A feira das flores de Feira de Santana segue como referência no comércio especializado, mantendo uma tradição que começou há mais de 60 anos na antiga feira-livre do centro da cidade. Atualmente, o espaço é composto por 16 boxes localizados na Rua Olímpio Vital, administrados pela Associação Comunitária dos Vendedores de Flores, que completa 40 anos em 2028.
O comércio de flores teve início de forma espontânea, com agricultores da zona rural trazendo para a feira-livre espécies como rosas, angélicas, dálias, sorriso de Maria e margaridas. A comercialização era realizada aos sábados, se estendendo até as segundas-feiras, com vendas e até trocas por outros produtos.
Entre os pioneiros do comércio de flores estão Antônio Barbosa, Domingos, Alfredo, Palmeira, José Monteiro, Aristides, Cassiano Barbosa, Martins, Francisco de Jesus Rodrigues (Dinho) e Manuel Lourenço da Silva.
A primeira tentativa de organização ocorreu na década de 1960, quando o grupo ocupou um espaço na Praça João Pedreira com aproximadamente oito vendedores. Com a reforma da praça, os floristas foram transferidos para o passeio da antiga agência do Banco Bamerindus, na Rua Marechal Deodoro.
Na gestão do prefeito José Falcão da Silva, foi concedida uma carteira profissional aos floristas, formalizando a categoria. Contudo, em 1977, com a transferência da feira-livre para o Centro de Abastecimento, houve uma significativa queda nas vendas, levando os comerciantes a retornarem ao centro.
Durante o governo de Clailton Mascarenhas, os floristas foram realocados para a Rua Olímpio Vital, onde receberam boxes padronizados e estrutura sanitária. Anos depois, no governo de José Ronaldo de Carvalho, a estrutura foi ampliada e modernizada, mantendo-se até os dias atuais.
De acordo com a presidente da associação, Simone Silva, o local permanece ativo todos os dias, inclusive aos domingos e feriados, com exceção do dia 1º de janeiro, quando os boxes permanecem fechados.
A produção local de flores foi reduzida ao longo dos anos. Antigamente, distritos como Ipuaçu, nas áreas de Galhardo e Chapada, além da região da Ponte do Rio Branco, eram responsáveis pelo cultivo de espécies como angélica, sorriso de Maria, rainha-margarida e gérberas.
Segundo relatos dos antigos produtores, fatores climáticos contribuíram para essa redução.
“Antes sabíamos quando ia chegar o verão, a primavera, quando ia chover. De uns tempos para cá, perdemos o conhecimento, já não chove, está muito difícil”, declarou um dos floristas mais antigos.
Com a retração da produção local, os comerciantes passaram a adquirir flores de fornecedores de municípios como Amélia Rodrigues, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista, Maracás e Bonito. Atualmente, a maioria das flores comercializadas vem de empresas especializadas de São Paulo, que suprem a demanda do mercado local.
A Associação dos Floristas, fundada em 18 de outubro de 1988, desempenha papel fundamental na manutenção e organização do comércio, garantindo abastecimento regular e atendimento ao público durante todo o ano.








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