Forças sírias se retiram de Sueida e facções drusas assumem controle da segurança

Decisão foi tomada após cessar-fogo mediado por EUA, países árabes e Turquia, em meio a confrontos que deixaram mais de 370 mortos.
Decisão foi tomada após cessar-fogo mediado por EUA, países árabes e Turquia, em meio a confrontos que deixaram mais de 370 mortos.

Na quinta-feira (17/07/2025), o governo da Síria retirou todas as forças militares da província de Sueida, no sul do país, conforme confirmado pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). A região, de maioria drusa, passou a ter a segurança sob responsabilidade de facções locais, após acordo de cessar-fogo firmado na quarta-feira (16/07/2025). A decisão foi anunciada em pronunciamento do presidente interino Ahmed al Sharaa, após dias de intensos confrontos comunitários.

Retirada total das forças governamentais

A presença do Exército sírio na província, iniciada na terça-feira (15/07/2025), foi encerrada na manhã de quinta-feira. Segundo o OSDH, todas as forças militares deixaram a cidade e a província de Sueida. A medida foi tomada após combates que resultaram em mais de 370 mortes desde domingo (13/07/2025), de acordo com a organização.

O site de notícias local Sueida 24 relatou que não há mais tropas governamentais na cidade, e que a situação nas ruas é crítica. O editor-chefe do veículo, Rayan Maarouf, descreveu o cenário como “com corpos espalhados pelas ruas”.

Transferência do controle à comunidade drusa

Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, o presidente interino afirmou que a segurança será gerida por facções e lideranças drusas locais, visando evitar o agravamento do conflito. Segundo Sharaa, a retirada busca impedir uma guerra em larga escala na província.

Priorizamos o interesse dos sírios em vez do caos e da destruição”, declarou.

O presidente ressaltou que a decisão considerou duas alternativas: um confronto direto com Israel ou a entrega do controle da região às lideranças comunitárias.

Intervenção de Israel e contexto regional

Na quarta-feira (16/07/2025), Israel bombardeou Sueida e o quartel-general do Exército sírio em Damasco, sob justificativa de proteger a comunidade drusa. O governo israelense é contrário à presença de forças sírias próximas à sua fronteira e já impediu a chegada de jovens drusos das Colinas de Golã à região, usando bombas de efeito moral.

Segundo Sharaa, os bombardeios israelenses tiveram como objetivo fragilizar o governo sírio, que contou com mediação de Estados Unidos, países árabes e Turquia para viabilizar o cessar-fogo e evitar a escalada da crise.

Acusações e promessas de responsabilização

O OSDH denunciou que, durante os confrontos, 27 civis foram executados por agentes ligados aos ministérios da Defesa e do Interior. Em resposta, o presidente interino prometeu responsabilizar os envolvidos por abusos contra a população drusa.

A minoria drusa, com presença significativa na Síria, Líbano e Colinas de Golã, tem desempenhado papel estratégico na região. Os recentes conflitos em Sueida foram deflagrados após o sequestro de um comerciante druso e envolveram confrontos entre tribos beduínas sunitas e combatentes drusos.

Cessar-fogo sob incertezas

Apesar do acordo de cessar-fogo, o deputado Walid Joumblatt, representante político da comunidade drusa no Líbano, alertou para a fragilidade da trégua. Segundo ele, nem todos os grupos drusos aceitaram o acordo, e há setores que defendem a separação da província em relação ao Estado sírio.

Joumblatt apontou que ações de Israel visam à fragmentação da Síria, aproveitando o contexto geopolítico para enfraquecer o país. Ele expressou preocupação com a vulnerabilidade de Sueida na ausência das forças do governo, especialmente diante das ambições da atual liderança israelense.

*Com informações da RFI.


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