Nesta segunda-feira (28/07/2025), o Brasil foi oficialmente retirado do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). O anúncio foi realizado durante a Cúpula dos Sistemas Alimentares, realizada em Adis Abeba, capital da Etiópia. A decisão baseia-se na média trienal de 2022 a 2024, que indicou que menos de 2,5% da população brasileira está em situação de subnutrição, índice de corte adotado pela FAO.
Políticas públicas integradas garantiram o resultado
A retirada do Brasil da lista da FAO resulta da articulação de políticas públicas em diferentes áreas, com destaque para os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e os programas de acesso à alimentação, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Essas iniciativas foram complementadas por ações estruturantes nas áreas de crédito rural, agricultura familiar, desenvolvimento regional e irrigação.
Entre os destaques está a reativação do programa AgroAmigo, relançado em dezembro de 2024 sob gestão do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). A nova versão da iniciativa já movimentou mais de R$ 100 milhões e tem previsão de R$ 1 bilhão em investimentos até o final de 2025, viabilizando acesso ao crédito para agricultores familiares, com foco em infraestrutura e aquisição de insumos.
O ministro Waldez Góes ressaltou que o microcrédito rural permite que comunidades tradicionais, como assentados da reforma agrária, pescadores, indígenas, quilombolas e ribeirinhos, tenham acesso ao processo de desenvolvimento econômico e social do país.
Queda da insegurança alimentar grave
Segundo o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, o Brasil reduziu em 85% a população em insegurança alimentar grave entre 2023 e 2024. O resultado antecipou a meta estabelecida para 2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o ministro, a meta agora é assegurar alimentação digna para 100% da população, ampliando a segurança e a soberania alimentar.
Apoio à produção e à geração de renda
Outro eixo estruturante foi o fortalecimento de Arranjos Produtivos Locais (APLs) e das Rotas de Integração Nacional, com foco em cadeias produtivas regionais como leite, mel, castanha, pesca artesanal, agroecologia e turismo comunitário. Essas ações visam organizar a produção, facilitar o acesso ao mercado e gerar renda nas comunidades locais.
A irrigação também teve papel estratégico. O MIDR, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica, ampliou os Polos de Agricultura Irrigada, com 18 polos em operação e o objetivo de expandir o potencial de irrigação para até 53,4 milhões de hectares. A iniciativa busca aumentar a produtividade agrícola durante todo o ano, reduzindo os efeitos da estiagem.
Reconhecimento internacional e continuidade das ações
O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, reconheceu a experiência brasileira como exemplo de políticas eficazes para países em desenvolvimento. Após o anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o dirigente da FAO, reiterando que a erradicação da fome exige priorização orçamentária para a população vulnerável.
Lula afirmou que continuará atuando como “soldado do Brasil e da FAO” no enfrentamento à fome, independentemente de mandato. O presidente da FAO afirmou que Lula é “comandante-chefe” da mobilização contra a insegurança alimentar. Está prevista uma visita da FAO ao Brasil em 2026, durante o Fórum da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), para conhecer as experiências brasileiras.
O Plano Brasil Sem Fome, estruturado com apoio de ministérios e governos estaduais, seguirá como estratégia central para consolidar os avanços. O foco permanece na qualificação dos sistemas alimentares, inclusão produtiva e fortalecimento das redes locais de produção e distribuição de alimentos.








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