Em artigo publicado na Tribuna da Bahia, intitulado “Coragem, temeridade e justiça”, o escritor e ex-deputado constituinte Joaci Góes traçou um panorama crítico da atual conjuntura brasileira. O texto foi veiculado na edição desta quinta-feira (24/07/2025) do jornal, com uma reflexão contundente sobre o agravamento das tensões políticas e institucionais no país diante da escalada de conflitos entre os grupos liderados por Lula e Jair Bolsonaro.
Coragem sem espetáculo: referência à crise moral e institucional
Logo na abertura do artigo, Góes evoca uma citação de Napoleão Bonaparte, segundo a qual “a verdadeira coragem é aquela das três horas da madrugada”, ou seja, aquela praticada sem aplauso ou testemunhas. A partir desta máxima, o autor faz uma analogia com o cenário político atual, em que, segundo ele, muitos atores buscam parecer valentes à custa da estabilidade nacional, provocando “uma situação de risco de intensidade até então desconhecida ao longo dos cinco séculos de História” do Brasil.
Polarização como ameaça à democracia e à economia
Joaci Góes observa que a polarização entre lulistas e bolsonaristas se intensifica à medida que se aproxima o dia 1º de agosto, data prevista para a entrada em vigor das tarifas de 50% impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump sobre produtos brasileiros. Para o autor, o ambiente é de “tensão máxima” e há “desejo de completa eliminação do outro” entre os dois polos políticos, o que revela, segundo ele, um “desserviço aos melhores interesses da nossa claudicante experiência democrática”.
“Cresce o consenso sobre a urgente necessidade de neutralizarmos os líderes dessa polarização”, escreve Góes, defendendo a emergência de novas lideranças políticas capazes de superar o impasse atual.
Possível prisão de Bolsonaro e a reação do STF
No trecho mais tenso do artigo, o autor menciona a possibilidade da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, considerada por ele improvável, mas não descartada, diante das medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Góes afirma que, mesmo desgastados pelas polêmicas envolvendo ministros da Corte, há indicações de que o STF formará maioria para impedir a eventual prisão do ex-presidente, por entender que a medida seria “excessiva, desnecessária e fomentadora da elevação do Brasil à condição de pária da diplomacia internacional”.
Segundo ele, uma medida tão drástica contra Bolsonaro poderia desestabilizar ainda mais o cenário institucional, inclusive com a possibilidade de impeachment de Lula como forma de restaurar a normalidade diplomática brasileira.
Crítica severa à condução do governo Lula
O autor do artigo não poupa críticas ao atual presidente da República. Em suas palavras, a condução política de Lula tem arrastado o Brasil a uma “queda de braço” danosa, motivada por um “misto de despreparo intelectual e irresponsabilidade comportamental”. Joaci Góes conclui que essa combinação já atinge proporções “épicas” e compromete seriamente a imagem e os interesses do país no exterior.
“Não há como o Brasil não sair perdendo nesta queda de braço”, sentencia o autor, alertando para o poder de retaliação dos Estados Unidos em diversas frentes, dada sua superioridade tecnológica, militar e econômica.
Comparação simbólica: “Sim! Nicholas Maduro tem parelha no Brasil”
Encerrando o artigo com uma provocação contundente, Joaci Góes compara Lula a Nicolás Maduro, insinuando que o autoritarismo e a má condução política não são exclusivos da Venezuela. A frase final tem o peso de uma advertência à sociedade brasileira: “Sim! Nicolás Maduro tem parelha no Brasil”.
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