Investimentos do Ministério da Cultura crescem 70%, mas associações culturais enfrentam dificuldades para se manter, diz especialista

O Ministério da Cultura (MinC) registrou, no primeiro trimestre de 2025, o montante recorde de R$ 305 milhões em investimentos no setor cultural, o que representa um crescimento de quase 70% em relação aos R$ 178 milhões captados no mesmo período de 2024. O aumento acompanha o crescimento dos projetos culturais ativos no Sistema de Acesso às Leis de Incentivo à Cultura (Salic). Contudo, apesar do volume de recursos, diversas associações culturais enfrentam dificuldades para manter suas atividades e encerram operações.

O cenário revela uma discrepância entre o aumento dos recursos destinados ao setor e a sustentabilidade das organizações culturais, que sofrem com problemas contábeis e falta de planejamento financeiro adequado. Especialistas indicam que a ausência de gestão financeira compromete o controle de gastos, a prestação de contas e a credibilidade junto a patrocinadores e órgãos públicos.

De acordo com dados do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), o Brasil conta com cerca de 500 mil contadores ativos, número que ainda se mostra insuficiente para suprir a demanda por suporte especializado no terceiro setor, especialmente entre associações culturais.

A contadora Cristiane Almeida, da Brasis Contabilidade, destaca que erros recorrentes nas associações incluem pagamentos a prestadores de serviços sem o devido recolhimento de tributos como INSS e Imposto de Renda, além de divergências nas notas fiscais emitidas. Esses problemas geram inconsistências financeiras e aumentam o risco de sanções legais, afetando diretamente a continuidade dos projetos culturais.

A formalização jurídica das associações, conforme previsto na Lei nº 15.608, de 2024, é outro ponto fundamental para garantir a sustentabilidade das organizações culturais. A atualização de documentos como ata de assembleia, estatuto, CNPJ e alvará de funcionamento possibilita o estabelecimento de parcerias com o poder público e o acesso a recursos via editais e incentivos fiscais.

Cristiane Almeida ressalta a importância da formalização para o desenvolvimento de eventos culturais em regiões como o Nordeste, que registram aumento significativo na atividade econômica durante o período do São João, movimentando mais de R$ 6 bilhões anualmente. Segundo ela, a formalização permite que as associações firmem parcerias tanto com órgãos públicos quanto com empresas privadas, conforme o inciso V do artigo 23 da Constituição Federal.

Associações que mantêm a contabilidade regular conseguem acessar recursos públicos sem pendências fiscais, cumprir as obrigações legais e tributárias, emitir certidões negativas e apresentar transparência na prestação de contas. Essa organização contribui para a credibilidade institucional e o fortalecimento das relações com parceiros e órgãos governamentais.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading