FMI reduz projeções de crescimento global diante de tarifas comerciais do Governo Trump

Terça-feira, 22/04/2025 — O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo suas projeções de crescimento econômico global, apontando uma desaceleração significativa em 2025 e 2026, como reflexo direto da escalada nas tarifas comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos. Segundo o relatório atualizado das Perspectivas Econômicas Mundiais (WEO, na sigla em inglês), a previsão de crescimento global para 2025 caiu de 3,3% para 2,8%, com impactos negativos generalizados nas principais economias mundiais.

A atualização do documento ocorreu poucos dias após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar tarifas universais sobre quase todos os parceiros comerciais, com elevações adicionais sobre diversos países, atualmente suspensas.

Impacto das tarifas: cenário global mais restritivo

De acordo com o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, o mundo está entrando em “uma nova era do comércio internacional”, caracterizada por fragmentação, incerteza e custos operacionais mais elevados. Gourinchas afirmou que o modelo econômico vigente nas últimas oito décadas passa por uma redefinição estrutural.

Estamos vendo menor crescimento nos EUA, na China, na Europa e em outras regiões”, declarou o economista à Reuters.

As tensões comerciais e o ambiente político volátil foram classificados como fatores decisivos para a revisão das projeções. A inflação global, que deveria recuar mais rapidamente, também foi revista para cima, com estimativas de 4,3% em 2025 e 3,6% em 2026.

Projeções do FMI: principais ajustes econômicos

Estados Unidos

  • Crescimento de 1,8% em 2025 (queda de 0,9 p.p. em relação à previsão anterior)

  • Inflação projetada em 3% no ano, exigindo cautela por parte do Federal Reserve

  • Probabilidade de recessão aumentou para 37%, segundo o FMI

China

  • Previsão de crescimento reduzida para 4% em 2025 e 2026

  • Impacto das tarifas estimado em -1,3 p.p. no PIB, parcialmente compensado por estímulos fiscais

Zona do Euro

  • Crescimento de 0,8% em 2025 e 1,2% em 2026, com destaque negativo para a Alemanha

  • Espanha foi exceção, com revisão positiva para 2,5% em 2025

México e Canadá

  • México: crescimento negativo de -0,3% em 2025 (queda de 1,7 p.p.)

  • Canadá: crescimento de 1,4% em 2025, abaixo da previsão de 2% feita em janeiro

Japão e Reino Unido

  • Japão: previsão revisada para 0,6% em 2025, com retração de 0,5 p.p.

  • Reino Unido: crescimento de 1,1% em 2025, inferior à estimativa anterior

Comércio global em retração

O FMI reduziu também a previsão de crescimento do comércio internacional, de 3,2% para 1,7% em 2025, ou seja, metade do ritmo registrado em 2024. A instituição ressaltou que o comércio continuará existindo, porém com maior custo e menor eficiência, à medida que empresas enfrentam incertezas sobre investimentos, cadeias de suprimentos e localização produtiva.

“Restaurar previsibilidade ao sistema comercial é absolutamente crucial”, enfatizou Gourinchas.

Tabela: Principais projeções do FMI (abril de 2025)

Região / País Crescimento 2025 (%) Crescimento 2026 (%) Revisão em relação a jan/25
Mundo 2,8 3,0 -0,5 p.p. / -0,3 p.p.
EUA 1,8 1,7 -0,9 p.p. / -0,4 p.p.
China 4,0 4,0 -0,6 p.p. / -0,5 p.p.
Zona do Euro 0,8 1,2 -0,2 p.p. / -0,2 p.p.
Alemanha 0,0 0,9 -0,3 p.p. / -0,2 p.p.
Reino Unido 1,1 1,4 -0,5 p.p. / -0,1 p.p.
México -0,3 1,4 -1,7 p.p. / -0,5 p.p.
Canadá 1,4 1,6 -0,6 p.p. / -0,4 p.p.

Ordem econômica global.

O relatório do FMI revela não apenas uma revisão técnica de indicadores macroeconômicos, mas uma redefinição estratégica da ordem econômica global. A política tarifária adotada pelos Estados Unidos, sob pretexto de proteção industrial, compromete os pilares do multilateralismo e da previsibilidade comercial. O risco de fragmentação econômica, com regiões buscando autossuficiência em detrimento da interdependência, pode acarretar ineficiências sistêmicas e estagnação prolongada.

Além disso, o enfraquecimento da independência de bancos centrais, como sinalizado pelas tensões entre o presidente Trump e Jerome Powell, representa ameaça direta à credibilidade das políticas monetárias, num momento de alta inflação.

*Com informações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Agência Reuters.


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