Terça-feira, 20/05/2025 — Um estudo inédito divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Instituto Nacional de Pesquisa da Polônia (NASK) revelou que um em cada quatro empregos no mundo está potencialmente exposto à inteligência artificial generativa (IA generativa). Apesar do alto nível de exposição identificado, o relatório destaca que a tendência predominante é a transformação de tarefas, e não a substituição completa dos postos de trabalho.
O relatório, intitulado “IA generativa e Empregos: Um Índice Global Refinado de Exposição Ocupacional”, foi lançado na terça-feira (20/05/2025) e apresenta a análise mais detalhada já realizada sobre os impactos ocupacionais da IA generativa. O índice combina quase 30 mil tarefas ocupacionais, classificadas com base em validação especializada, microdados harmonizados e avaliação assistida por IA, oferecendo um retrato abrangente da vulnerabilidade dos empregos frente à automação de tarefas cognitivas.
Principais conclusões do relatório
O estudo introduz novos gradientes de exposição, permitindo identificar ocupações mais ou menos suscetíveis às mudanças induzidas pela IA generativa. Entre os principais achados:
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25% do emprego global está em ocupações com potencial de exposição à IA generativa.
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Países de alta renda apresentam maior exposição: 34% dos empregos nesses locais podem ser impactados.
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A exposição entre mulheres é mais elevada: em países de alta renda, 9,6% das mulheres trabalham em ocupações com alto risco de automação, ante 3,5% entre os homens.
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Trabalhos administrativos são os mais expostos, seguidos por ocupações em setores como comunicação, tecnologia e finanças.
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A automação completa de empregos continua limitada, uma vez que muitas tarefas exigem intervenção humana, mesmo com avanços tecnológicos.
Diferenças regionais e necessidade de políticas públicas
De acordo com os autores, limitações tecnológicas, infraestrutura desigual e deficiências de qualificação profissional provocarão variações significativas na implementação da IA generativa entre países e setores. O estudo aponta que, para mitigar riscos, é essencial que os países adotem estratégias de transição digital inclusivas e sustentáveis.
“Fomos além da teoria para construir uma ferramenta baseada em empregos reais. O índice é replicável e auxilia os países a identificar riscos com precisão”, afirmou Paweł Gmyrek, pesquisador sênior da OIT e autor principal do estudo.
Recomendação: diálogo social e planejamento estratégico
O relatório recomenda que governos, trabalhadores e empregadores promovam o diálogo social e adotem estratégias proativas para qualificação, transição ocupacional e preservação da qualidade do emprego, sobretudo nas ocupações mais vulneráveis. O coautor e especialista sênior do NASK, Marek Troszyński, reforça que o índice será agora aplicado ao mercado de trabalho da Polônia, como modelo de avaliação nacional.
“É fundamental que os países não apenas observem os números, mas compreendam os contextos. Essa ferramenta é um instrumento de política pública para construir transições digitais justas”, declarou a economista da OIT Janine Berg.
Pesquisa internacional
O relatório divulgado marca a primeira publicação de uma série de estudos colaborativos entre a OIT e o NASK, com foco na interseção entre IA generativa e mercado de trabalho. As próximas edições abordarão impactos nacionais e fornecerão orientações técnicas para elaboração de políticas públicas, com ênfase em economias emergentes e países em desenvolvimento.
Dados sobre o estudo
Resultados Globais de Exposição Ocupacional
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Exposição Geral: Aproximadamente 25% dos empregos globais estão em ocupações com algum nível de exposição à GenAI.
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Exposição Máxima (Gradiente 4): 3,3% do emprego global, com maior incidência em países de alta renda (34%) e menor em países de baixa renda (11%).
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Diferenças de Gênero: Maior concentração de mulheres nos gradientes superiores de exposição, especialmente em países de alta renda (9,6% para mulheres vs. 3,5% para homens no Gradiente 4).
Implicações para Políticas Públicas
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Transformação do Trabalho: A GenAI tende a transformar tarefas dentro das ocupações, em vez de substituí-las completamente.
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Desafios de Implementação: Limitações infraestruturais, lacunas de habilidades digitais e custos tecnológicos podem restringir a adoção plena da GenAI.
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Recomendações: Necessidade de diálogo social e políticas direcionadas para gerenciar a transição e mitigar desigualdades.
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