Terça-feira, 20/05/2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu publicamente o ministro da Casa Civil, Rui Costa, após a veiculação de informações que o colocam no centro de um suposto vazamento de conteúdo confidencial relacionado a uma declaração informal da primeira-dama Janja da Silva ao presidente chinês, Xi Jinping, durante visita oficial à China.
Segundo apuração publicada pelo jornal O Tempo, interlocutores próximos a Rui Costa teriam repassado a terceiros a existência de um comentário da primeira-dama em evento reservado, fato que provocou desconforto nos bastidores do Palácio do Planalto e gerou novas especulações sobre disputas de protagonismo entre setores técnicos e políticos do governo.
Lula tenta conter desgaste e reforça coesão institucional
Durante coletiva à imprensa no Palácio da Alvorada, Lula declarou que “Rui Costa é um colaborador leal e segue com a confiança total do presidente da República”. Sem confirmar o teor da fala atribuída a Janja, Lula buscou minimizar os efeitos da controvérsia, reforçando a necessidade de “coerência interna” e foco na agenda administrativa.
A manifestação do presidente tem como objetivo frear o avanço da crise e evitar uma escalada de tensões entre a Casa Civil e setores ligados à assessoria direta da Presidência e à primeira-dama, que tem desempenhado papel ativo em temas de cultura, meio ambiente e política externa simbólica.
Disputa de influência no núcleo do Planalto
Nos bastidores, a crise revelou fissuras entre diferentes áreas de influência do governo. Rui Costa, ex-governador da Bahia e coordenador de políticas estruturantes, é apontado como articulador de bastidores, com protagonismo em decisões administrativas que, por vezes, se chocam com o campo político-ideológico próximo a Lula e Janja.
O episódio também reacende o debate sobre os limites da atuação institucional da primeira-dama e os protocolos de segurança diplomática em interações com chefes de Estado. Até o momento, o governo não confirmou oficialmente o conteúdo da fala atribuída a Janja.
Repercussões no Congresso e entre ministros
A base aliada se mobilizou para reduzir o impacto da crise. Líderes do PT e do PSD manifestaram apoio à permanência de Rui Costa na Casa Civil. No entanto, integrantes do MDB e do União Brasil observam o caso como uma oportunidade para pleitear maior espaço no primeiro escalão do Executivo.
Ministros como Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Celso Amorim (assessor especial da Presidência) atuam como interlocutores para reestabelecer a harmonia entre as alas política, administrativa e diplomática do governo.
Avaliação crítica e desafios à governabilidade
O episódio expõe a necessidade de melhoria nos mecanismos internos de comunicação e confidencialidade, especialmente em contextos de alta sensibilidade diplomática. A sobreposição de papéis entre ministros, assessores especiais e a primeira-dama aponta para um modelo de gestão ainda vulnerável a conflitos de protagonismo.
A permanência de Rui Costa no centro das decisões políticas, mesmo diante da controvérsia, indica que o governo opta pela manutenção da estabilidade interna, ainda que a custo de enfrentar críticas públicas e pressão por reorganização da estrutura de comando.










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