A crise alimentar em Gaza atingiu níveis alarmantes nesta quinta-feira (24/07/2025), com relatos de trabalhadores humanitários desmaiando de fome durante o expediente, conforme denúncia do comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também confirmou a gravidade da situação, destacando a escassez de alimentos e água potável entre seus próprios funcionários em operação no território.
Durante entrevista à ONU News, o chefe da OMS em Gaza, Rik Peeperkorn, afirmou que a organização enfrenta dificuldades crescentes para garantir o mínimo de sustento aos seus trabalhadores. Ainda que disponham de suprimentos mínimos, a carência de insumos básicos ameaça a continuidade das atividades médicas e assistenciais no território.
Segundo a UNRWA, profissionais de saúde sobrevivem com uma refeição diária composta, muitas vezes, apenas por lentilhas, quando disponíveis. Casos de desmaios por inanição foram registrados entre médicos, enfermeiros e outros trabalhadores da linha de frente, caracterizando um colapso funcional das missões humanitárias.
Sistema humanitário em risco de colapso
Em comunicado público, Lazzarini classificou a situação como “cadáveres ambulantes”, referindo-se à condição física e psicológica da população e dos trabalhadores locais. O comissário destacou que, quando os cuidadores estão sem alimentação adequada, “todo o sistema humanitário entra em colapso”. A afirmação expõe a fragilidade do socorro internacional diante do bloqueio imposto à entrada de suprimentos.
6 mil caminhões aguardam liberação nas fronteiras
De acordo com a ONU, há atualmente mais de 6 mil caminhões carregados com alimentos e insumos médicos retidos na Jordânia e no Egito, à espera de autorização do governo de Israel para ingressar em Gaza. O impasse logístico impede o atendimento de necessidades urgentes da população e do corpo técnico internacional.
As agências da ONU reforçaram o pedido por autorização imediata e irrestrita para que seus parceiros humanitários levem auxílio ininterrupto ao território, em conformidade com o direito internacional humanitário. Até o momento, a liberação segue condicionada a negociações diplomáticas e medidas de segurança israelenses.
Risco de colapso humanitário total
O prolongamento da crise representa risco iminente de colapso total da estrutura humanitária em Gaza, colocando em xeque a capacidade de resposta das organizações internacionais. A escassez de água potável, a ausência de combustível e a limitação de insumos médicos agravam o cenário em meio à destruição provocada pela guerra.
O quadro atual revela que não apenas a população civil, mas também os agentes de ajuda estão sendo afetados diretamente pela escassez, o que compromete a continuidade das operações humanitárias e impõe novos desafios à atuação da ONU e de suas agências especializadas.
Compartilhe isso:
- Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
- Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
- Compartilhar no X(abre em nova janela) X
- Compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn
- Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Compartilhar no Tumblr(abre em nova janela) Tumblr
- Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram








Deixe um comentário