O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite desta segunda-feira(23/06/2025) um cessar-fogo “completo e total” entre Israel e Irã, após uma série de ataques aéreos liderados pelos EUA contra instalações nucleares iranianas. A medida ocorre após uma escalada militar que envolveu bombardeios com armamento de alta precisão e mísseis lançados de submarinos, no que o Pentágono denominou “Operação Martelo da Meia-Noite”.
A declaração foi feita por meio da plataforma Truth Social, onde Trump afirmou que o cessar-fogo deverá ter início em “aproximadamente seis horas”, encerrando formalmente o que chamou de “Guerra dos 12 dias”. Apesar do anúncio, nem o Irã nem Israel confirmaram oficialmente a adesão ao acordo até o momento da publicação desta reportagem.
Detalhes da ofensiva americana: Operação Martelo da Meia-Noite
Na madrugada de domingo (22/06), os Estados Unidos conduziram uma ofensiva aérea contra três instalações nucleares iranianas: Fordo, Natanz e Isfahan. A missão envolveu o uso de bombardeiros B-2, mísseis Tomahawk lançados do Mar Arábico e armamento classificado como “destruidor de bunkers”, capaz de penetrar dezenas de metros de concreto armado.
A operação foi mantida sob alto sigilo. De acordo com o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, as aeronaves saíram da Base Aérea de Whiteman (Missouri) e realizaram voos de 18 horas com reabastecimento em pleno ar. O Pentágono descreveu o ataque como “complexo, coordenado e de alta precisão”, atingindo alvos subterrâneos considerados estratégicos para o programa nuclear iraniano.
Reação do Irã e impacto geopolítico
Em resposta, o Irã lançou mísseis contra a Base Aérea de Al-Udeid, no Catar — onde operam tropas americanas e aliados da OTAN. O governo iraniano declarou que a ação foi uma retaliação direta e “proporcional” aos ataques sofridos. O Irã afirmou ter avisado previamente sobre os lançamentos, o que contribuiu para a evacuação preventiva da base e a ausência de vítimas.
Em nota oficial, a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) reforçou que qualquer agressão à sua soberania será respondida “sob qualquer circunstância”. O governo do Catar, aliado estratégico dos EUA na região, condenou o ataque e classificou-o como uma violação da sua soberania.
Cessar-fogo e incertezas sobre adesão das partes
Apesar da declaração de Trump, autoridades israelenses e iranianas não confirmaram oficialmente o cessar-fogo. Segundo fontes da imprensa internacional, três autoridades israelenses informaram previamente ao governo americano que Tel Aviv buscava encerrar sua ofensiva militar, o que teria viabilizado o anúncio público do presidente dos EUA.
Por outro lado, a agência CNN informou que o Irã não recebeu proposta formal de cessar-fogo, segundo declaração de uma autoridade de alto escalão em Teerã. As declarações indicam que o anúncio de Trump pode ter sido unilateral e estratégico, com o objetivo de reposicionar politicamente os EUA diante da opinião pública internacional, especialmente às vésperas da cúpula da OTAN.
OTAN, Europa e desafios diplomáticos
Trump viajará nesta terça-feira (24/06) à Holanda para a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A iniciativa americana de bombardear o Irã sem consulta prévia aos aliados gerou desconforto diplomático na Europa, que havia se posicionado favorável à mediação e ao diálogo com Teerã.
Líderes europeus buscam garantir a permanência dos EUA no continente, diante da ameaça recorrente de Trump de reduzir a presença militar americana. Um dos focos da reunião será a exigência de que os países membros aumentem seus investimentos em defesa, com meta de até 5% do PIB, proposta impulsionada pelos Estados Unidos.
Análise crítica da ofensiva e seus desdobramentos
A operação militar americana demonstra capacidade tecnológica e estratégica sem precedentes, com uso de armamentos avançados e planejamento logístico complexo. No entanto, permanece incerto se os danos às instalações nucleares iranianas terão impacto duradouro na limitação do programa atômico de Teerã.
Especialistas internacionais alertam para os riscos de escalada regional e reação de aliados do Irã, como Rússia e China, que criticaram a ação americana. O presidente russo, Vladimir Putin, declarou em reunião com o chanceler iraniano que os ataques ocidentais foram “infundados” e comprometedores para a estabilidade do Oriente Médio.
Contexto militar: Fordo, Natanz e Isfahan
As três instalações atingidas são consideradas centrais no programa nuclear iraniano:
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Fordo: estrutura subterrânea localizada sob uma montanha, voltada ao enriquecimento de urânio.
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Natanz: principal centro de desenvolvimento e produção de centrífugas.
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Isfahan: instalação de conversão e pesquisa nuclear, atingida por mísseis de cruzeiro lançados do Mar Arábico.
A operação teria envolvido mais de 125 aeronaves e 75 armas guiadas de precisão, incluindo 14 bombas GBU-57 MOP (Massive Ordnance Penetrator) — uma tecnologia exclusiva dos Estados Unidos.
Implicações econômicas e reações internacionais
Após os ataques, o preço do barril de petróleo recuou 8,5%, refletindo temor de instabilidade momentânea nos mercados, mas também a avaliação de que o risco de guerra aberta teria sido contido.
A Casa Branca reafirmou que os EUA permanecem comprometidos com a proteção de seus aliados e que qualquer retaliação futura será respondida com “força desproporcional”. O Irã, até o momento, não anunciou novas ações militares.
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