Proposta de aumento da Margem Bruta da Bahiagás gera reação negativa do setor industrial na Bahia

Adrianno Lorenzon, diretor de Gás Natural da ABRACE Energia. Indústrias consumidoras de gás natural questionam justificativas apresentadas pela AGERBA e alertam para impacto na competitividade econômica do estado.

Salvador, quarta-feira, 28/05/2025 — Representantes do setor industrial baiano demonstraram preocupação com a proposta de aumento de 31% da Margem Bruta da Bahiagás, apresentada pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (AGERBA), com efeitos projetados para o exercício de 2025. A proposta foi recebida com surpresa pelas indústrias consumidoras de gás natural, que alegam ausência de proporcionalidade entre investimentos e demanda.

A proposta de reajuste tem como fundamento o crescimento da base de remuneração regulatória, que saltará de R$ 566 milhões em dezembro de 2024 para R$ 811 milhões em dezembro de 2025, o que representa um acréscimo de 43%. No entanto, segundo análise da Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (ABRACE Energia), esse aumento não encontra respaldo na expectativa de consumo. A própria projeção regulatória indica uma queda de 2% no volume total movimentado de gás natural para o mesmo período.

Críticas à racionalidade econômica da proposta

Para Adrianno Lorenzon, diretor de Gás Natural da ABRACE Energia, a medida proposta pela AGERBA contraria os princípios de modicidade tarifária e de eficiência econômica. Segundo ele, há descompasso entre os investimentos previstos e a demanda efetiva, além de falta de transparência na apresentação dos custos operacionais, estimados em R$ 248 milhões para 2025.

“Esse descompasso entre investimentos e demanda real levanta questionamentos sobre a racionalidade econômica da proposta e seu alinhamento com os princípios de modicidade tarifária e eficiência na prestação do serviço público”, afirmou Lorenzon.

Impactos econômicos para o setor industrial

A proposta, segundo a ABRACE, pode prejudicar a atratividade da Bahia como destino para investimentos industriais, especialmente para empreendimentos intensivos no uso de gás natural. O impacto econômico do reajuste tarifário, caso aprovado, compromete a viabilidade de atividades produtivas e afeta diretamente a competitividade estadual no setor energético e industrial.

“Um aumento dessa magnitude no custo do insumo pode comprometer a viabilidade econômica de diversas atividades produtivas, prejudicando o ambiente de negócios e a geração de emprego e renda no estado”, alertou o dirigente da entidade.

Reivindicação por maior transparência e diálogo regulatório

Diante do cenário projetado, as indústrias consumidoras de gás natural na Bahia solicitaram à AGERBA a revisão da proposta de reajuste, bem como maior abertura para diálogo com os usuários do serviço. As entidades defendem que a regulação do setor energético seja pautada por critérios técnicos rigorosos e atenção ao equilíbrio entre sustentabilidade financeira e competitividade econômica.

Posicionamento pendente da AGERBA

Até o momento, a AGERBA não divulgou resposta oficial às críticas apresentadas pelas entidades industriais. A proposta de reajuste será submetida a consulta pública, conforme os trâmites legais previstos, sendo esperada ampla participação de consumidores, empresas e entidades representativas do setor energético e industrial.


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