Polícia Federal deflagra Operação Fallen contra organização criminosa em Feira de Santana; Investigação é sequência da El Patrón 

A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Estadual (GAECO), a Força Correcional Integrada (FORCE/COGER/SSP/BA) e a Corregedoria da Polícia Militar da Bahia, deflagrou na manhã desta quarta-feira (28/05/2025) a Operação Fallen, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa atuante em diversos crimes, incluindo lavagem de capitais, agiotagem, extorsão e receptação qualificada, com base de operações em Feira de Santana e municípios adjacentes.

Mandados judiciais e estrutura da organização

Foram expedidos quatro mandados de busca e apreensão pelo Juízo da 1ª Vara Criminal de Feira de Santana. A ação é desdobramento da Operação El Patrón, deflagrada em 07/12/2023, na qual foram realizados:

  • 10 mandados de prisão preventiva

  • 33 mandados de busca e apreensão

  • bloqueio de mais de R$ 200 milhões em contas bancárias

  • sequestro de 26 propriedades (urbanas e rurais)

  • suspensão das atividades de seis empresas

As investigações identificaram que o grupo criminoso possui uma estrutura hierarquizada, com ramificações financeiras e logísticas sustentadas por atividades ilícitas relacionadas ao jogo do bicho e crimes patrimoniais.

Participação de agentes da segurança pública

Um dos aspectos mais graves desta nova fase da operação diz respeito à atuação do braço armado da organização, formado em sua maioria por policiais militares do Estado da Bahia. Segundo os investigadores, esses agentes teriam promovido a destruição de provas digitais, com o objetivo de dificultar a responsabilização criminal dos envolvidos.

A escolha do nome da operação, Fallen (termo em inglês que significa “caído”), remete simbolicamente à degradação moral de membros da segurança pública, que abandonaram os princípios éticos e legais que deveriam nortear sua função institucional.

Continuidade da investigação e penalidades

A apuração dos fatos segue em curso, com o objetivo de identificar outros envolvidos e possíveis conexões criminosas ainda não reveladas. Os investigados, se condenados por todos os crimes imputados, podem receber penas que, somadas, ultrapassam 26 anos de reclusão.

A operação reafirma o compromisso das instituições envolvidas no combate à corrupção sistêmica e ao crime organizado, sobretudo quando este se infiltra em órgãos públicos de segurança.

Operação El Patrón 

Entenda a Operação El Patrón  e como a PF desarticula organização criminosa em Feira de Santana com desdobramentos em novas fases.

A Operação El Patrón, deflagrada pela Polícia Federal em 7 de dezembro de 2023, é considerada uma das mais relevantes ações de combate ao crime organizado na Bahia. A investigação, conduzida em parceria com o Ministério Público da Bahia (MPBA), Receita Federal e Secretaria de Segurança Pública, teve como objetivo desarticular uma organização criminosa atuante em lavagem de dinheiro, agiotagem, extorsão, receptação qualificada e exploração de jogos de azar, com foco em Feira de Santana e municípios da região.

Principais medidas judiciais

Na fase inicial da operação, foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva e 33 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 200 milhões em contas bancárias dos investigados, o sequestro de 26 imóveis — entre urbanos e rurais — e a suspensão das atividades de seis empresas envolvidas no esquema.

Alvos e denúncias

Entre os principais alvos da operação está o deputado estadual Kleber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como “Binho Galinha”, denunciado por supostamente liderar a organização criminosa. Também foram denunciados um tenente-coronel da Polícia Militar e outros policiais militares, apontados como braço armado do grupo, responsáveis pela segurança das atividades ilícitas e pela destruição de provas digitais.

Desdobramentos: Operação Fallen

Nesta quarta-feira (28/05/2025), a Polícia Federal deflagrou a Operação Fallen, desdobramento da El Patrón, com foco na investigação de policiais militares suspeitos de integrar a organização criminosa. Nesta nova fase, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão contra agentes ligados à corporação, investigados por receptação qualificada e destruição de provas digitais.

Obstrução da Justiça

O Ministério Público da Bahia também ofereceu denúncia contra quatro pessoas por obstrução da Justiça, entre elas um advogado e a companheira de um dos investigados, que teriam tentado apagar provas digitais armazenadas em nuvem. O material seria relacionado às práticas ilícitas do grupo desmantelado.

Linha do Tempo das Operações El Patrón, Patrocínio e Fallen

Data Operação Fato Relevante
07/12/2023 El Patrón Deflagrada pela Polícia Federal, com apoio do GAECO e Justiça estadual. Objetivo: desarticular grupo envolvido em jogo do bicho, lavagem de dinheiro e crimes patrimoniais. Foram cumpridos 10 mandados de prisão, 33 de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 200 milhões e sequestro de 26 imóveis.
Dez/2023 El Patrón Juiz da 1ª Vara Criminal de Feira de Santana autoriza suspensão das atividades de 6 empresas vinculadas ao grupo. Iniciam-se perícias em documentos e análise de contas bancárias.
Jan–Mar/2024 El Patrón Perícia revela complexa estrutura de ocultação patrimonial. Empresas de fachada e laranjas usados para movimentar milhões em espécie.
04/04/2024 Patrocínio Nova fase da investigação, voltada ao núcleo político e empresarial da organização. Foram identificadas relações espúrias com autoridades locais, com uso de contribuições de campanha para dissimular recursos ilícitos.
Mai/2024 Patrocínio GAECO pede quebra de sigilo bancário e fiscal de envolvidos em campanhas políticas no interior baiano, suspeitos de lavagem de dinheiro com recursos do jogo do bicho.
Abr/2025 Fallen Investigadores detectam destruição de provas digitais relacionadas à Operação El Patrón. Surgem indícios do envolvimento direto de policiais militares em ações de obstrução de justiça e proteção da ORCRIM.
28/05/2025 Fallen Deflagrada a Operação Fallen, com 4 mandados de busca e apreensão. Objetivo: atingir o braço armado da organização criminosa, composto por agentes da segurança pública que atuavam na eliminação de provas e extorsão.
  • As três operações representam etapas sucessivas e interconectadas de uma investigação macroestrutural, com foco na disrupção de redes de poder ilícito.

  • O avanço da investigação mostra verticalização da apuração, passando do núcleo financeiro (El Patrón), ao político (Patrocínio), até o núcleo armado e institucionalizado (Fallen).

  • A presença de servidores públicos, especialmente militares, revela infiltração da criminalidade organizada no aparelho estatal, exigindo ações articuladas de inteligência e corregedoria.


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