Governador Ronaldo Caiado lança pré-candidatura à Presidência de 2026 em meio a divisões no União Brasil e fragmentação da direita

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), formaliza nesta sexta-feira (04/04/2025) o lançamento de sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026, em ato político realizado no Centro de Convenções de Salvador, na Bahia. A movimentação ocorre em um contexto de divisão interna no União Brasil, fragilidade de lideranças da direita e ausência de consenso sobre um nome capaz de herdar o espólio eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), declarado inelegível pela Justiça Eleitoral.

Com 75 anos e em seu segundo mandato como governador, Caiado assume publicamente a pretensão de disputar o Planalto, posicionando-se como uma alternativa conservadora moderada, com discurso centrado na defesa do agronegócio, segurança pública e críticas ao governo Lula (PT). Ao mesmo tempo, busca distanciar-se do bolsonarismo mais radical e preencher o vácuo deixado pela impossibilidade jurídica de Bolsonaro disputar a eleição.

União Brasil dividido: apoios fragmentados entre Lula e Bolsonaro

Um dos principais entraves à candidatura de Caiado é a fragmentação interna do União Brasil, sigla que reúne figuras tanto da base do governo Lula quanto do bolsonarismo. Entre os aliados do presidente Lula no partido estão os ministros Celso Sabino (Turismo), Juscelino Filho (Comunicações) e o senador Davi Alcolumbre, padrinho político do ministro Waldez Góes (Integração Nacional). Já no campo bolsonarista figuram os governadores Mauro Mendes (MT), Wilson Lima (AM) e Marcos Rocha (RO).

A ausência dos principais líderes dessas alas no evento de Salvador é interpretada como reflexo direto da resistência interna ao projeto presidencial de Caiado. A escolha da capital baiana para o lançamento da pré-candidatura gerou atritos: houve tentativa de transferir o ato para a Assembleia Legislativa da Bahia, com tom institucional, mas prevaleceu o formato popular no Centro de Convenções. No evento, Caiado será homenageado com o título de Cidadão Baiano e a Comenda 2 de Julho.

Alianças em disputa e desafios na construção de uma candidatura viável

A pré-campanha de Caiado também colide com as negociações para uma federação entre o União Brasil e o Progressistas (PP). Caso concretizada, a federação resultaria na maior bancada da Câmara dos Deputados. Apesar das críticas públicas de Caiado à ideia — ele a classificou como “tiro no pé” — o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, declarou apoio institucional ao governador, embora tenha sinalizado que o nome do ex-presidente Bolsonaro ainda é central nas articulações do partido.

Outro obstáculo para Caiado é uma condenação do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás por abuso de poder nas eleições de 2024. A sentença o tornou inelegível por oito anos, mas o efeito está suspenso até o julgamento dos recursos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Caminho eleitoral: distanciamento estratégico do bolsonarismo e busca por identidade própria

Caiado adota um discurso de “direita raiz” com moderação, tentando escapar da sombra do bolsonarismo. Após romper com Bolsonaro em 2020, durante a pandemia, por divergências quanto à condução da crise sanitária, o governador goiano voltou a se aproximar do ex-presidente em 2022, mas voltou a se afastar em 2024, após atritos nas disputas municipais em Goiás.

A estratégia de Caiado visa consolidar-se como um nome viável fora da polarização Lula versus Bolsonaro, ainda que reconheça a força do ex-presidente. Em entrevistas recentes, o governador afirmou que Bolsonaro “tem o direito de ser candidato”, mas evitou alinhar-se às teses mais radicais como a de “ditadura do STF” ou o pedido de anistia ampla aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Candidatura do agro e tentativa de nacionalizar a imagem

Desde sua primeira disputa presidencial, em 1989, quando obteve 0,72% dos votos, Caiado tenta ampliar sua notoriedade nacional. Médico por formação e pecuarista, o governador é considerado representante da ala moderada do agronegócio, setor que ganhou força como ator político relevante nos últimos ciclos eleitorais. Com patrimônio declarado de R$ 25 milhões — composto por rebanhos, fazendas e ativos imobiliários —, ele busca ser o primeiro nome do “agro” a alcançar protagonismo na corrida ao Planalto desde sua própria candidatura original.

Recentemente, Caiado chegou a anunciar o cantor sertanejo Gusttavo Lima como possível vice na chapa, numa tentativa de alcançar visibilidade popular. No entanto, o artista desistiu do projeto, alegando questões pessoais.

Concorrência à direita e o risco da pulverização

A ausência de uma liderança consolidada no campo da direita para 2026 alimenta diversas pré-candidaturas. Além de Caiado, nomes como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS) movimentam-se para ocupar o espaço do bolsonarismo, hoje enfraquecido pela inelegibilidade de Bolsonaro e pelo afastamento do deputado Eduardo Bolsonaro, atualmente licenciado e residindo nos Estados Unidos.

O nome de Tarcísio, apoiado por Bolsonaro e presente no ato de Copacabana em março, desponta como favorito entre os eleitores do ex-presidente, conforme levantamento do Cebrap e da ONG More In Common.

Internamente, lideranças do União Brasil admitem que, em caso de candidatura de Tarcísio, Caiado poderia recuar para preservar a unidade da direita. Caso contrário, a tendência é de fragmentação do campo conservador, o que beneficiaria a reeleição de Lula em um eventual segundo turno.

Pré-candidatos

Principais pré-candidatos da direita e extrema-direita à Presidência da República para as eleições de 2026, acompanhados de seus respectivos partidos e médias de pontuação nas pesquisas realizadas em janeiro, fevereiro e março de 2025:​

Pré-candidato Partido Média de Pontuação (%)
Jair Bolsonaro PL 41%
Tarcísio de Freitas Republicanos 18%
Romeu Zema NOVO 7%
Ratinho Júnior PSD 5%
Ronaldo Caiado União Brasil 5%

Observações:

  • Jair Bolsonaro: Apesar de liderar as intenções de voto com 41% em pesquisa realizada entre 22 e 27 de março de 2025, o ex-presidente foi declarado inelegível até 2030 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) .​

  • Tarcísio de Freitas: Atual governador de São Paulo, aparece com 37% das intenções de voto em cenários sem a presença de Bolsonaro

  • Romeu Zema: Governador de Minas Gerais, registra 7% nas pesquisas mencionadas .​

  • Ratinho Júnior: Governador do Paraná, obtém 5% das intenções de voto .​

  • Ronaldo Caiado: Governador de Goiás, também com 5%, lançou sua pré-candidatura em 4 de abril de 2025 .

É importante notar que os cenários políticos são dinâmicos, e as intenções de voto podem variar conforme o contexto e os desdobramentos futuros.


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