A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (30/05/2025) a 9ª fase da Operação Sisamnes, com foco na investigação de vazamentos de informações sigilosas sobre inquéritos em trâmite no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Um dos alvos da operação é o advogado Michelangelo Cervi Corsetti, residente no Distrito Federal, suspeito de integrar um esquema de antecipação ilícita de dados processuais a autoridades políticas.
A ação foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e resultou na imposição de medidas cautelares contra Corsetti, como:
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Proibição de contato com outros investigados;
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Proibição de deixar o país;
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Recolhimento do passaporte.
O STF, entretanto, negou os pedidos de prisão preventiva do advogado e não autorizou buscas no escritório de advocacia ligado ao investigado.
Prefeito de Palmas também é investigado por antecipar operações da PF
Além de Corsetti, o prefeito de Palmas (TO), Eduardo Siqueira Campos (Podemos), foi alvo de mandados de busca e apreensão e também de restrições judiciais. Segundo a PF, conversas interceptadas revelam que o prefeito teve acesso prévio a informações confidenciais sobre investigações em curso e orientou outros alvos a se prepararem para medidas repressivas.
Em áudio captado durante a apuração, Siqueira afirma que “vão dançar dois juízes e pelo menos três advogados”, sugerindo conhecimento detalhado das ações ainda não deflagradas. Ele também teria alertado o advogado Thiago Marcos Barbosa, sobrinho do governador do Tocantins, de que seu nome passaria de testemunha a investigado.
Esquema envolve suspeita de comercialização de informações
A investigação conduzida pela PF aponta que dados sigilosos teriam sido repassados de forma ilegal a investigados, com o objetivo de evitar prisões e ações de busca. O esquema configura, segundo a corporação, obstrução de Justiça e concessão indevida de privilégios a alvos já detidos em fases anteriores da mesma operação.
As provas reunidas indicam que o advogado Michelangelo Cervi Corsetti atuava como elo entre o Judiciário e o núcleo político investigado, possivelmente mediante pagamento por informações confidenciais.
Operação Sisamnes: histórico e alcance
Lançada em 2022, a Operação Sisamnes recebeu este nome em referência ao juiz persa executado por corrupção no século VI a.C., como símbolo da integridade esperada no Judiciário. Desde então, a operação já contabiliza diversas fases, com prisões de agentes públicos, advogados e operadores do sistema de justiça.
Na 9ª fase, além das diligências em Brasília e no Tocantins, a PF realizou ações complementares no Mato Grosso, onde investiga o grupo Comando C4, suspeito de espionagem de magistrados, assassinato de um advogado e pagamentos de propina no TJMT.
No caso tocantinense, a apuração está relacionada ao desvio de recursos públicos destinados à aquisição de cestas básicas. O processo foi elevado ao STF após constatação de indícios de participação de autoridades com foro privilegiado.
Determinações judiciais e próximos passos
O Supremo Tribunal Federal determinou o cumprimento de três mandados de busca e apreensão em Palmas, além da imposição de medidas cautelares. O objetivo da operação, segundo a PF, é proteger a eficácia das ações investigativas, reforçar o controle institucional e responsabilizar os envolvidos criminalmente.
As informações obtidas serão anexadas ao inquérito principal, que tramita sob sigilo no STF, e poderão motivar novas ações penais e administrativas. A continuidade das investigações busca identificar eventuais ramificações institucionais que sustentem práticas de vazamento e proteção indevida no interior do sistema de justiça.
*Com informações de Mirelle Pinheiro, do site Metrópoles.
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