Brasil sai oficialmente do Mapa da Fome da ONU após queda histórica da insegurança alimentar

Nesta segunda-feira (28/07/2025), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) anunciou oficialmente que o Brasil saiu do Mapa da Fome, com base nos dados consolidados do período trienal 2022–2024. A taxa de subnutrição no país ficou abaixo do limite de 2,5% da população, critério utilizado pela FAO para caracterizar a presença de um país no Mapa.

A retirada representa a segunda vez que o país conquista essa marca, após feito semelhante em 2014. A reversão da insegurança alimentar, considerada grave em 2022, ocorreu em apenas dois anos, impulsionada por políticas públicas integradas nas áreas de assistência social, emprego, saúde, educação e agricultura familiar.

Declarações oficiais destacam compromisso com combate à fome

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a conquista em suas redes sociais:

“O Brasil está fora do Mapa da Fome, mais uma vez. Isso significa que reduzimos a insegurança alimentar grave e a subnutrição para menos de 2,5% da população.”

O ministro Wellington Dias, titular do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, afirmou que essa era a prioridade do governo desde janeiro de 2023:

“A meta era sair do Mapa até o fim de 2026. Com o Plano Brasil Sem Fome, alcançamos em dois anos. Não há soberania sem justiça alimentar.”

Principais fatores para a saída do Mapa da Fome

1. Redução da pobreza e da fome

  • 24 milhões de pessoas deixaram a situação de insegurança alimentar grave até o fim de 2023, segundo o IBGE.

  • A pobreza extrema caiu para 4,4% da população em 2023, o menor índice já registrado.

  • Cerca de um milhão de famílias deixaram de receber o Bolsa Família em julho de 2025 por superarem a linha da pobreza.

2. Estímulo ao emprego e geração de renda

  • A taxa de desemprego chegou a 6,6% em 2024, a menor desde 2012.

  • O rendimento médio domiciliar per capita alcançou R$ 2.020 em 2024.

  • O índice de Gini caiu para 0,506, marcando redução da desigualdade.

3. Inclusão produtiva via CadÚnico

  • Das 1,7 milhão de novas vagas formais criadas em 2024, 98,8% foram ocupadas por inscritos no Cadastro Único.

  • 1,27 milhão de beneficiários do Bolsa Família foram contratados com carteira assinada no mesmo período.

O papel do Plano Brasil Sem Fome e da agricultura familiar

A estratégia para erradicação da fome reuniu diversas ações coordenadas:

  • Bolsa Família com atualização de critérios e valores;

  • Programa de Aquisição de Alimentos (PAA);

  • Cozinhas Solidárias;

  • PRONAF, com crédito ampliado para agricultores familiares;

  • Valorização do salário mínimo e capacitação profissional;

  • Fortalecimento da alimentação escolar como política pública universal.

Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza fortalece atuação internacional

Lançada em 2024 durante a presidência brasileira do G20, a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza já reúne 101 países, fundações e organizações. A iniciativa busca alinhar políticas públicas globais aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente os que tratam da erradicação da fome e da pobreza até 2030.

O governo brasileiro defende que o modelo implementado internamente pode ser adaptado por outras nações, articulando cooperação técnica, financiamento e troca de experiências bem-sucedidas.

Entenda os critérios da ONU para o Mapa da Fome

O que é o Mapa da Fome?

É uma ferramenta da FAO/ONU que identifica países onde mais de 2,5% da população vive em subalimentação crônica, ou seja, sem acesso regular a alimentos suficientes.

Como é feito o cálculo?

O indicador PoU (Prevalência de Subnutrição) considera:

  • Quantidade de alimentos disponíveis no país;

  • Distribuição desses alimentos entre a população (considerando desigualdades de renda);

  • Ingestão calórica mínima diária necessária para uma vida saudável.

Por que o Brasil foi retirado em 2025?

A média dos anos 2022/2023/2024 colocou o país abaixo de 2,5% no indicador PoU, mesmo com o ano de 2022 tendo sido crítico.

Quais dados orientam as políticas públicas no Brasil?

Além do relatório da FAO, o Brasil utiliza:

  • Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), aplicada pelo IBGE;

  • Pesquisa Nacional de Saúde;

  • Triagem de Risco de Insegurança Alimentar (TRIA) em UBS;

  • Dados nutricionais do Bolsa Família e CadÚnico com cruzamento estatístico por município.

Relatório SOFI 2025: dados globais e regionais

O relatório SOFI 2025, divulgado durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU (UNFSS+4) em Adis Abeba (Etiópia), compila dados globais e regionais sobre a segurança alimentar. A publicação é elaborada pela FAO em conjunto com outras agências da ONU, como UNICEF, FIDA, PMA e OMS, e traz as estimativas mais atualizadas sobre subnutrição mundial.


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