O que disse Jair Bolsonaro em entrevista à Agência Reuters; Ex-presidente foi alvo de medidas de restrição de liberdade

Nesta sexta-feira (18/07/2025), o ex-presidente Jair Bolsonaro concedeu entrevista exclusiva à agência internacional Reuters, em meio às medidas judiciais impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a conversa, Bolsonaro reafirmou sua pré-candidatura à Presidência em 2026, denunciou perseguição política, criticou duramente o ministro Alexandre de Moraes e abordou temas como a relação com Donald Trump, as tarifas dos EUA, a censura nas redes sociais e a atuação do governo Lula no cenário internacional.

Medidas judiciais e tornozeleira eletrônica

O ex-presidente se manifestou de forma crítica em relação às medidas cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, que incluem o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de sair do Brasil, impedimento de uso de redes sociais e proibição de contato com investigados, incluindo seu filho Eduardo Bolsonaro. Ele qualificou as medidas como “suprema humilhação”, alegando perseguição e tentativa de retirá-lo da vida política.

“Tenho 70 anos de idade, fui presidente por quatro anos, e uso tornozeleira como se fosse um criminoso. Isso é para me tirar do jogo político de 2026”, afirmou.

Bolsonaro também declarou que o julgamento está “marcado” para o mês de agosto e que há uma “condenação antecipada”, com base em perseguição política disfarçada de processo judicial.

Relação com Donald Trump e os EUA

Bolsonaro afirmou que, se tivesse passaporte, pediria uma audiência com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Relembrou que foi convidado para a posse de Trump e que mantém admiração e diálogo com o norte-americano. Segundo ele, Trump manifestou apoio público cinco vezes, chamando-o de honesto.

“Tenho profundo respeito e admiração por Trump. Se ele não gostasse de mim, não teria me convidado para sua posse.”

Bolsonaro também criticou a ausência de diálogo do governo Lula com autoridades americanas após a imposição de tarifas. Para ele, o atual governo abandonou a diplomacia e escolheu o confronto ideológico.

Críticas ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes

O ex-presidente acusou o STF, em especial o ministro Alexandre de Moraes, de exercer ativismo judicial e promover perseguição política. Alegou que a Corte concentra poderes excessivos, interfere no Legislativo e atua de forma parcial.

“O STF perdeu a mão. Alexandre de Moraes comanda o Brasil. Ameaça parlamentares, censura redes e prende opositores.”

Reclamou da censura imposta às suas redes e de não poder manter contato nem com a nora, esposa de Eduardo Bolsonaro. Chamou de “covardia institucional”.

Polêmicas envolvendo o 8 de janeiro

Negando participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, Bolsonaro afirmou que estava na Flórida na data e que o evento foi manipulado por setores da esquerda.

“Não há nenhuma prova que me ligue ao 8 de janeiro. O governo sabia dos riscos e não agiu. Eu estava fora do país.”

O ex-presidente citou juristas e ex-ministros que, segundo ele, afirmaram que não houve tentativa de golpe. Afirmou que o episódio foi utilizado como pretexto para repressão política e para criminalizar adversários.

Impactos das tarifas americanas

Bolsonaro responsabilizou o governo Lula pelas tarifas de 50% impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros. Segundo ele, a deterioração das relações bilaterais decorre da política externa adotada pelo atual governo.

“Trump taxou o Brasil porque Lula escolheu o confronto. A relação com os EUA foi destruída.”

O ex-presidente alertou que, se o Brasil mantiver importações de petróleo da Rússia, os EUA podem elevar a tarifa para até 100%.

Dependência econômica da China

Criticando a política comercial do governo atual, Bolsonaro alertou para o crescimento da dependência econômica brasileira da China. Disse que, em seu governo, impediu a venda do Porto de Santos e a compra de terras por estrangeiros.

“A China está tomando conta do Brasil de forma silenciosa. O Lula está trocando parceiros democráticos por ditaduras.”

Segundo Bolsonaro, a presença chinesa avança em setores estratégicos da América Latina e representa ameaça à soberania nacional.

Big techs e censura digital no Brasil

O ex-presidente afirmou que o STF promove censura ao invalidar o artigo 19 do Marco Civil da Internet. Afirmou que isso tem provocado desconfiança das plataformas digitais e poderá levar à retirada das big techs do país.

“A liberdade de expressão morreu no Brasil. Até o elogio é criminalizado. As big techs vão sair.”

Criticou a decisão que o impede de usar redes sociais e disse que o Brasil virou um país onde “as pessoas têm medo de mandar mensagens no WhatsApp”.

Estratégia eleitoral para 2026

Bolsonaro reafirmou sua pré-candidatura à Presidência da República e negou qualquer intenção de indicar substituto. Disse que pesquisas internas o colocam à frente de Lula e que o verdadeiro objetivo do processo judicial é afastá-lo do pleito.

“Sou o único que pode vencer Lula. Me tirar da eleição seria um atentado contra a democracia.”

Afirmou ainda que só cogitaria outro caminho político após o julgamento previsto para agosto.

Participação da família Bolsonaro na política

Bolsonaro disse que sua esposa, Michelle Bolsonaro, deve ser candidata ao Senado e que Eduardo Bolsonaro pode seguir carreira política nos EUA, onde estaria se relacionando com congressistas e setores do governo Trump.

“Michelle tem capital político. Eduardo é bem relacionado nos EUA. Se a perseguição continuar, ele pode não voltar.”

Afirmou ainda que a família é vítima de restrições judiciais arbitrárias e que parlamentares bolsonaristas enfrentam ameaças de inconstitucionalidade por parte do STF.

Temores dos ex-presidente

Bolsonaro afirmou que não teme a prisão, mas teme ser retirado do processo democrático por meio do chamado “lawfare”, ou seja, uso instrumentalizado do sistema judicial para perseguição política. Ele voltou a se defender das acusações de envolvimento com os atos de 8 de janeiro de 2023, afirmando que não estava no país na ocasião e que o evento foi, segundo ele, uma “armação da esquerda”.

O ex-presidente também destacou que não houve organização de golpe por parte de seus apoiadores, citando como exemplo declarações de ex-ministros e juristas que negaram a tentativa de subversão da ordem constitucional.

Impacto político e eleitoral

Apesar das restrições, Bolsonaro reafirmou sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026. Disse não cogitar indicar substituto, mas caso se torne inelegível, não descartou eventual apoio à esposa, Michelle Bolsonaro, cotada para o Senado.

“Sou o único que pode vencer Lula. Se me tirarem do jogo, será uma eleição sem legitimidade.”

Ele também mencionou o impacto das medidas judiciais em sua presença digital e no apoio popular, afirmando que sua ausência nas redes sociais prejudica a disputa da narrativa política. Declarou que “a censura digital no Brasil fere a democracia” e criticou a decisão do STF de declarar inconstitucional parte do artigo 19 do Marco Civil da Internet.

Estratégia futura e apelo internacional

Bolsonaro declarou que pretende continuar se manifestando por meio da imprensa e que não aceitará acordos que impliquem confissão de culpa. Voltou a criticar a atuação do STF em relação às plataformas digitais e demonstrou preocupação com a saída de big techs do Brasil.

Sobre o futuro do deputado Eduardo Bolsonaro, indicou que ele pode seguir carreira política nos Estados Unidos, caso opte por não retornar ao Brasil diante da atual conjuntura.

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