O ministro da Casa Civil, Rui Costa, criticou nesta quarta-feira (30/07/2025) as novas tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos de exportação brasileiros, classificando a medida como “unilateral, injustificada e politicamente motivada”. Durante entrevista, Costa afirmou que o governo brasileiro avalia medidas de reciprocidade, sem descartar a adoção de sanções comerciais e o fortalecimento de parcerias com outros mercados internacionais.
Segundo o ministro Rui Costa, não houve qualquer notificação diplomática formal da Casa Branca à Presidência da República ou ao Itamaraty. A medida foi anunciada exclusivamente por meio das redes sociais do presidente Trump, o que, de acordo com o governo brasileiro, viola os protocolos tradicionais de relações diplomáticas entre nações soberanas.
“O Brasil é independente desde 1822 e não aceita ingerência externa nos seus processos internos, especialmente do sistema judiciário”, afirmou Costa, referindo-se às alegações do governo norte-americano sobre suposta interferência política no Judiciário brasileiro.
Justificativas de Trump incluem críticas à regulação de plataformas digitais
O presidente norte-americano também alegou, em sua publicação, que a taxação se deve à proposta de regulação das chamadas “big techs” no Brasil. Costa rebateu, afirmando que a regulação digital é um dever soberano do Estado brasileiro e que “não se trata de censura, mas de proteção à infância, combate à pedofilia, tráfico de drogas e discurso de ódio nas plataformas”.
Rui Costa afirma que não há déficit comercial dos EUA com o Brasil
Outro ponto rebatido foi a alegação de que os EUA teriam prejuízos comerciais com o Brasil. De acordo com o ministro, dados oficiais comprovam que, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos tiveram superávit expressivo na balança comercial bilateral.
“Não há base factual para essa narrativa protecionista. O Brasil é quem perde mais no comércio com os EUA”, destacou.
Reação diplomática e medidas de proteção à indústria nacional
Governo busca diálogo, mas admite possibilidade de retaliação
O ministro confirmou que o vice-presidente Geraldo Alckmin foi designado para liderar a articulação com autoridades norte-americanas, juntamente com o Ministério das Relações Exteriores. No entanto, até o momento, não houve resposta formal por parte da administração Trump.
“Só há diálogo quando ambos os lados estão dispostos a conversar. Por enquanto, só o Brasil tem interesse em abrir o canal de negociação”, afirmou Costa.
Governo estuda contramedidas para proteger empregos e empresas brasileiras
Em caso de impasse, o Planalto já prepara um plano emergencial de retaliação proporcional, por meio de tarifas similares e acordos com novos parceiros comerciais.
“O Brasil não hesitará em tomar medidas de reciprocidade para proteger a sua indústria, o emprego e a economia nacional”, assegurou o ministro.
Tensão interna: declarações de Eduardo Bolsonaro são classificadas como sabotagem
Deputado teria atuado para enfraquecer a comitiva brasileira nos EUA
Durante a entrevista, Rui Costa criticou duramente a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, o parlamentar teria trabalhado para impedir o avanço de reuniões diplomáticas de senadores brasileiros nos Estados Unidos.
“É inadmissível que representantes eleitos pelo povo brasileiro sabotem os interesses nacionais por motivações pessoais ou partidárias”, afirmou Costa.
Ele associou tal postura a tentativas de obstruir investigações criminais em curso, como a envolvendo a deputada Carla Zambelli.
Rui Costa comenta sobre candidatura ao Senado em 2026
Nome está à disposição do grupo político liderado por Lula e Wagner
Indagado sobre seu futuro político, o ministro da Casa Civil confirmou que existe a possibilidade de se candidatar ao Senado Federal pela Bahia em 2026, mas que a decisão será tomada em conjunto com o presidente Lula, o governador Jerônimo Rodrigues e o senador Jaques Wagner.
“Sou parte de um projeto coletivo. O nome está colocado, mas a definição virá em março do próximo ano, respeitando os prazos da legislação eleitoral”, afirmou Costa.








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