Mercados globais reagem a tarifas de 104% dos EUA contra a China; Dólar chega a R$ 6 no Brasil e aumenta pressão sobre economia mundial

A escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China provocou reações imediatas nos mercados financeiros globais após o Governo Trump anunciar nesta terça-feira (08/04/2025) tarifas adicionais de 50% sobre produtos chineses, elevando a alíquota total para 104%. No Brasil, o dólar comercial atingiu R$ 6,00, refletindo a aversão ao risco e a instabilidade internacional.

Impacto no Mercado Cambial Brasileiro

O dólar encerrou o dia cotado a R$ 5,99, após atingir o pico de R$ 6,00 durante as negociações. Esse patamar não era registrado desde janeiro de 2025. A alta é atribuída ao movimento de investidores em busca de ativos de proteção, como o dólar, diante das incertezas econômicas geradas pela intensificação da guerra comercial.

Desempenho da Bolsa de Valores

O Ibovespa recuou 1,32%, fechando aos 123.931 pontos. Setores voltados à exportação, sobretudo aqueles com forte exposição ao mercado chinês, lideraram as perdas. Empresas de mineração, siderurgia e agronegócio foram especialmente impactadas, diante do receio de retaliações comerciais por parte de Pequim e da redução na demanda por commodities brasileiras.

Reações nos Estados Unidos

Os principais índices de Wall Street fecharam em queda:

  • S&P 500: -1,57%

  • Nasdaq Composite: -2,15%

  • Dow Jones: -0,84%

A ausência de perspectivas de retomada do diálogo entre Washington e Pequim alimenta temores de recessão global. Economistas alertam para efeitos como encarecimento de produtos, retração dos investimentos e desaceleração econômica em países interdependentes do comércio internacional.

China Responde e Aumenta o Tom da Crise

Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores da China declarou que o país está disposto a “lutar até o fim”, acusando os Estados Unidos de adotar postura unilateral e hostil. As tarifas chinesas sobre produtos norte-americanos, que chegam a 34%, foram mantidas. Pequim também suspendeu novas importações de carne de frango de estados norte-americanos como Arkansas, afetando produtores locais.

Declarações de Trump e Repercussões Diplomáticas

O presidente Donald Trump declarou que espera um contato direto da China, mas reafirmou que “não teme a aproximação de outros países com Pequim”. O vice-presidente JD Vance causou reação negativa ao afirmar que os EUA estariam “pegando dinheiro emprestado dos camponeses chineses” — declaração considerada ofensiva por diplomatas de Pequim.

O representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer, defendeu as tarifas como uma ferramenta legítima para forçar renegociações de acordos comerciais e proteger a indústria nacional.

União Europeia Tenta Mediar Conflito e Avalia Medidas Próprias

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, conversou com o premiê chinês, Li Qiang, reforçando a necessidade de um sistema de comércio internacional “justo e equilibrado”. A UE teme o redirecionamento de produtos chineses para o mercado europeu e estuda ativar o mecanismo anticoerção, implementado em 2023.

Entre os países-membros da UE, há divergências sobre a melhor estratégia:

  • França defende manter todas as opções abertas, incluindo retaliações comerciais.

  • Alemanha apoia contramedidas firmes, mas com cautela.

  • Espanha e Irlanda pedem moderação para evitar um ciclo de escaladas.

Reações Políticas Internas nos EUA

As novas tarifas dividiram o Partido Republicano. Senadores como Chuck Grassley e Maria Cantwell apresentaram projeto para exigir aprovação do Congresso antes da implementação de novas tarifas. O senador Ted Cruz advertiu que a política atual pode agravar uma recessão e prejudicar o desempenho republicano nas eleições de 2026.

Doadores tradicionais do partido, especialmente ligados aos setores agrícola e industrial, manifestaram insatisfação com os prejuízos já sentidos. O setor automotivo estima aumento de até US$ 4.500 no preço final de veículos fabricados nos EUA, caso as tarifas se mantenham.

Comparações Históricas e Risco Sistêmico

Analistas comparam a atual política comercial dos EUA à Lei Smoot-Hawley de 1930, que agravou a Grande Depressão. O temor é que o isolamento econômico dos Estados Unidos, somado às tensões com a China, desencadeie uma nova crise sistêmica global, impactando cadeias de produção e o comércio internacional em larga escala.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Dupla de profissionais de saúde sorrindo, vestindo uniformes, com uma cidade ao fundo e texto promocional sobre saúde.
Banner promocional da JADS FOTO, destacando serviços de fotografia e personalização, incluindo contatos e lista de produtos.
Logo da RFI em português, com as letras 'rfi' em vermelho sobre fundo branco e a palavra 'português' em vermelho, abaixo com uma linha horizontal.
Imagem comemorativa de 19 anos do Jornal Grande Bahia, destacando seu compromisso com jornalismo independente e informação precisa.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading