Pesquisa eleitoral aponta possível fim do Governo Netanyahu em Israel

Levantamento mostra queda expressiva do apoio ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, oposição se fortalece em todos os cenários simulados.
Levantamento mostra queda expressiva do apoio ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, oposição se fortalece em todos os cenários simulados.

Quinta-feira, 10/04/2025 — Uma pesquisa de opinião pública divulgada nesta semana pelo Canal 12 de Israel, conduzida pelo Instituto Midgam em parceria com o Ipanel, indica um cenário de ampla desvantagem eleitoral para o atual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Segundo os dados, o premiê perderia as eleições em todos os cenários simulados, evidenciando um enfraquecimento significativo da base de apoio ao governo.

Queda de desempenho do Likud e crescimento da oposição

No cenário principal da pesquisa, que considera apenas partidos com representação atual no Parlamento israelense, o Likud, partido liderado por Netanyahu, obteria apenas 24 assentos, número insuficiente diante dos 61 necessários para formar uma maioria. Em contraste, os principais partidos de oposição teriam desempenho superior:

  • Democratas (Yair Golan): 16 cadeiras

  • Há Futuro (Yair Lapid): 14 cadeiras

  • Campo Republicano (Benny Gantz): 14 cadeiras

  • Israel Nosso Lar (Avigdor Lieberman): 14 cadeiras

A composição projetada nesta configuração daria 52 cadeiras à coalizão governista e 63 à oposição, excluindo os 5 assentos do Hadash-Ta’al, partido de maioria árabe que não integraria nenhuma das coalizões majoritárias.

Cenário alternativo com Naftali Bennett amplia desvantagem de Netanyahu

Em um segundo cenário, com a entrada do partido “Bennett 2026”, liderado pelo ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, o atual chefe do governo aparece ainda mais enfraquecido. A legenda de Bennett conquistaria 23 cadeiras, superando o Likud, que manteria suas 24 cadeiras. O bloco de oposição alcançaria 66 assentos, contra 49 da base governista, acentuando a possibilidade de alternância no poder.

Avaliação negativa do governo e impacto do CatarGate

A pesquisa também abordou a percepção da sociedade israelense sobre temas sensíveis da política externa e interna. Quase 60% dos entrevistados classificam o Catar como país inimigo, enquanto apenas 17% não compartilham dessa visão. Entre os eleitores do Likud, esse índice chega a 62%.

O aumento da desconfiança ocorre em meio às investigações sobre o chamado CatarGate, escândalo que envolve suspeitas de pagamentos a assessores de Netanyahu com o objetivo de melhorar a imagem do Catar em Israel. O caso também levanta preocupações por possíveis ligações com o financiamento ao grupo Hamas.

Segundo a pesquisa, 58% consideram o CatarGate um problema grave, enquanto apenas 11% minimizam sua relevância.

Sinais de mudança no cenário político israelense

De acordo com João Miragaya, historiador e assessor do Instituto Brasil-Israel (IBI), os dados refletem um esgotamento da atual gestão. Para ele, os resultados da sondagem “mostram não apenas uma rejeição à figura de Netanyahu, mas também o fortalecimento de setores à esquerda, que se consolidam como terceira força no Parlamento”.

Além disso, a pesquisa identificou maior apoio à proposta de fim da guerra em troca da libertação de reféns, em clara oposição à política do atual governo, que insiste em prolongar o conflito.

Considerações finais

A pesquisa eleitoral revela uma tendência consistente de queda de popularidade do governo Netanyahu, que enfrenta resistência interna, investigações judiciais e pressão internacional. A possível reorganização do espectro político israelense, com o fortalecimento de antigas lideranças e surgimento de novas, pode definir os rumos do país nos próximos anos.


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