Presidente Lula participa do Dia da Vitória na Rússia e firma acordos bilaterais com Moscou

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à Rússia nesta quarta-feira (07/05/2025) para participar das celebrações oficiais pelos 80 anos do Dia da Vitória, data que marca o encerramento das ações militares alemãs na Segunda Guerra Mundial. O evento ocorre anualmente em 9 de maio e é considerado um dos marcos históricos da Federação da Rússia, que denomina o conflito de “Grande Guerra pela Pátria”.

A presença do chefe do Executivo brasileiro em Moscou inclui reuniões bilaterais com o presidente russo, Vladimir Putin, com o objetivo de assinar acordos nas áreas de ciência, tecnologia e comércio. A visita ocorre em meio a uma agenda internacional que também contempla a participação de Lula no IV Fórum China-Celac, na China, onde terá encontro com o presidente Xi Jinping.

Nas redes sociais, Lula destacou que a cerimônia representa o momento histórico da “vitória contra o nazismo”, ao comentar sua chegada ao país. Esta é a quarta viagem oficial do presidente Lula à Rússia. A atual visita busca aprofundar os laços estratégicos entre os dois países, com foco em áreas de inovação e cooperação técnica.

A ex-presidente Dilma Rousseff, atualmente no comando do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), também foi convidada para as celebrações. A instituição financeira, criada pelos países do BRICS, tem sede em Xangai, China, e mantém diálogo com autoridades russas sobre projetos de desenvolvimento multilateral.

Além do Brasil, representantes de 21 países participam das comemorações em Moscou, entre eles China, Cuba, Belarus, Sérvia, Venezuela, Cazaquistão, Vietnã, Palestina e Mianmar. O evento é promovido pelo governo russo e ocorre anualmente na Praça Vermelha, com desfiles militares, discursos oficiais e homenagens a ex-combatentes.

Participação estrangeira na Parada da Vitória reforça inserção internacional da Rússia, diz analista

A participação de chefes de Estado e representantes de diversos países na celebração dos 80 anos do Dia da Vitória em Moscou foi apontada como evidência de que a Rússia não está isolada no cenário internacional, segundo avaliação do analista argentino Jorge Elbaum, sociólogo e doutor em ciências políticas pela Universidade de Buenos Aires.

Durante entrevista concedida à Sputnik, Elbaum afirmou que a presença de líderes de países que, somados, representam aproximadamente 60% da população mundial, demonstra o fracasso das tentativas de isolar a Federação da Rússia em função de tensões geopolíticas recentes. O analista ressaltou que o número expressivo de autoridades presentes no evento contradiz projeções que apontavam para o afastamento da Rússia do cenário diplomático global.

A Parada da Vitória, realizada anualmente em 9 de maio, celebra o fim da Segunda Guerra Mundial e a vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista, sendo considerada um marco histórico e político central para o país. Em 2025, o evento marca os 80 anos do cessar das operações militares no front europeu.

Entre os participantes do evento na Praça Vermelha estão os presidentes e chefes de governo de países como Brasil, China, Cuba, Belarus, Sérvia, Vietnã, Cazaquistão e Venezuela. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva representa o Brasil nas cerimônias, além de cumprir agenda bilateral com o governo russo.

Para Elbaum, a presença desses líderes representa não apenas apoio institucional, mas a consolidação de uma nova ordem internacional. Em suas palavras, trata-se do surgimento de “um mundo de não-interferência e de respeito à soberania nacional”, conceitos que, segundo ele, ganham força nas articulações diplomáticas fora dos blocos tradicionais de poder.

Herges Justiniano, acadêmico e diplomata boliviano, também comentou a celebração, classificando-a como uma data de relevância histórica universal, por marcar a resistência frente ao nazismo e o fortalecimento dos valores de soberania e autodeterminação.

A cerimônia deste ano tem como foco principal o simbolismo histórico do conflito e a afirmação de alianças políticas com países da Ásia, América Latina, África e Leste Europeu. O governo russo busca utilizar o evento como plataforma para reafirmar laços estratégicos e intensificar relações multilaterais.

*Com informações da Sputnik News.


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