FUP e Anapetro cobram posicionamento oficial da Petrobrás sobre possível privatização do Polo Bahia Terra

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Anapetro exigiram que a Petrobrás esclareça oficialmente sua posição sobre a possível venda ou terceirização do Polo Bahia Terra. O pedido ocorre após declarações da presidente da estatal, Magda Chambriard, que reacenderam mobilizações sindicais e críticas sobre a ameaça de desmonte da Petrobrás no Nordeste. O Polo é responsável por significativa produção de petróleo e gás e tem impacto direto na economia regional.

Terça-feira, 29/07/2025 – A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobrás (Anapetro) formalizaram nesta terça-feira (29/07/2025), por meio de documento oficial, uma cobrança direta à diretora de Exploração e Produção da Petrobrás, Sylvia dos Anjos, e ao gerente executivo de Terras e Águas Rasas, Stênio Jayme Galvão. As entidades solicitam que a companhia publique, com urgência, um fato relevante que esclareça sua posição institucional sobre a venda do Polo Bahia Terra, localizado no estado da Bahia.

A solicitação ocorre no contexto da declaração feita no início de julho pela presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, sobre a possibilidade de privatização ou terceirização da operação dos ativos do Polo Bahia Terra. Desde então, a FUP, o Sindipetro Bahia e outras entidades representativas do setor vêm promovendo atos públicos, reuniões e mobilizações sindicais para contestar o que classificam como um retrocesso estratégico da estatal no Nordeste.

A FUP e seus sindicatos filiados reafirmam que a permanência da Petrobrás na Bahia é fundamental para a manutenção do emprego, da cadeia produtiva regional e da soberania energética. A entidade também critica a falta de transparência da empresa quanto às decisões relativas ao Polo.

Produção e importância do Polo Bahia Terra

O Polo Bahia Terra é composto por 28 blocos de exploração e é responsável por uma produção diária de aproximadamente 9 mil barris de petróleo ou 12 mil barris de óleo equivalente, incluindo gás natural. A área tem significativa relevância econômica e social, especialmente no interior da Bahia, onde empregos diretos e indiretos estão vinculados à sua operação.

Posicionamento da FUP: crítica à possibilidade de privatização

O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, foi enfático ao classificar como “inaceitáveis” as declarações sobre a venda do Polo Bahia Terra. Para ele, qualquer tentativa de privatização representa “a repetição de erros históricos” da Petrobrás:

“É um retrocesso que ameaça a história, os empregos e o futuro da Petrobrás. Privatizar é repetir os erros do passado: precarização do trabalho, fuga de investimentos e desmontes que só prejudicam o povo brasileiro”, afirmou Bacelar.

As entidades também alertam para o desmonte gradual da estatal em regiões estratégicas, o que pode comprometer os compromissos da empresa com desenvolvimento regional, soberania energética e responsabilidade social.

Histórico recente da disputa e riscos de desmobilização

Desde o governo anterior, o Polo Bahia Terra esteve entre os ativos listados para alienação. No entanto, com a chegada do novo governo federal e a nomeação de Magda Chambriard para a presidência da companhia, havia expectativas de reversão do processo de desinvestimento. A recente sinalização de continuidade do plano de venda ou terceirização, no entanto, gerou nova onda de reações.

A FUP e a Anapetro defendem que a estatal reassuma integralmente a gestão e a operação do Polo, sem recorrer a parceiros privados ou modelos híbridos de concessão. O argumento central é que a empresa possui estrutura técnica e experiência consolidada para explorar de forma eficiente os ativos do Polo, garantindo retorno econômico e social ao país.

Perspectivas e desdobramentos

A exigência de publicação de um fato relevante visa forçar a Petrobrás a se posicionar oficialmente perante os mercados, acionistas e sociedade brasileira, o que poderá determinar o rumo das negociações e das mobilizações sociais em curso. Até o momento, a companhia não se manifestou publicamente sobre o conteúdo do documento encaminhado.


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