Quarta-feira, 22/04/2025 — O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), consolidou sua posição no cenário eleitoral ao ser absolvido por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO). A corte reverteu a decisão que o tornava inelegível por oito anos, relacionada a acusações de abuso de poder político nas eleições municipais de 2024. Embora a multa aplicada tenha sido mantida, sua elegibilidade foi restabelecida, permitindo-lhe prosseguir com sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026.
Com a decisão, Caiado intensificou sua agenda política, promovendo encontros com lideranças regionais, nacionais e do setor religioso, além de ampliar o contato com setores estratégicos da sociedade civil.
No dia 04/04/2025, Caiado lançou sua pré-candidatura em Salvador, com o apoio de lideranças regionais como ACM Neto e Bruno Reis, e de nomes de expressão nacional como Sergio Moro e Luiz Henrique Mandetta. Entretanto, a ausência do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, e de ministros filiados ao partido, como Juscelino Filho (Comunicações) e Celso Sabino (Turismo), sinalizou uma posição de neutralidade ou resistência da direção nacional.
Fontes ligadas à legenda apontam que a cúpula partidária avalia como prematura a formalização de uma candidatura própria, diante das tratativas em curso para uma federação com o Progressistas (PP), presidido por Ciro Nogueira, aliado direto do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesse contexto, parte da direção do União Brasil prefere aguardar definições no campo da direita antes de se comprometer com um nome específico.
Conflito entre alas liberal e conservadora do partido
A movimentação de Caiado também acentuou a divisão entre dois grupos internos do União Brasil:
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Ala liberal, que busca maior aproximação com o centro político, aposta em manter canais abertos com o PSDB, o MDB e o PSD. Essa vertente considera que uma candidatura própria poderia isolar o partido em um ambiente eleitoral fragmentado.
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Ala conservadora, ligada a quadros do antigo DEM, apoia a candidatura de Caiado como forma de garantir protagonismo partidário e reorganizar a direita em torno de um nome alternativo ao bolsonarismo.
Essa disputa de estratégias compromete a unidade interna e gera incertezas sobre o grau de apoio que Caiado terá no momento decisivo das convenções partidárias em 2026.
Estratégia com lideranças evangélicas e agenda temática conservadora
Nos dias seguintes ao lançamento, Caiado se reuniu com lideranças evangélicas, incluindo representantes da Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério de Madureira e da Igreja Batista Lírio dos Vales, em Salvador. O movimento integra uma estratégia de aproximação com o eleitorado evangélico, segmento que pode representar até 35,8% do eleitorado brasileiro em 2026, segundo estimativas do Mar Asset Management.
Em seus discursos, Caiado tem reiterado compromissos com a segurança pública, defendendo políticas de tolerância zero à criminalidade, além de enfatizar valores tradicionais e a defesa da liberdade religiosa, buscando se consolidar como alternativa à liderança conservadora de Jair Bolsonaro.
Comparativo com agendas de outros pré-candidatos de direita
Enquanto Caiado amplia sua visibilidade, outros nomes da direita e do centro-direita também se movimentam no cenário pré-eleitoral:
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Tarcísio de Freitas (Republicanos): Foca sua atuação no estado de São Paulo, com entregas na área de infraestrutura e segurança pública, evitando articulações de caráter nacional.
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Romeu Zema (Novo): Adota postura discreta, com presença limitada em eventos nacionais, mantendo-se concentrado na gestão em Minas Gerais.
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Ratinho Júnior (PSD): Mantém articulações regionais no Sul e Centro-Oeste, mas ainda não se lançou nacionalmente.
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Eduardo Bolsonaro (PL) e Michelle Bolsonaro (PL): São mencionados como possíveis candidatos, mas nenhum anúncio oficial foi feito até o momento.
Neste contexto, Caiado diferencia-se pela proatividade, realizando atos públicos, encontros com lideranças e assumindo de forma explícita o projeto presidencial, o que reforça sua posição como principal nome da direita institucionalizada fora do bolsonarismo.
Desafios e perspectivas para 2026
Apesar do avanço nas articulações, Caiado ainda precisa superar a fragmentação da direita, que se mostra dispersa entre lideranças regionais e figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A falta de consenso dentro do União Brasil e a necessidade de construir alianças partidárias sólidas serão determinantes para viabilizar a candidatura em 2026.
Além disso, as pesquisas eleitorais indicam desvantagem frente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece à frente em simulações de segundo turno. Para reverter esse quadro, Caiado aposta na queda da popularidade de Lula entre o eleitorado evangélico e conservador, e na sua experiência como gestor estadual.
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