Em agendas realizadas na segunda-feira (21/07/2025) na Bahia, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, anunciou investimentos nas áreas de mobilidade urbana, habitação, saúde e educação. Durante entrevista coletiva, o ministro também defendeu a adoção de medidas diplomáticas frente às sanções impostas pelos Estados Unidos, criticou a gestão da prefeitura de Salvador e sinalizou uma possível revisão de pontos da nova lei ambiental aprovada pelo Congresso Nacional. Além disso, reafirmou que decisões sobre o processo eleitoral serão tratadas apenas em 2026 e destacou o compromisso do Governo Lula com a soberania nacional, a estabilidade institucional e a inclusão social.
VLT em Salvador
Ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, Rui Costa participou, pela manhã, de atividades na capital baiana. Entre os anúncios, está o aditivo contratual do Lote 1 do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que compreende o trecho entre a Calçada e o Comércio, além do lançamento do edital de sinalização e telecomunicações dos Lotes 1, 2 e 3 do projeto.
O empreendimento integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e é financiado com recursos do governo federal, em parceria com o Governo do Estado. O objetivo central da iniciativa é ampliar a mobilidade urbana e promover a revitalização da região histórica de Salvador, com impactos positivos diretos na economia local e no setor turístico.
De acordo com o ministro Rui Costa, “o VLT vai revitalizar uma das regiões mais belas e históricas de Salvador. Estamos resgatando um espaço culturalmente rico que perdeu dinamismo econômico ao longo dos anos”.
Habitação e investimentos em Feira de Santana
No período da tarde, Rui Costa acompanhou Jerônimo Rodrigues em Feira de Santana, onde foram anunciadas novas contratações do programa Minha Casa, Minha Vida, totalizando mais de R$ 200 milhões em investimentos. O ministro destacou que o programa já atingiu 1,6 milhão de contratos em dois anos e meio de governo, sendo mais de um milhão de obras em andamento.
Durante coletiva, Costa afirmou que os empreendimentos da construção civil em Feira devem impulsionar a economia local com geração de empregos diretos e indiretos, aquecendo setores como material de construção, serviços e comércio.
“Estamos comemorando o menor índice de desemprego da história do Brasil, com empresas voltando a contratar e colocar faixas de ‘aceitamos currículos’ pelas cidades. Isso é sinal claro de aquecimento da economia”, declarou.
Policlínicas e acesso à saúde
O ministro também defendeu a ampliação das policlínicas regionais como modelo eficaz de atendimento descentralizado. Segundo Costa, o governo federal pretende expandir o horário de funcionamento dessas unidades até as 22h em dias úteis, com atendimento também aos sábados e domingos, por meio de financiamento adicional da União.
“Queremos que o cidadão seja atendido com dignidade. As policlínicas são uma experiência exitosa da Bahia, agora nacionalizadas pelo governo federal”, disse.
Ele informou que Salvador receberá uma unidade exclusiva, além da regional, para atender à alta demanda da capital.
“Assim, liberamos mais vagas para os municípios vizinhos e melhoramos o atendimento na rede pública como um todo”, explicou.
Educação e alfabetização como prioridade
Rui Costa criticou os baixos índices de alfabetização em Salvador, mencionando que apenas 36% das crianças conseguem ler e escrever ao final do segundo ano.
“Isso é inaceitável. Fortaleza tem 80%. O prefeito deveria estar preocupado com a educação e não em fazer comentários políticos infundados”, declarou.
O ministro reforçou a necessidade de atuação conjunta entre União, estados e municípios.
“A União não alfabetiza sozinha. Os municípios precisam se mobilizar. A lógica do presidente Lula é clara: todas as vezes que disponibilizamos recursos, é para apoiar quem está comprometido com o futuro das nossas crianças”, afirmou.
Críticas às sanções dos EUA e defesa da soberania nacional
Na entrevista concedida à imprensa, Rui Costa criticou duramente as medidas unilaterais do governo dos Estados Unidos, sob administração de Donald Trump, que impuseram tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e suspenderam vistos de ministros do STF. Segundo o ministro, trata-se de uma ação “inadmissível”, que fere o princípio da reciprocidade diplomática e representa uma tentativa de ingerência externa.
“É inacreditável. Uma das maiores potências do mundo falar da 25 de Março, do PIX, e ainda suspender vistos de magistrados brasileiros é algo sem precedente. O Brasil não é quintal de ninguém”, afirmou Costa.
Resposta diplomática e articulação internacional
O ministro ressaltou que o governo Lula tem buscado alternativas comerciais com o Mercosul, União Europeia, Canadá e México, no sentido de diversificar parcerias e reduzir dependência do mercado americano. Destacou ainda que o acordo Mercosul-União Europeia é prioridade até dezembro, abrindo oportunidades para os setores industrial e agroexportador.
“O presidente Lula atua com serenidade, altivez e firmeza. As medidas de reciprocidade não serão adotadas com emoção, mas com responsabilidade. Se necessário, tomaremos providências equivalentes para defender o Brasil”, declarou.
Meio ambiente e negociações com o Congresso Nacional
Rui Costa também abordou a nova lei ambiental aprovada pelo Congresso, sinalizando que pontos considerados prejudiciais serão revistos.
“Vamos dialogar com a ministra Marina Silva, com a AGU e com o Congresso para corrigir distorções. Não podemos ter 5.400 regras diferentes para classificação de risco ambiental. Isso prejudica o empresariado e o meio ambiente”, afirmou.
O ministro adiantou que uma medida provisória poderá ser editada para reverter os pontos mais graves, como a autorização de supressão vegetal sem estudos técnicos adequados.
Perspectivas eleitorais para 2026
Questionado sobre eventual candidatura ao Senado, Rui Costa afirmou que qualquer decisão será discutida apenas após o prazo legal de desincompatibilização.
“Ano ímpar é ano de trabalho. Deixemos as disputas eleitorais para o ano que vem. Eu voltarei a falar sobre isso apenas em março ou abril de 2026”, disse.
Sobre especulações de substituição na Casa Civil, ele afirmou:
“Desde janeiro de 2023 ouço rumores sobre minha saída. Só o presidente Lula pode me nomear ou me substituir. Até lá, sigo trabalhando com foco e dedicação”.
Conflitos institucionais e postura do Executivo
O ministro evitou comentar diretamente sobre operações judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, reiterando que integrantes do Executivo não devem opinar sobre investigações conduzidas pelo Judiciário.
“Não vou disputar o emprego dos jornalistas. Cabe à imprensa e às autoridades competentes fazer esse papel”, afirmou.
Sobre as ameaças contra ministros do STF por aliados de Bolsonaro, Costa destacou:
“Isso já virou caso de saúde pública. É um ambiente de tensão que não contribui em nada para o país”.











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