Agendada posse de Tainá Santos como presidente do Conselho Estadual de Cultura da Bahia

A artista e produtora cultural Tainá Santos, de 25 anos, assumirá a presidência do Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC) nesta sexta-feira (04/07/2025), às 9h, em cerimônia oficial na sede do órgão, localizada no bairro do Canela, em Salvador. Eleita no dia 30 de maio, juntamente com o vice-presidente Pedro Son, Tainá representa uma nova geração de agentes culturais, comprometida com a renovação, a democratização e a ressignificação dos espaços institucionais de cultura no estado.

Representatividade e trajetória cultural de base

Nascida na zona rural de São Miguel das Matas, no território do Vale do Jiquiriçá, Tainá Santos é a terceira mulher a presidir o Conselho Estadual de Cultura da Bahia, sucedendo Eulâmpia Santana Reiber (2005-2006) e Pam Batista (2019-2021). Conhecida artisticamente como MAIT e Kaolin, sua trajetória é marcada pela atuação na cultura de base, principalmente no hip hop, e pela defesa da representatividade no campo cultural.

Durante a adolescência, após diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno do Espectro Autista (TEA), começou a transformar conteúdos escolares em poemas como forma de facilitar a aprendizagem. Esse processo levou ao contato com o rap. “Fui apresentada aos Racionais MC’s, Facção Central, Dexter. O rap me deu linguagem”, relatou.

Articulação, produção cultural e ativismo

A partir de 2018, Tainá passou a organizar batalhas de rima e eventos culturais independentes, frequentemente financiados com recursos próprios. É estudante de História na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), no campus de Santo Antônio de Jesus, e atua como produtora cultural na Gangcity e na Rede RUA. Também é Abiã de Candomblé, artista da 7KMob e assessora de outros artistas. Suas áreas de atuação envolvem gênero, capoeira e visibilidade feminina no rap.

“A minha chegada ao Conselho é sobre quebra de paradigmas. Sou uma mulher preta, bissexual, do Candomblé, da zona rural, com TDAH e TEA. Represento um conjunto de identidades que historicamente foram marginalizadas pela sociedade”, declarou.

Posicionamento institucional da Secretaria de Cultura

O secretário estadual de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, ressaltou que a eleição da nova mesa diretora reflete a atual diretriz da gestão cultural do Estado, voltada à inclusão e à ampliação do acesso à cultura. “A experiência de Pedro Son, aliada à renovação representada por Tainá, traduz o compromisso com pautas históricas e os desafios contemporâneos da cultura baiana. A eleição de uma mulher jovem, negra, do interior, neurodivergente e representante da cultura popular fortalece o papel do Conselho como órgão sintonizado com as lutas sociais e culturais atuais”, afirmou.

Caminho até o Conselho Estadual de Cultura

Tainá conheceu o Conselho durante um evento de hip hop em Salvador, no qual atuou como jurada de batalha de rappers. “Sabia da existência do Conselho, mas parecia algo distante, inacessível. Nunca imaginei ocupar esse espaço”, comentou. Incentivada por colegas da Rede RUA, candidatou-se como conselheira, representando o território de identidade do Recôncavo, e foi eleita pela sociedade civil.

“Eu e Pedro fomos eleitos por pessoas que acreditam na possibilidade de transformação. Tenho orgulho de estar acompanhada por alguém que representa a cultura popular e traz uma bagagem imensa”, acrescentou.

Vice-presidente defende abertura institucional

Pedro Son, eleito vice-presidente do Conselho, enfatizou a importância da inclusão e da participação cidadã: “O Conselho ainda é visto como um espaço fechado. Com jovens e lideranças como Tainá, temos a oportunidade de romper essa barreira, por meio de mais escuta, transparência e ação direta”.

Tainá reforçou a importância de sua origem e das pessoas que representa. “Sou neta de costureira, bisneta de lavrador. Minha família viveu da terra. Apenas um tio completou o ensino superior e hoje cursa doutorado. Venho desse lugar e trago comigo um território inteiro. Minha presença simboliza que esse espaço também nos pertence”.

Sobre o Conselho Estadual de Cultura da Bahia

O Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC) é um órgão colegiado do Sistema Estadual de Cultura, criado em 1967. Sua principal função é colaborar na formulação da política estadual de cultura, conforme previsto na Lei Orgânica da Cultura (Lei nº 12.365/2011). O CEC é composto por 30 conselheiros titulares e seus suplentes, sendo dois terços eleitos pela sociedade civil, representando territórios de identidade cultural e segmentos e fazeres culturais, e o restante nomeado pelo poder público.

O CEC foi o primeiro conselho estadual de cultura do Brasil a incluir agentes culturais da sociedade civil mediante processo eleitoral direto.


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