ACM Neto encara nova ofensiva do PT: “Fala como se o povo da Bahia devesse a ele ser governador”, diz Éden Valadares

O presidente do Partido dos Trabalhadores da Bahia, Éden Valadares, reagiu de forma incisiva às recentes declarações do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), sobre as eleições estaduais de 2026. Em pronunciamento nesta quinta-feira (31/07/2025), Valadares afirmou que o discurso de ACM Neto revela um projeto pessoal de poder e minimiza a importância do trabalho político coletivo.

Segundo Éden, o ex-prefeito “fala como se o povo da Bahia devesse a ele ser governador”, ao comentar que estaria se preparando “a vida toda” para ocupar o cargo. O petista também rebateu a afirmação de que essa será a primeira disputa direta entre Neto e o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Éden acusa ACM Neto de distorcer os fatos e reforçar projeto pessoal

Durante a coletiva, Valadares afirmou que Neto mente ao dizer que disputará pela primeira vez com Jerônimo Rodrigues, relembrando que a eleição de 2022 já foi um confronto direto entre ambos, com vitória do petista no primeiro turno.

“Zero novidade no que ACM Neto falou. Ele já se sentia governador na última eleição. Disse na TV que se preparou a vida inteira para isso, como se o cargo fosse uma herança. A Bahia não é uma terra a ser herdada”, declarou Éden.

O dirigente também pontuou que ser governador exige preparo, conhecimento do estado, disposição para o diálogo com a população e, sobretudo, um programa concreto para o desenvolvimento humano e territorial da Bahia.

Petista ironiza contradições e sugere que Neto ainda não superou derrota

Éden Valadares ironizou o tom de confiança de ACM Neto ao mencionar uma possível vitória fácil contra uma eventual chapa com três nomes do PT: Jerônimo Rodrigues, o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

“ACM Neto precisa se decidir: ele vai perder só para Jerônimo ou para os três governadores?”, provocou Valadares. “Todo mundo vê que ele ainda não digeriu a derrota de 2022.”

A crítica também apontou para a contradição de Neto declarar simultaneamente que será a primeira disputa com Jerônimo, enquanto ataca uma possível ‘trinca’ petista composta por nomes que já comandaram o estado.

Cenário político se aquece com antecipação da disputa para 2026

As declarações de ambos os lados ocorrem em meio ao recrudescimento do embate político entre PT e União Brasil na Bahia, num cenário de antecipação da pré-campanha para as eleições de 2026.

No campo governista, há articulações que indicam a manutenção da hegemonia petista, consolidada desde 2007 com Jaques Wagner, seguida por Rui Costa e agora Jerônimo. A união do trio em um mesmo palanque é vista como símbolo de continuidade administrativa e força eleitoral.

Do outro lado, ACM Neto tenta reposicionar sua imagem após a derrota de 2022, que interrompeu uma trajetória de favoritismo apontada por diversas pesquisas à época.

Estratégia do PT reforça polarização e mobilização antecipada

Com a reação pública de Éden Valadares, o PT sinaliza que não pretende deixar declarações de adversários sem resposta, reforçando uma estratégia de enfrentamento direto a qualquer tentativa de reconstrução da imagem de ACM Neto.

A movimentação é também um indicativo de que a polarização entre petistas e carlistas continuará sendo o eixo central da política baiana nos próximos anos, mesmo diante de eventuais candidaturas alternativas ou mudanças de conjuntura.

Ambiente político polarizado

A antecipação do debate eleitoral revela um ambiente político polarizado e de baixa tolerância entre lideranças tradicionais da Bahia. A narrativa de Éden Valadares é eficaz em associar ACM Neto a um projeto personalista e a uma retórica de “direito hereditário” ao poder, enquanto o PT tenta sustentar o discurso de continuidade com base em resultados de gestão. Contudo, a insistência em atacar um adversário derrotado pode ser interpretada como sinal de preocupação com a possibilidade de rearticulação da oposição, que segue relevante em termos de capital político e eleitoral. A ausência de propostas objetivas no discurso de ambos os lados também fragiliza o debate público, que segue mais centrado em ataques pessoais do que em agendas para o futuro da Bahia.


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