PIB do Brasil cresce 1,4% no 1º trimestre de 2025, mas analistas projetam desaceleração econômica nos próximos meses

O PIB brasileiro cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2025, impulsionado pelo setor agropecuário e pela recuperação do consumo e dos investimentos. No entanto, analistas projetam desaceleração nos próximos trimestres, devido à sazonalidade agrícola, juros elevados e incertezas externas. O mercado de trabalho robusto e os estímulos fiscais podem mitigar esse movimento, mas a inflação e o crédito caro impõem desafios à atividade econômica.
Forte desempenho da agropecuária impulsiona crescimento no início do ano, mas juros altos e cenário externo geram incertezas para os próximos trimestres.

Nesta sexta-feira (30/05/2025), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,4% no primeiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior. Em valores correntes, o PIB somou R$ 3 trilhões, representando a 15ª alta trimestral consecutiva desde o terceiro trimestre de 2021.

O crescimento foi impulsionado principalmente pelo setor agropecuário, que avançou 12,2% graças à safra recorde de grãos, especialmente soja e milho. Já o setor de serviços, responsável por cerca de 70% da economia, registrou crescimento de 0,3%, enquanto a indústria recuou 0,1% no mesmo período.

Na comparação anual, em relação ao primeiro trimestre de 2024, o PIB teve alta de 2,9%, embora inferior ao crescimento de 3,6% registrado no último trimestre de 2024.

Evolução setorial e composição da oferta

Setor agropecuário

  • Crescimento de 12,2%, impulsionado por condições climáticas favoráveis e expectativa de safra recorde.

  • Soja foi a principal responsável pelo desempenho, representando parcela significativa da produção nacional.

Setor de serviços

  • Crescimento de 0,3%, com destaque para:

    • Informação e comunicação (+3,0%)

    • Atividades imobiliárias (+0,8%)

    • Serviços públicos (administração, saúde e educação) (+0,6%)

Indústria

  • Queda de 0,1%, com desempenho misto entre os segmentos:

    • Cresceram: indústrias extrativas (+2,1%) e eletricidade, gás e saneamento (+1,5%)

    • Recuaram: indústrias de transformação (-1%) e construção civil (-0,8%)

Análise pela demanda: consumo, investimento e comércio exterior

Investimentos

  • Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) subiu 3,1%, com destaque para a importação de uma plataforma de petróleo da China, que impulsionou pontualmente o indicador.

Consumo das famílias e do governo

  • Consumo das famílias cresceu 1%, sustentado pela geração de empregos e elevação da massa salarial.

  • Consumo do governo teve variação positiva de 0,1%.

Setor externo

  • Importações aumentaram 5,9%, enquanto exportações cresceram 2,9%, resultando em contribuição negativa do setor externo para o PIB.

Riscos e projeções para o restante de 2025

Especialistas apontam que a economia deve entrar em ritmo de desaceleração nos próximos trimestres, devido a fatores como:

  • Sazonalidade da produção agrícola, especialmente da soja, que concentra dois terços da colheita no início do ano.

  • Juros elevados, com a taxa Selic mantida em 14,75% ao ano, dificultando acesso ao crédito.

  • Inflação persistente, em parte estimulada pelos gastos públicos.

Fatores de risco:

  • Guerra comercial entre EUA e China, que pode pressionar os preços das commodities.

  • Crise da gripe aviária, que já levou 23 países e a União Europeia a suspenderem importações de carne de aves do Brasil.

  • Elevação do IOF, decretada pelo governo Lula, que pode tornar empréstimos empresariais mais caros, embora o impacto seja avaliado como limitado.

Mercado de trabalho e estímulos fiscais

Apesar do cenário desafiador, o mercado de trabalho segue aquecido, o que pode atenuar a perda de dinamismo:

  • 257 mil novas vagas formais criadas em abril, segundo o Caged.

  • Taxa de desemprego em 6,6%, a menor da série histórica para o período.

Estímulos fiscais recentes também contribuem para sustentar a demanda:

  • Aumento real do salário mínimo.

  • Liberação de R$ 12 bilhões do FGTS.

  • Pagamento de R$ 90 bilhões em precatórios.

  • Expansão do programa Minha Casa, Minha Vida e redução na conta de luz para famílias de baixa renda.

No entanto, a combinação entre inflação elevada e crédito restrito ajuda a explicar a percepção negativa da população em relação à economia, apesar dos indicadores positivos de emprego e renda.


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