O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou neste domingo (01/06/2025) que considera a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza um genocídio e criticou a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia, considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como território palestino. As declarações foram feitas durante o encerramento da convenção nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB), em Brasília.
Durante o discurso, Lula leu na íntegra a nota oficial do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), divulgada neste domingo, que condena “nos mais fortes termos” a decisão do governo israelense de aprovar 22 novos assentamentos na Cisjordânia.
“O governo brasileiro condena, nos mais fortes termos, o anúncio pelo governo israelense, realizado no dia 29 de maio, da aprovação de 22 novos assentamentos na Cisjordânia, território que é parte integrante do Estado da Palestina”, declarou Lula, citando o documento.
Conflito Israel-Palestina
Lula voltou a afirmar que a ofensiva em Gaza não representa o povo judeu nem o povo de Israel, mas sim uma decisão de governo.
“Essa guerra é uma vingança de um governo contra a possibilidade da criação do Estado Palestino. Por detrás do massacre em busca do Hamas, o que existe na verdade é a ideia de assumir a responsabilidade e ser dono do território de Gaza”, afirmou.
Em outro momento, Lula reforçou sua crítica à desproporcionalidade do conflito.
“O que nós estamos vendo não é uma guerra entre dois exércitos preparados, em campo de batalha, com as mesmas armas. É um exército altamente profissionalizado matando mulheres e crianças indefesas na Faixa de Gaza. Isso não é uma guerra. É um genocídio contra e em desrespeito a todas as decisões da ONU”, disse.
Ataque em Rafah agrava crise humanitária
Na manhã deste domingo (01/06/2025), um ataque do exército israelense nas proximidades de um centro de distribuição de alimentos em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, deixou pelo menos 31 mortos. Segundo a Defesa Civil palestina, drones e tanques dispararam contra civis que aguardavam por alimentos.
Esse é o segundo ataque fatal em menos de uma semana próximo de centros operados pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF), uma entidade privada apoiada por Israel e pelos Estados Unidos, criticada por organizações internacionais.
O exército de Israel nega que o alvo tenha sido intencional, apesar de reconhecer a operação na área.
Cessar-fogo mais distante
As negociações para um cessar-fogo entre Israel e Hamas enfrentaram retrocessos após os Estados Unidos considerarem “inaceitável” a resposta do Hamas à proposta americana. O primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, também declarou que a proposta do grupo palestino representa um retrocesso nas negociações.
Segundo a ONU, 100% da população da Faixa de Gaza está sob ameaça de fome, resultado direto do bloqueio imposto por Israel desde março de 2025. Mais de 54.321 palestinos, a maioria civis, morreram desde o início da ofensiva militar, conforme dados do Ministério da Saúde de Gaza, validados pela ONU.
Conflito Rússia-Ucrânia também é criticado
Durante o discurso, Lula também abordou o conflito entre Rússia e Ucrânia, manifestando novamente sua oposição à guerra.
“O Brasil também foi contra a ocupação territorial feita pela Rússia. O mundo está precisando de paz, de harmonia, de livros e não de armas. É isso que as pessoas têm de compreender”, afirmou.
O presidente também criticou os altos investimentos em defesa global.
“O mundo gastou no ano passado US$ 2,4 trilhões em armas, enquanto 733 milhões de pessoas vão dormir todas as noites sem ter o que comer. Não é por falta de alimento, é por falta de dinheiro para comprar”, declarou.
Reforma do Conselho de Segurança da ONU
Lula defendeu novamente a reforma do Conselho de Segurança da ONU, argumentando que o órgão perdeu força diante de sucessivas violações de seus próprios membros.
“Os EUA invadiram o Iraque sem consultar a ONU. França e Inglaterra fizeram o mesmo na Líbia. Israel faz o que faz em Gaza. A Rússia invadiu a Ucrânia. Se os próprios membros permanentes não respeitam o conselho, a ONU perde credibilidade”, afirmou.
O presidente brasileiro propôs a ampliação do conselho para incluir países como Alemanha, Índia, Japão, África do Sul, Brasil, México e Argentina, visando uma representação mais ampla e justa.
Posicionamento oficial do governo brasileiro
O Itamaraty considera que a decisão de Israel sobre os novos assentamentos na Cisjordânia configura “flagrante ilegalidade perante o direito internacional”. A nota oficial cita o parecer da Corte Internacional de Justiça (CIJ), de 19 de julho de 2024, que considera ilícita a ocupação contínua dos territórios palestinos.
“O Brasil repudia as recorrentes medidas unilaterais tomadas pelo governo israelense, que, ao imporem situação equivalente à anexação do território palestino ocupado, comprometem a implementação da solução de dois Estados”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores.
O comunicado também reafirma que o Brasil apoia a criação de um Estado Palestino soberano, com fronteiras anteriores a 1967 e capital em Jerusalém Oriental, convivendo de forma pacífica e segura ao lado de Israel.
*Com informações da Agência Brasil e RFI.
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