Nesta sexta-feira (30/05/2025), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,4% no primeiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior. Em valores correntes, o PIB somou R$ 3 trilhões, representando a 15ª alta trimestral consecutiva desde o terceiro trimestre de 2021.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo setor agropecuário, que avançou 12,2% graças à safra recorde de grãos, especialmente soja e milho. Já o setor de serviços, responsável por cerca de 70% da economia, registrou crescimento de 0,3%, enquanto a indústria recuou 0,1% no mesmo período.
Na comparação anual, em relação ao primeiro trimestre de 2024, o PIB teve alta de 2,9%, embora inferior ao crescimento de 3,6% registrado no último trimestre de 2024.
Evolução setorial e composição da oferta
Setor agropecuário
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Crescimento de 12,2%, impulsionado por condições climáticas favoráveis e expectativa de safra recorde.
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Soja foi a principal responsável pelo desempenho, representando parcela significativa da produção nacional.
Setor de serviços
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Crescimento de 0,3%, com destaque para:
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Informação e comunicação (+3,0%)
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Atividades imobiliárias (+0,8%)
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Serviços públicos (administração, saúde e educação) (+0,6%)
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Indústria
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Queda de 0,1%, com desempenho misto entre os segmentos:
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Cresceram: indústrias extrativas (+2,1%) e eletricidade, gás e saneamento (+1,5%)
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Recuaram: indústrias de transformação (-1%) e construção civil (-0,8%)
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Análise pela demanda: consumo, investimento e comércio exterior
Investimentos
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Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) subiu 3,1%, com destaque para a importação de uma plataforma de petróleo da China, que impulsionou pontualmente o indicador.
Consumo das famílias e do governo
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Consumo das famílias cresceu 1%, sustentado pela geração de empregos e elevação da massa salarial.
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Consumo do governo teve variação positiva de 0,1%.
Setor externo
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Importações aumentaram 5,9%, enquanto exportações cresceram 2,9%, resultando em contribuição negativa do setor externo para o PIB.
Riscos e projeções para o restante de 2025
Especialistas apontam que a economia deve entrar em ritmo de desaceleração nos próximos trimestres, devido a fatores como:
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Sazonalidade da produção agrícola, especialmente da soja, que concentra dois terços da colheita no início do ano.
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Juros elevados, com a taxa Selic mantida em 14,75% ao ano, dificultando acesso ao crédito.
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Inflação persistente, em parte estimulada pelos gastos públicos.
Fatores de risco:
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Guerra comercial entre EUA e China, que pode pressionar os preços das commodities.
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Crise da gripe aviária, que já levou 23 países e a União Europeia a suspenderem importações de carne de aves do Brasil.
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Elevação do IOF, decretada pelo governo Lula, que pode tornar empréstimos empresariais mais caros, embora o impacto seja avaliado como limitado.
Mercado de trabalho e estímulos fiscais
Apesar do cenário desafiador, o mercado de trabalho segue aquecido, o que pode atenuar a perda de dinamismo:
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257 mil novas vagas formais criadas em abril, segundo o Caged.
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Taxa de desemprego em 6,6%, a menor da série histórica para o período.
Estímulos fiscais recentes também contribuem para sustentar a demanda:
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Aumento real do salário mínimo.
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Liberação de R$ 12 bilhões do FGTS.
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Pagamento de R$ 90 bilhões em precatórios.
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Expansão do programa Minha Casa, Minha Vida e redução na conta de luz para famílias de baixa renda.
No entanto, a combinação entre inflação elevada e crédito restrito ajuda a explicar a percepção negativa da população em relação à economia, apesar dos indicadores positivos de emprego e renda.
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