Brasil e China devem assinar 16 acordos durante visita do presidente Lula a Pequim

Presidente brasileiro também participará de reunião com Xi Jinping e de cúpula China-Celac nos dias 12 e 13 de maio.
Presidente brasileiro também participará de reunião com Xi Jinping e de cúpula China-Celac nos dias 12 e 13 de maio.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta terça-feira (06/05/2025) para uma visita oficial à Rússia e à China, com previsão de assinatura de 16 acordos bilaterais e discussões estratégicas sobre integração regional, comércio exterior e cooperação tecnológica. A partida está programada para às 22 horas, a partir da Base Aérea de Brasília.

O principal objetivo da missão internacional é reforçar os laços comerciais e diplomáticos com os dois países. Na China, Lula participa da Cúpula China-Celac, entre os dias 12 e 13 de maio, e realiza uma visita de Estado a convite do presidente Xi Jinping. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, pelo menos 16 atos bilaterais serão assinados, com possibilidade de incluir outros 32 instrumentos em negociação.

Segundo o secretário de Ásia e Pacífico do Itamaraty, embaixador Eduardo Paes Saboia, a lista de acordos é ampla e envolve áreas como infraestrutura, ciência, tecnologia, finanças e inovação. Ele destacou o papel estratégico da China como principal parceiro comercial do Brasil e como um dos maiores investidores em setores estratégicos no território brasileiro.

A visita marca o terceiro encontro bilateral entre Lula e Xi Jinping desde o início do atual mandato presidencial. A última reunião entre os dois ocorreu em novembro de 2024, em Brasília. Saboia afirmou que ambos os países compartilham visões sobre defesa do multilateralismo, reforma da governança global e soluções pacíficas de controvérsias internacionais.

Na comitiva brasileira estarão ministros e parlamentares, com destaque para os titulares da Casa Civil, Ministério da Fazenda, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e Banco Central. Entre os temas centrais da agenda, está o interesse do Brasil em atrair investimentos chineses voltados à neoindustrialização, capacitação tecnológica e transição energética.

A visita ocorre em meio ao agravamento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, o que aumenta a relevância do posicionamento brasileiro. O Itamaraty reafirmou que o Brasil não adota postura de confronto com nenhuma nação e que a relação com a China não compromete os vínculos com os Estados Unidos.

A secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, embaixadora Gisela Padovan, reforçou a importância do Brasil na articulação da integração regional, aspecto valorizado na cúpula com a Celac, composta por 33 países da América Latina e Caribe. O país voltou a integrar o bloco em 2023, após três anos de afastamento.

Antes da chegada à China, Lula fará uma visita oficial à Rússia, entre 8 e 10 de maio, para participar das celebrações dos 80 anos da vitória soviética na Segunda Guerra Mundial, marcadas para o feriado nacional de 9 de maio. Durante a passagem por Moscou, o presidente terá uma reunião bilateral com Vladimir Putin, com previsão de assinatura de acordos em ciência e tecnologia.

O Brasil mantém relações comerciais com a Rússia, principalmente na importação de fertilizantes e diesel e na exportação de produtos agropecuários. O saldo comercial é deficitário para o lado brasileiro. A meta, segundo Saboia, é reequilibrar a balança e ampliar exportações.

Em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia, o Brasil mantém sua posição de defesa da integridade territorial e da solução pacífica de controvérsias, com interlocução diplomática com todas as partes envolvidas. Está também prevista uma reunião bilateral com o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, durante a passagem pela capital russa.

*Com informações da Agência Brasil.


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