Durante participação na sessão ampliada da Cúpula do G7, realizada nesta terça-feira (17/06/2025) em Kananaskis, no Canadá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou os líderes das principais economias mundiais para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em novembro, em Belém (PA). Lula afirmou que o evento será um “teste para os líderes globais mostrarem a seriedade de seu compromisso com o futuro”.
“Conto com a participação de todos os presentes na COP30, em pleno coração da Amazônia. Belém será um teste para os líderes globais mostrarem a seriedade de seu compromisso com o futuro das pessoas e do planeta”, declarou Lula durante seu discurso.
COP30 e Fundo Florestas Tropicais para Sempre
Lula anunciou que o governo brasileiro pretende lançar, durante a COP30, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, iniciativa que busca remunerar os serviços ecossistêmicos prestados pelos países em desenvolvimento que preservam florestas tropicais. O fundo é parte de uma estratégia que evita medidas punitivas, apostando em incentivos positivos.
“Estamos desenvolvendo uma ferramenta que nos permitirá proteger esses biomas por meio de incentivos positivos, sem recorrer a medidas punitivas”, afirmou Lula ao apresentar o fundo.
Metas brasileiras até 2035:
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Redução de 59% a 67% nas emissões de gases de efeito estufa.
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Aplicação da meta em todos os setores econômicos.
Críticas à escassez de financiamento climático
Lula criticou a insuficiência dos compromissos financeiros assumidos por países ricos e a ausência de avanços concretos. O presidente citou o fracasso da promessa feita na COP15 de mobilizar US$ 100 bilhões anuais para países em desenvolvimento.
“As promessas não cumpridas somam-se a cortes e retrocessos deliberados. O Protocolo de Kyoto foi um símbolo do nosso fracasso coletivo”, enfatizou.
Dados destacados:
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US$ 100 bilhões por ano prometidos na COP15 nunca foram mobilizados.
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A Ajuda Oficial ao Desenvolvimento foi reduzida em 7,1% em 2024.
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A COP de Baku (2024) teve resultados considerados decepcionantes.
Transição energética e minerais estratégicos
O presidente defendeu um modelo de transição energética sustentável, inclusivo e cooperativo, enfatizando que o Brasil está na vanguarda da produção de energias renováveis, como biocombustíveis e hidrogênio verde.
“A expansão de parques eólicos e solares e a descarbonização do setor de transportes e da agricultura dependem de minerais estratégicos. É impossível discutir a transição energética sem falar deles e sem incluir o Brasil”, afirmou Lula.
Principais dados sobre recursos minerais:
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Maior reserva mundial de nióbio.
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Segunda maior reserva de níquel, grafita e terras raras.
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Terceira maior reserva de manganês e bauxita.
Conflitos internacionais e papel da ONU
Durante o discurso, Lula condenou a escalada de conflitos internacionais. Afirmou que nenhum dos lados na guerra da Ucrânia obterá vitória pela via militar, defendendo o diálogo como única solução.
“Todos nesta sala sabem que, no conflito na Ucrânia, nenhum dos lados conseguirá atingir seus objetivos pela via militar. Só o diálogo entre as partes pode conduzir a um cessar-fogo e pavimentar o caminho para uma paz duradoura”, observou.
Em relação ao Oriente Médio:
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Condenou a matança de civis em Gaza.
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Criticou o uso da fome como arma de guerra.
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Alertou para os riscos dos ataques de Israel ao Irã.
“Os recentes ataques de Israel ao Irã ameaçam fazer do Oriente Médio um único campo de batalha, com consequências globais inestimáveis”, alertou Lula.
Lula defendeu o protagonismo da ONU nas negociações de paz, mencionando a crise no Haiti como exemplo de abandono internacional:
“No Haiti, a comunidade internacional permanece indiferente ao cotidiano de caos e atrocidades perpetradas pelo crime organizado”, disse.
Reunião bilateral com o primeiro-ministro do Canadá
Antes da sessão ampliada, Lula se reuniu com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que confirmou presença na COP30 e classificou o encontro em Belém como “o mais importante do mundo em 2025”.
“É importante para o G7 se tornar o que precisa ser. É importante para a gente providenciar o suporte que você merece, que o mundo merece, por todo seu esforço, incluindo a COP30, em Belém, que será a reunião mais importante deste ano mundialmente”, afirmou Carney.
“Eu gostaria que nós tivéssemos uma relação política, cultural e comercial e, também na questão do clima, muito mais forte. Esse é o meu propósito”, destacou Lula.
G7 e o contexto brasileiro
Criado em 1975, o G7 é composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e a União Europeia. O grupo representa cerca de 40% da economia global e tem poder decisivo em instituições multilaterais como o FMI e o Banco Mundial.
O Brasil mantém diálogo constante com os membros do G7 por meio do G20 e de organismos internacionais, reforçando sua atuação na governança global e na transição climática por meio da presidência da COP30.










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