Quinta-feira, 17/04/2025 — Em entrevista concedida a Laísa Dall’Agnol e publicada na quinta-feira (17/04/2025) na revista VEJA, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do Progressistas (PP), reafirmou seu alinhamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro e antecipou os rumos de seu campo político nas eleições de 2026. Segundo o parlamentar, a direita e a centro-direita elegerão 80% do Congresso Nacional, alcançarão a maioria dos governos estaduais e disputarão a presidência com uma frente unificada.
Atualmente dividido entre o mandato no Senado e a liderança do PP, Nogueira conduz a articulação da federação partidária entre Progressistas e União Brasil, que, se confirmada, formará a maior bancada da Câmara dos Deputados e a terceira maior do Senado, além de reunir seis governadores e cerca de 25% dos prefeitos do país. A aliança assegurará extenso tempo de propaganda eleitoral e recursos expressivos dos fundos partidário e eleitoral — em 2024, as duas siglas somaram mais de R$ 1,1 bilhão em financiamento público.
Críticas ao governo e defesa da oposição
O senador adotou tom crítico ao governo Lula, afirmando que o Executivo está “ultrapassado” e “desconectado da realidade”. Segundo ele, a atual gestão federal representa um modelo esgotado, sem capacidade de inovação, principalmente no tocante às mudanças no mercado de trabalho, como os aplicativos de prestação de serviço. Nogueira defendeu o rompimento formal do PP com o governo, embora o partido ainda ocupe espaços como o Ministério do Esporte e a presidência da Caixa Econômica Federal, ambos por articulações independentes.
Apoio a Bolsonaro e defesa da anistia
Jair Bolsonaro continua sendo, nas palavras de Ciro Nogueira, o “candidato número 1, 2 e 3” da direita à Presidência da República. Apesar da inelegibilidade até 2030, o senador considera fundamental a aprovação de uma anistia que restabeleça os direitos políticos do ex-presidente. Caso a medida não prospere, defende que o nome da candidatura presidencial da direita seja definido até o fim de 2025, citando como opções Tarcísio de Freitas, Ratinho Jr., Tereza Cristina, Ronaldo Caiado ou até um dos filhos de Bolsonaro.
Ataques de 8 de janeiro e críticas ao STF
Sobre os atos de 8 de janeiro de 2023, Ciro Nogueira afirmou que houve vandalismo, mas não tentativa de golpe. Na avaliação do senador, as penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) foram excessivas e refletem um desequilíbrio institucional. Alertou que, se o STF “não der um passo atrás no protagonismo político”, propostas de impeachment de ministros ganharão força no próximo Congresso.
Federação partidária como alternativa política
A federação entre PP e União Brasil é descrita por Nogueira como “uma bússola para o país”, com o objetivo de pautar reformas estruturantes e barrar medidas consideradas populistas. A união visa promover o crescimento econômico com foco em produtividade, renda e emprego, contrastando, segundo ele, com o desempenho insatisfatório do Brasil nas últimas décadas em comparação com países emergentes como Índia e China.
Candidatura ao Senado ou vice-presidência
Questionado sobre suas pretensões eleitorais, Nogueira afirmou que seu foco atual é a reeleição ao Senado pelo Piauí, mas não descartou integrar uma chapa presidencial como vice, caso seu nome seja considerado estratégico pela coalizão da direita. Afirmou, contudo, que sua prioridade permanece na estruturação da federação partidária e na ampliação do poder legislativo do seu campo político.








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