inalteradas.

Recuo histórico e fatores apontados pela Frontex

Em comunicado oficial, a Frontex afirma que a redução reflete a cooperação entre Estados-membros, a atuação conjunta com países da própria União Europeia e acordos com nações fora do bloco, como as dos Bálcãs Ocidentais. Segundo o porta-voz da agência, Krzysztof Borowski, o desempenho indica eficácia no combate às redes de tráfico de pessoas, responsáveis por organizar travessias em embarcações precárias.

A avaliação é compartilhada pelo comissário europeu de Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, para quem os dados refletem o fortalecimento das fronteiras externas e parcerias internacionais consideradas eficazes. Na leitura do Executivo europeu, a queda também significaria menos vítimas de redes criminosas e redução de riscos à vida nas rotas migratórias.

Quedas acentuadas por rota e exceções no Mediterrâneo

O relatório detalha reduções expressivas em rotas específicas. A África Ocidental registrou queda de 63%, seguida pelos Bálcãs Ocidentais (-42%) e pelas fronteiras terrestres orientais — sobretudo entre Belarus e Polônia e nos países bálticos — com -37%. Esses números sustentam a narrativa de que o endurecimento do controle e a coordenação operacional têm impacto direto nas detecções.

Na contramão da tendência geral, o oeste do Mediterrâneo apresentou aumento de 14%, totalizando 19.403 pessoas. Já o Mediterrâneo Central teve leve recuo (-1%), enquanto o Mediterrâneo Oriental registrou queda mais acentuada, de 27%. As tentativas de travessia do Canal da Mancha rumo ao Reino Unido diminuíram 3%, alcançando 65.861 pessoas em 2025.

Externalização do controle e críticas de organizações de direitos humanos

Apesar da comemoração institucional, organizações de apoio a migrantes criticam a externalização do controle migratório, prática pela qual a UE transfere parte da gestão a países de trânsito. Para a EuroMed Direitos, essa estratégia agrava riscos e violações, ao manter migrantes em condições precárias fora do território europeu.

Segundo representantes da entidade, há relatos recorrentes de detenções arbitrárias, tratamentos desumanos e devoluções forçadas em países como Líbia, Tunísia e Argélia. A crítica central é que a queda nas detecções não equivale à redução do sofrimento humano, mas à mudança de local onde ele ocorre, longe da visibilidade europeia.

Rotas dinâmicas e alertas para deslocamento dos fluxos

A Frontex reconhece que os fluxos migratórios são voláteis e podem mudar rapidamente de rota, influenciados por conflitos armados, instabilidade política e pela adaptação constante das redes de contrabandistas. Analistas e organismos internacionais, como a Organização Internacional para as Migrações, apontam que endurecimentos pontuais tendem a deslocar trajetos, elevando os riscos em caminhos alternativos, em vez de eliminá-los.

Endurecimento legislativo e o Pacto Europeu sobre Migração e Asilo

A migração irregular permanece no centro do debate político europeu. Em dezembro de 2025, os países da UE aprovaram um pacote de medidas mais rígidas, incluindo centros de retorno fora do bloco e mecanismos para enviar requerentes de asilo rejeitados a países considerados “seguros”. O Pacto Europeu sobre Migração e Asilo, com entrada em vigor prevista para junho, formaliza essa orientação e amplia a externalização, tema que divide governos e defensores de direitos humanos.

Mortes no Mediterrâneo seguem em patamar elevado

Mesmo com a queda global das entradas irregulares, as vítimas persistem. Em 2025, ao menos 1.878 pessoas morreram no Mediterrâneo. O número representa recuo em relação a anos anteriores, mas permanece elevado e reforça a avaliação de que a redução estatística não encerra a tragédia humanitária associada às rotas migratórias.

*Com informações da RFI.


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