A missão oficial do Senado Federal iniciou nesta segunda-feira (28/07) uma série de reuniões estratégicas em Washington, com o objetivo de barrar a entrada em vigor da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo governo dos Estados Unidos. A medida tarifária, com previsão de implementação a partir de 1º de agosto de 2025, atinge setores-chave da economia nacional, como o agronegócio e a indústria de máquinas e aeronaves.
A delegação é composta por oito senadores, incluindo Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) e coordenador da missão, além de Jaques Wagner (PT‑BA), Carlos Viana (Podemos-MG), Rogério Carvalho (PT-SE), Esperidião Amin (PP-SC), Teresa Cristina (PP-MS), Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e Fernando Farias (MDB-AL).
Encontros com diplomatas, embaixadores e setor empresarial
Os primeiros compromissos da comitiva ocorreram na residência oficial da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti, com participação de representantes do Itamaraty, da embaixada brasileira e do ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo.
Na parte da tarde, os parlamentares seguiram para a sede da Câmara Americana de Comércio, onde se reuniram com líderes empresariais e representantes do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos. O cronograma da missão prevê ainda seis encontros com congressistas norte-americanos, com possibilidade de ampliação.
Segundo Nelsinho Trad, a atuação da comitiva será pautada pelo pragmatismo. “Vamos demonstrar, com dados objetivos, o impacto da sobretaxa sobre os estados representados por senadores e deputados norte-americanos. Mostraremos que essa política tarifária é de lógica perde-perde”, afirmou o senador.
Contexto político e disputa eleitoral nos EUA
A articulação brasileira ocorre em um momento de tensão diplomática, impulsionada por motivações políticas. O presidente Donald Trump justificou a imposição das tarifas com base em suposta perseguição judicial do STF ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente investigado por tentativa de golpe de Estado.
A declaração constou em carta oficial enviada em 9 de julho ao governo brasileiro. O argumento, considerado inusitado no meio diplomático, provocou reação no Congresso americano: 11 senadores democratas enviaram correspondência ao presidente dos EUA pedindo a revogação das tarifas, apontando um possível abuso de poder.
Reações diplomáticas e novas frentes de negociação
A embaixadora Maria Luiza Viotti informou que os diálogos bilaterais tiveram início em março com a criação de um grupo técnico de trabalho, e que o governo brasileiro apresentou documentos indicando que a tarifa média efetiva de importação brasileira é de apenas 2,7%.
Viotti ainda declarou que a reação do governo Trump foi recebida com surpresa, mas que o Brasil permanece “à disposição para dialogar”. Segundo a embaixadora, ações judiciais em curso nos EUA questionam a legalidade das sobretaxas, o que poderá abrir margem para a reversão da medida.
Impactos econômicos e resposta do governo Lula
Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 30 segmentos da economia brasileira direcionam ao menos 25% de suas exportações aos EUA. Entre os mais afetados:
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Tratores e máquinas agrícolas: redução de 23,61% nas exportações e 1,86% na produção;
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Aeronaves e equipamentos de transporte: queda de 22,33% nas exportações e 9,19% na produção;
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Carnes de aves: retração de 11,31% nas exportações e 4,18% na produção.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, conduz paralelamente ações diplomáticas. O chanceler Mauro Vieira desembarcou nos EUA nesta segunda-feira, para participar de evento da Organização das Nações Unidas (ONU), mas também integrará a agenda de negociações com o governo norte-americano.
Debate sobre comércio digital e serviços financeiros
Além do tarifaço, os EUA anunciaram em julho a abertura de uma investigação interna sobre práticas comerciais brasileiras, apontando supostos prejuízos às empresas Visa e Mastercard. Um dos focos é o sistema de pagamentos instantâneos Pix, considerado pelos norte-americanos um obstáculo à competitividade.
O ex-diretor da OMC, Roberto Azevêdo, avaliou o momento como “janela estratégica” para o Brasil.
“A atual conjuntura exige do país uma reflexão profunda sobre como fazer negócios e aproximar-se mais dos Estados Unidos. Não podemos desperdiçar essa mobilização”, declarou.
Pontos principais da missão nos EUA
| Tema | Detalhe |
|---|---|
| Objetivo da missão | Revogar tarifa de 50% sobre exportações brasileiras |
| Data de início | Segunda-feira, 28 de julho de 2025 |
| Coordenador | Senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da CRE |
| Reuniões previstas | Câmara de Comércio, parlamentares dos EUA, líderes empresariais |
| Tarifa entra em vigor | 1º de agosto de 2025 |
| Produtos mais afetados | Máquinas agrícolas, aeronaves, carnes de aves |
| Alvo da investigação dos EUA | Comércio digital e sistema Pix |







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