Representantes do setor agropecuário solicitaram nesta quarta-feira (28/05/2025), durante audiência pública na Comissão de Agricultura (CRA) do Senado, que o governo amplie os recursos do Plano Safra 2025/2026. A demanda é uma resposta ao aumento das taxas de juros e aos desafios logísticos e climáticos que impactam a produção agrícola.
O debate, proposto pelo senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), também tratou da necessidade de ampliar o financiamento para armazenagem, fortalecer os seguros agrícolas e oferecer linhas de crédito de longo prazo, visando garantir a competitividade e a segurança da produção rural.
Demandas do setor produtivo
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) defendeu a construção de um planejamento de médio prazo para o financiamento da produção agropecuária, buscando previsibilidade e estabilidade, mesmo diante de oscilações internacionais e efeitos climáticos.
“O país precisa de mecanismos permanentes no Plano Safra, construídos em conjunto entre o Parlamento e o Executivo, para garantir estabilidade ao setor”, afirmou Mourão.
O presidente da Aprosoja, Maurício Buffon, destacou que o país enfrenta uma defasagem na capacidade de armazenagem, já que apenas 40% da necessidade nacional está suprida atualmente.
“Existem muitas restrições ambientais que travam o acesso ao crédito rural. O governo oferece linhas de financiamento, mas cria barreiras do outro lado. Isso precisa ser resolvido”, disse Buffon.
O coordenador do Ramo Agropecuário da OCB, João José Prieto Flávio, apresentou três prioridades do setor:
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Aumento das fontes de recursos.
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Definição de montantes, limites e taxas adequadas.
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Fortalecimento da política agrícola, com foco na gestão de riscos.
“As taxas de juros precisam ser adequadas à realidade rural. Enquanto não houver uma política de seguro rural robusta, o Proagro deve ser mantido e fortalecido”, pontuou.
Propostas para estruturar o setor
O assessor técnico da CNA, Guilherme Augusto Costa Rios, defendeu a adoção de medidas estruturais como:
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Ampliação da capacidade de armazenagem.
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Melhoria na logística para escoamento da safra.
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Crédito rural mais acessível.
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Fortalecimento de ferramentas de gestão de risco.
“O Plano Safra robusto ajuda no controle da inflação dos alimentos e reduz a necessidade de medidas emergenciais que impactam negativamente a sociedade”, afirmou Rios.
Ele também ressaltou que, embora as regiões brasileiras apresentem demandas distintas, há problemas comuns, como excesso de burocracia, entraves ambientais e fundiários e falta de mecanismos eficientes para gestão de riscos.
Posicionamento do governo
O coordenador-geral de Financiamento à Produção Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Robson Lopes, afirmou que o governo está em fase de escuta e construção das fontes de financiamento, avaliando propostas em conjunto com o Ministério da Fazenda.
“O cenário fiscal impõe desafios, mas estamos buscando alternativas viáveis para atender às demandas do setor”, disse Lopes.
O subsecretário de Política Agrícola da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, reconheceu as limitações.
“2025 é um dos anos mais difíceis devido à escassez de recursos para equalizar juros e ampliar financiamentos”, explicou.
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos Júnior, destacou que o Plano Safra, com mais de 30 anos de existência, deixou de ser o principal financiador e passou a ser um norteador de crédito para o agronegócio, que atualmente cresce acima da capacidade do Tesouro.
“O maior desafio é compatibilizar recursos e taxas de juros. O cenário atual favorece mais o custeio do que investimentos de longo prazo, que se tornam inviáveis com os juros elevados”, avaliou Campos.
*Com informações da Agência Senado.
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