A Nippon Steel, maior siderúrgica do Japão, concluiu na quarta-feira (18/06/2025) a aquisição da U.S. Steel por US$ 14,2 bilhões, após um processo de negociação que se estendeu por mais de 18 meses. A transação, formalizada nesta quarta-feira, estabelece a fusão como um dos maiores acordos da história recente do setor siderúrgico global.
Conforme documentos corporativos, a Nippon adquiriu a totalidade das ações da U.S. Steel por US$ 55 cada, formalizando a transação em meio a tensões políticas e econômicas nos Estados Unidos. A operação contou com a implementação de “golden shares” (ações douradas), mecanismo que confere ao presidente Donald Trump poder de veto sobre decisões estratégicas da companhia no país, incluindo fechamento de plantas industriais, definição da sede administrativa e questões salariais.
Contexto político e reação do governo dos EUA
A proposta inicial da Nippon enfrentou resistência do governo norte-americano, sob o argumento de que a aquisição de uma empresa com importância estratégica para a segurança nacional por um grupo estrangeiro demandaria salvaguardas institucionais. A criação das “golden shares” foi, segundo fontes oficiais, a condição política para o aval da Casa Branca.
O presidente Trump, que anteriormente se manifestou contrário à venda, endossou o acordo após as alterações estruturais, justificando a decisão com base na manutenção da autonomia operacional da empresa em território nacional e no compromisso de novos investimentos por parte da companhia japonesa.
Expansão industrial e projeções de investimento
A Nippon Steel anunciou ainda que planeja investir US$ 11 bilhões nos Estados Unidos até 2028, com foco na modernização de plantas, aumento da eficiência energética e ampliação da produção de aço de alta performance. A empresa sinalizou que o plano estratégico está alinhado com o objetivo do governo norte-americano de reindustrializar setores estratégicos e reduzir dependência de importações da China.
Com a conclusão do negócio, a nova entidade consolidada torna-se a segunda maior siderúrgica do mundo, ficando atrás apenas da China Baowu Steel Group, segundo dados do setor.
Implicações geoeconômicas e concorrência internacional
A fusão ocorre em um momento de reconfiguração das cadeias globais de suprimentos e da intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e China, especialmente no setor de metais básicos. A presença ampliada da Nippon Steel nos EUA poderá fortalecer a posição de Washington no setor siderúrgico, enquanto abre espaço para o Japão exercer maior protagonismo geoeconômico.
Especialistas apontam que o controle político embutido no acordo sinaliza uma nova tendência em operações transnacionais, nas quais interesses estatais e questões de segurança nacional passam a desempenhar papel central nas decisões empresariais.
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