Congresso Nacional derruba vetos do presidente Lula sobre reforma tributária e impõe impactos bilionários na conta de energia elétrica; CPMI do INSS é lida

Congresso retoma ‘jabutis’ e pode elevar a conta de luz em até R$ 545 bilhões até 2050.
Decisões parlamentares incluem incentivos a setores de energia e fundos de investimento, com potencial de aumento de tarifas e repercussões fiscais até 2050.

O Congresso Nacional derrubou, em sessão conjunta desta terça-feira, (17/06/2025), vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a trechos de três propostas legislativas com impacto direto na conta de energia elétrica, na reforma tributária e na gestão do INSS. As medidas beneficiam segmentos específicos do setor produtivo e foram criticadas por entidades de consumidores e por órgãos técnicos do governo federal.

Congresso retoma jabutis que elevam custos do setor elétrico

A decisão dos parlamentares reintroduziu dispositivos vetados da lei das eólicas offshore, que incluem contratações compulsórias de usinas e benefícios a fontes energéticas específicas, classificados como “jabutis”. Segundo estimativas da Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), os custos adicionais decorrentes da derrubada dos vetos podem alcançar R$ 197 bilhões até 2050.

Os pontos reintroduzidos envolvem:

  • Contratação de 3.000 MW de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) – Custo estimado de R$ 140 bilhões;

  • Energia de hidrogênio líquido via etanol no NordesteR$ 28 bilhões;

  • Prorrogação do Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas) – R$ 24 bilhões;

  • Eólicas no Sul até o segundo semestre de 2025R$ 5 bilhões.

Apesar de o governo ter tentado preservar o veto a um dos trechos de maior impacto — a contratação obrigatória de usinas a gás com 70% de inflexibilidade, que pode elevar a conta de luz em até R$ 306 bilhões —, parte do dispositivo também foi derrubada.

A legislação original remonta à privatização da Eletrobras, em 2021, quando o Congresso inseriu dispositivos alheios ao tema principal — conhecidos como “emenda Saramago” — que direcionaram a contratação de termelétricas em locais sem infraestrutura de gás natural, como Brasília e Goiânia.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que, se todas as termelétricas previstas forem contratadas, as emissões de CO₂ na matriz elétrica nacional aumentariam 84% até 2034, reduzindo o grau de renovabilidade de 94% para 89%.

Vetos à isenção de fundos na reforma tributária também são derrubados

Paralelamente, o Congresso derrubou vetos à isenção fiscal para Fiagros e Fundos Imobiliários (FIIs) na regulamentação da reforma tributária, aprovada anteriormente. A decisão exclui esses fundos da incidência de IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

O governo justificou os vetos com base em pareceres jurídicos que apontaram inconstitucionalidade na concessão de benefícios fiscais não previstos na emenda constitucional da reforma. A proposta de regulamentação da reforma segue em negociação entre o Congresso, o Ministério da Fazenda e a Casa Civil.

Câmara e Senado aprovam criação da CPMI do INSS

Ainda na mesma sessão, o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), leu o requerimento que institui uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar fraudes no INSS. A comissão deve ser instalada apenas no segundo semestre, devido ao recesso de meio de ano e às festividades juninas.

O nome mais cotado para a presidência da CPMI é o senador Omar Aziz (PSD-AM). O governo Lula afirma ter sido responsável pela identificação do esquema, por meio de ações da Polícia Federal, CGU e AGU, e alega que a CPI deve respeitar os avanços já conquistados nas investigações.

Segundo levantamento do Datafolha, a percepção pública atribui responsabilidade sobre o caso tanto ao atual governo quanto à gestão de Jair Bolsonaro (PL), embora a reprovação de Lula continue elevada.

Projeto de dispensa de reavaliação de beneficiários com doenças irreversíveis é mantido

Também foi derrubado o veto presidencial ao projeto de lei que dispensa reavaliações periódicas para segurados com doenças permanentes que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou outro benefício previdenciário. O texto aprovado inclui HIV, Alzheimer, Parkinson e esclerose lateral amiotrófica entre as condições irreversíveis.

O governo alegava que a proposta comprometia o modelo biopsicossocial adotado pelo INSS e poderia dificultar a gestão dos benefícios assistenciais, além de ignorar avanços terapêuticos.

*Com informações da Agência Câmara e do Jornal Folha de S,Paulo.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.