O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou que “os portões do horror foram reabertos” em Gaza, em referência à escalada do conflito, à intensificação dos bombardeios e à interrupção da assistência humanitária no território palestino. A declaração foi feita em pronunciamento à imprensa na sede da ONU, em Nova Iorque.
Segundo Guterres, a capacidade da ONU de entregar ajuda humanitária foi estrangulada em razão do fechamento dos pontos de passagem, dos bloqueios impostos por Israel e da falta de segurança para as equipes humanitárias. Ele afirmou que o atual cenário representa um beco sem saída, incompatível com o direito internacional e com os princípios humanitários.
Guterres criticou os novos mecanismos de autorização propostos por Israel para a entrada de ajuda, classificando-os como excessivamente restritivos. O secretário-geral declarou que a ONU não participará de acordos que contrariem os princípios de imparcialidade, independência, neutralidade e humanidade. Ele citou a Convenção de Genebra, que obriga a potência ocupante a fornecer ou facilitar assistência alimentar e médica à população civil.
Durante o discurso, Guterres reforçou o pedido de investigação independente sobre a morte de trabalhadores humanitários, incluindo um membro da própria ONU, encontrados em uma vala comum na região de Tal Al Sultan.
Ainda segundo o secretário-geral, há risco de a Cisjordânia enfrentar situação semelhante à de Gaza, o que agrava a crise na região. Ele solicitou que os Estados-membros da ONU cumpram suas obrigações legais internacionais e afirmou que deve haver justiça e responsabilização em casos de violação.
Guterres também comentou o impacto de tarifas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos, classificando as guerras comerciais como negativas, com efeitos severos para países em desenvolvimento, e alertou para o risco de recessão global, com consequências mais intensas para as populações mais pobres.
Em nota conjunta publicada na segunda-feira (08/04), chefes de seis agências da ONU alertaram que 2,1 milhões de pessoas em Gaza estão presas, bombardeadas e famintas. O documento destaca que ajuda humanitária, incluindo alimentos, medicamentos, combustível e tendas, está retida nas fronteiras, sem autorização para entrar no território.
As agências afirmaram que não há alimentos suficientes em Gaza e que as ações militares demonstram desrespeito pela vida humana, com milhares de crianças mortas ou feridas. A nota também menciona ordens de evacuação emitidas pelo Exército de Israel, forçando deslocamentos de civis sem alternativas seguras.
O bloqueio israelense, que já dura mais de um mês, levou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) a encerrar 21 centros de tratamento de desnutrição em Gaza, por motivos de segurança e evacuação forçada. As Nações Unidas cobram dos líderes internacionais ações urgentes para proteger civis, facilitar a entrada de ajuda, libertar reféns e restaurar o cessar-fogo.
*Com informações da ONU News.
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