Câmara dos Deputados aprova reajuste salarial e reestruturação de carreiras de servidores do Executivo federal

Texto segue para análise do Senado após aprovação com emendas na Câmara.
Texto segue para análise do Senado após aprovação com emendas na Câmara.

A Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira (21/05/2025), o Projeto de Lei 1466/25, que concede reajustes salariais e reestrutura carreiras de servidores do Poder Executivo federal. A proposta substitui a Medida Provisória 1286/24, que perderia validade em 02/06/2025, e agora será analisada pelo Senado.

O texto, de autoria do Poder Executivo, foi aprovado com emendas do relator, deputado Luiz Gastão (PSD-CE). As alterações refletem os resultados das negociações conduzidas pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos com entidades representativas dos servidores ao longo de 2024.

Reajustes salariais e critérios de progressão

O projeto prevê reajustes diferenciados para várias carreiras. Para os servidores que não participaram de negociações ou não chegaram a um acordo, serão aplicados reajustes lineares de 9% em 2025 e 9% em 2026. Esses valores serão pagos retroativamente a partir de janeiro de 2025, com base na aprovação do Orçamento.

As mudanças incluem também a reestruturação de critérios de progressão funcional, a transformação de cargos e a unificação de gratificações na aposentadoria.

Uma das emendas evita que 27 carreiras sejam incorporadas ao Sistema de Desenvolvimento na Carreira (Sidec). A inclusão dessas carreiras será tratada futuramente no âmbito de uma reforma administrativa mais ampla.

Detalhamento dos reajustes

  • Cargos em comissão (CCE) e funções de confiança (FCE) terão reajustes entre 9% (nível CCE 1 e FCE 1) e 69% (nível CCE 18 e FCE 18) até 2026, elevando o valor máximo de R$ 18.887 para R$ 31.919.

  • Delegados em fim de carreira dos ex-territórios terão aumento de 24%, passando de R$ 33.721 para R$ 41.350 até 2026.

  • Carreiras de diplomata, auditor do Banco Central, analista da Susep, analista ou inspetor da CVM, técnico do Ipea e auditor de Finanças e Controle (AFC) terão reajuste de 23% até 2026, elevando o salário de R$ 29.832 para R$ 36.694.

  • Professores de universidades federais em dedicação exclusiva com doutorado e no topo da carreira terão aumento de 17%, passando de R$ 22.377 para R$ 26.326 até 2026.

Novos cargos e mudanças na estrutura

O texto cria dois novos cargos técnico-administrativos nas instituições federais de ensino:

  • Analista em Educação (nível superior) com 6.060 vagas.

  • Técnico em Educação (nível intermediário) com 4.040 vagas.

Além disso, haverá a transformação de cargos vagos em 9.340 de analista e 6.226 de técnico, para adequar a força de trabalho às necessidades das universidades.

Progressão e qualificação profissional

O projeto altera as regras de progressão dos servidores técnico-administrativos das universidades:

  • A partir de 01/01/2025, será necessária aprovação em avaliação de desempenho anual para progredir na carreira.

  • A progressão será acelerada mediante certificação em programas de capacitação, desde que o servidor tenha pelo menos cinco anos de efetivo exercício e cumpra a carga horária exigida.

  • O adicional por qualificação pode atingir até 75% do vencimento, dependendo do nível de formação, inclusive doutorado em áreas correlatas ou não diretamente ligadas ao cargo.

Debates, críticas e negociações futuras

O texto foi alvo de debates no Plenário. Parlamentares da base destacaram que o governo federal busca recompor perdas salariais e modernizar a administração pública. O deputado Rogério Correia (PT-MG) e a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) defenderam que, apesar dos avanços, ainda há necessidade de negociar questões específicas, como a progressão dos técnico-administrativos das universidades.

Por outro lado, deputados da oposição criticaram o impacto fiscal, o aumento no número de cargos em comissão e a ausência de medidas para conter gastos públicos. O deputado Gilson Marques (Novo-SC) destacou que o Brasil tem uma das piores relações entre carga tributária e retorno à população.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, informou que há um compromisso do governo para criar um grupo de trabalho a fim de discutir reestruturações de carreiras não contempladas no texto. O líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), confirmou reunião com a ministra da Gestão, Esther Dweck, na próxima terça-feira (28/05/2025) para tratar do tema.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias.


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