Quinta-feira, 12/06/2025 – A Justiça baiana determinou a interdição da Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) da Penitenciária Lemos de Brito, no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador, atendendo a pedido do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA). A medida, que deve ser cumprida no prazo de 30 dias, inclui ainda a obrigação de fornecer alimentação preparada externamente, em instalações com alvará sanitário e conformidade legal.
Fundamentação da decisão judicial
A decisão foi proferida com base em ação civil pública ajuizada em março de 2022 pela promotora de Justiça Andréa Ariadna, titular da Promotoria de Execuções Penais da capital. A ação teve como base relatórios técnicos e inspeções realizadas na unidade, que identificaram graves problemas estruturais na cozinha da penitenciária, colocando em risco a integridade física de internos e servidores públicos.
Entre os problemas constatados, destacam-se:
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Vazamentos de gás e riscos de incêndio
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Superaquecimento de equipamentos
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Falhas nos sistemas elétrico e hidráulico
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Alagamentos frequentes
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Incêndio registrado em uma das caixas de força
Esses elementos foram corroborados por laudos emitidos pela Vigilância Sanitária e pelo Corpo de Bombeiros, que classificaram o ambiente como insalubre e incompatível com as normas de segurança e saúde pública.
Obrigações impostas ao Estado
A Justiça determinou que o Estado da Bahia:
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Interdite a UAN no prazo de 30 dias
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Providencie alimentação externa em local regularizado
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Apresente plano de readequação da estrutura interna da cozinha
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Realize obras conforme laudo técnico da Defesa Civil de Salvador (CODESAL)
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Apresente novo laudo técnico para comprovar a regularização das inconformidades
A interdição permanecerá em vigor até que todas as adequações recomendadas estejam concluídas e validadas por novo parecer técnico da CODESAL.
Outras providências exigidas
Além da interdição imediata, o MPBA requereu informações atualizadas sobre as obras de construção de novas cozinhas nas unidades prisionais da capital e medidas emergenciais para garantir a continuidade da alimentação dos internos, enquanto não forem realizadas as reformas definitivas.
A ação civil pública faz parte de um esforço mais amplo da Promotoria de Execuções Penais para fiscalizar condições estruturais e sanitárias do sistema penitenciário baiano, diante de reiteradas denúncias de precariedade e omissão estatal.











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