As Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo realizaram, na manhã deste sábado (24/05/2025), um ato público na Praça da Piedade, centro de Salvador, para lançar o Plebiscito Popular por Direitos. A mobilização propõe ouvir a população sobre três pontos centrais: redução da jornada de trabalho sem redução salarial, extinção da escala 6×1 e taxação de pessoas com rendimentos superiores a R$ 50 mil, com isenção de Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil.
O evento reuniu representantes do Partido dos Trabalhadores da Bahia (PT-BA), centrais sindicais, movimentos populares e diversos segmentos da sociedade civil. A iniciativa integra uma campanha de alcance nacional e deve se repetir em diferentes estados ao longo do ano, com ações de rua, debates públicos e votações simbólicas.
Propostas centrais do plebiscito
O plebiscito popular apresenta três demandas:
-
Redução da jornada de trabalho, sem redução dos salários;
-
Fim da escala 6×1, que impõe seis dias de trabalho consecutivos com apenas um dia de descanso;
-
Reforma tributária progressiva, com taxação de grandes rendas (acima de R$ 50 mil) e isenção de IR para rendas de até R$ 5 mil.
Segundo os organizadores, a consulta tem o objetivo de ampliar o debate público e pressionar o Congresso Nacional a pautar temas de interesse da classe trabalhadora, frequentemente negligenciados pelas instâncias formais de poder.
Impacto da escala 6×1 no cotidiano dos trabalhadores
Uma das principais críticas do movimento é dirigida à escala 6×1, adotada em diversos setores da economia. O modelo é apontado como fator de comprometimento da saúde física e mental dos trabalhadores, além de limitar o convívio familiar e a vida social.
Para Lucinha do MST, secretária Nacional de Movimentos Populares do PT, “o plebiscito será um instrumento importante para dialogar com a classe trabalhadora em todos os níveis. Aborda temas que fazem parte do cotidiano, como o excesso de jornada e a injustiça tributária”.
Participação partidária e sindical
A secretária de Movimentos Populares do PT Bahia, Rafaella Rios, destacou que o partido atua ao lado de sindicatos, centrais e associações, promovendo ampla mobilização social. “O PT vai para as ruas e para as redes defender uma jornada digna de trabalho. Não é justo que os brasileiros estejam sobrecarregados por cargas excessivas que lhes roubam o direito a uma vida digna”, afirmou.
O integrante da Frente Povo Sem Medo, Gustavo Mascarenhas, reforçou a urgência do tema. “O fim da escala 6×1 é uma das pautas mais urgentes do país. O plebiscito é uma forma de garantir participação direta da população nas decisões que afetam sua vida”, declarou.
Caráter simbólico e mobilizador da consulta popular
Embora sem validade jurídica oficial, o plebiscito é uma ferramenta legítima de consulta pública, com potencial de pressionar as instituições e mobilizar politicamente a sociedade. A consulta será promovida por movimentos sociais, entidades sindicais, escolas, comunidades e ambientes de trabalho, com votações simbólicas e rodas de conversa ao longo dos próximos meses.
Segundo Caio Botelho, secretário de Movimentos Sociais do PCdoB na Bahia, a iniciativa visa ampliar a pressão social sobre o Legislativo.
“A proposta reúne movimentos sociais, centrais sindicais, partidos e artistas em torno de temas em discussão no Congresso Nacional, mas que dificilmente serão aprovados sem mobilização popular”, concluiu.








Deixe um comentário